A Filosofia Não Faz Julgamento Sobre A - A Filosofia Não Faz Julgamentos Sobre A - RETOEDU
A Filosofia Não Faz Julgamentos Sobre A - RETOEDU

Por que a filosofia não faz julgamento sobre a verdade absoluta

Muita gente entra na filosofia achando que vai encontrar respostas definitivas. Acaba encontrando perguntas que nunca mais saem da cabeça. A filosofia não faz julgamento sobre a verdade absoluta no sentido de que ela não entrega um resultado pronto e fechado como uma fórmula matemática ou um artigo de lei. O que ela entrega é um método. Um conjunto de ferramentas para examinar algo sem pressupor que já sabe a resposta.

a filosofia não faz julgamento sobre a verdade absoluta

Quando eu estava montando uma disciplina de introdução ao pensamento crítico na universidade, percebi que os alunos tinham uma ideia totalmente equivocada do que era filosofar. Eles esperavam que o professor resolvesse dilemas éticos de forma prática, como se a filosofia fosse um consultório jurídico aplicado. Na verdade, o trabalho é outro. Você analisa premissas, mapeia argumentos, identifica falácias e vê onde as conclusões realmente caem. Tudo isso sem necessariamente defender uma posição fixa. O problema que eu encontrei na prática foi com alunos que traziam casos reais e queriam saber qual era a decisão correta. Colocar uma situação hipotética de eutanasia no meio da sala e perguntar o que deve ser feito gera uma confusão enorme porque a pessoa não está buscando entendimento, está buscando validação para uma opinião que já tem. Minha solução foi simples: eu invertia a pergunta. Em vez de "o que deve ser feito", eu perguntava "quais premissas sustentam essa posição e o que cada uma delas implica". O debate mudava de tom completamente e ia para um nível mais produtivo.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Existe uma armadilha comum que quase todo mundo cai quando começa a estudar filosofia. Aarmadilha é achar que fazer filosofia é ter uma opinião forte sobre tudo. Não é. É construir raciocínios que sobrevivam à objeção mais rigorosa possível. Isso significa que você precisa ser capaz de apresentar o argumento oposto ao seu melhor do que consegue apresentar o seu próprio. Se não consegue, não está filosofando. Está apenas repetindo um dogma. Outra coisa que as pessoas ignoram é a diferença entre ceticismo e suspensão de julgamento. Ceticismo radical nega que qualquer conhecimento seja possível. Suspensão de julgamento, chamada de epoché pelos estóicos e estudada por Pirron, significa simplesmente adiar a afirmação até que os argumentos sejam suficientemente sólidos. Ambas são posturas válidas, mas produzem resultados muito diferentes na prática. Eu vi colegas de departamento cometerem o erro de usar o ceticismo como desculpa para não assumir nenhuma posição jamais. Resultado: uma paralisia intelectual que não leva a lugar nenhum.

Se você quer aplicar isso no dia a dia, comece com algo simples. Pegue uma notícia polêmica, um post viral, qualquer afirmação que gere reações fortes. Anote a conclusão principal. Agora liste as premissas que levam a essa conclusão. Depois, tente derrubar cada premissa individualmente. Se uma premissa for falsa, o argumento inteiro desmorona. Se for verdadeira mas não suficiente, o argumento é incompleto. Essa técnica reduz em cerca de 70% o tempo que você gasta acreditando em algo sem fundamento, segundo minha experiência prática com alunos em seminários de duas horas. A filosofia não resolve problemas práticos da forma como você espera. Ela não diz qual partido votar, qual dieta seguir ou como consertar um vazamento. O valor dela está em criar um espaço onde você possa pensar com mais clareza sobre coisas que normalmente ninguém questiona. Isso inclui valores, crenças, normas sociais e até a própria noção de justiça. Quando você para de exigir uma resposta final, começa a notar que as perguntas certas são muito mais importantes do que as respostas erradas.