A Historia Do Frevo - História do frevo - Tudo sobre a dança típica pernambucana
História do frevo - Tudo sobre a dança típica pernambucana

Frevo: mais do que ritmo, uma explosão de Pernanbuco

Frevo nasceu em Pernambuco, no final do século XIX, e se consolidou como um dos gêneros mais importantes da cultura brasileira. Ele não veio de um único lugar — surgiu da mistura de marchas, polcas, habaneras, maxixes e do que os bateras negros tocavam nos blocos de rua. O resultado foi algo completamente novo, tanto na música quanto na dança.

a historia do frevo

O nome vem do verbo "frever". Já pensou nessa imagem: o calor, o suor, o movimento acelerado dos corpos nas ruas quentes de Recife durante o carnaval? Era isso que os primeiros foliões sentiam. E foi nesse contexto que o frevo ganhou forma. Não foi uma invenção intelectual de alguém. Foi uma necessidade de celebrar, de dançar, de ocupar o espaço público com corpo e som. Um detalhe que poucas pessoas sabem: o frevo de rua e o frevo-canção são coisas diferentes. O de rua é instrumental, feito para dançar, com ritmo acelerado e arranjos de metais. O de canção tem letra, narrativa, e serve mais para contar histórias ou fazer crítica social. Ambos coexistem no mesmo universo, mas atendem a públicos e momentos distintos.

Os ranchos e blockos carnavalescos foram o berço do frevo. Grupos como o Ranchano Estação Primeira, fundado em 1893, já misturavam instrumentos de sopro e percussão de formas que lembravam o frevo que conhecemos hoje. A partir dos anos 1910, com o surgimento das primeiras sociedades carnavalescas organizadas, o frevo começou a ganhar estrutura musical própria — e não apenas improvisação coletiva. Uma coisa que muita gente erroneamente associa ao frevo é o uso exclusivo de metais. Na verdade, a seção rítmica é fundamental. Sem o surdo, o tamborim e o repinique tocando em padrão binário, o frevo perde o chão. Os metais fazem o arranjo, sim, mas a base percussiva é o que mantém o dancer de pé enquanto ele executa os passos acelerados.

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Outro equívoco comum é achar que frevo é sinônimo de carnaval só de Pernambuco. Ele existe no Rio de Janeiro, em São Paulo e em outras cidades, mas com nuances diferentes. O frevo carioca, por exemplo, tende a ser mais lento e mais próximo da marcha. Em Recife, o ritmo é mais intenso, mais rápido, mais exigente fisicamente. Não há competição, são realidades distintas. A dança do frevo é o que mais impressiona quem vê pela primeira vez. Os passos são extremamente ágeis, exigindo coordenação motora fina, equilíbrio e resistência. O dançarino precisa mantener o centro do corpo estável enquanto os pés executam sequências complexas de movimentos. A famosa "bicicletinha" — um passo que imita pedalárrapidamente — exige que o dançarino mantenha o ritmo dos braços sincronizado com o dos pés, senão a sequência desanda completamente.

Um problema real que encontrei ao trabalhar com regrupamentos de frevo: muitos músicos novos chegam achando que só precisam aprender a melodia. Esquecem que o arranjo é construído sobre uma progressão harmônica específica, e que os contra-tempos dos metais precisam se encaixar perfeitamente com a percussão. Se o saxofone entra meio tempo atrás, todo o conjunto trava. A solução que encontrei foi fazer os músicos tocaram as partes separadamente primeiro, cada um no seu ritmo, antes de juntar tudo. Só depois de cada um dominar sua parte individual é que o conjunto funciona. A umbrela no frevo também tem função prática. Ela não é só adorno. O dançarino usa a umbrela como contrapeso, como extensão do braço, e como instrumento de comunicação com o grupo. Em competições de bloco, a posição da umbrela indica o momento de mudar de formação. Sem a umbrela, muitos passos perdem o sentido completo.

O frevo-canção teve seu auge entre as décadas de 1940 e 1960. Compositores como Waldir Azevedo e Radamés Gnatally elevaram o gênero a patamares artísticos mais refinados. Mas o frevo de rua nunca parou de evoluir. Nas décadas de 1970 e 1980, novos grupos começaram a experimentar com influências do jazz, da mpb e até do rock, criando vertentes híbridas que ampliaram o alcance do gênero sem perder sua essência. Se você quer começar a estudar frevo, a recomendação prática é: ouça os clássicos, mas não pare neles. Ouça grupos contemporâneos como o Pau Brasil Frevo Orquestra, o Galvão de Reis, e as formações mais recentes de Olinda. A evolução do frevo continua, e os jovens músicos estão trazendo novas possibilidades técnicas e criativas que enriquecem o gênero.

O reconhecimento pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade em 2012 trouxe visibilidade, mas também um desafio: como preservar a autenticidade sem fossilizar o gênero? A resposta que vejo funcionando é permitir que o frevo continue evoluindo naturalmente, com respeito às suas raízes, mas sem amarras excessivas. O frevo que não se move morre.