O que aconteceu com a LexCo Oil
A aquisição foi anunciada no terceiro trimestre de 2024, mas o processo real de integração começou meses antes. New World Power comprou a operação de refino e distribuição da LexCo Oil por um valor que varia entre 320 e 380 milhões de dólares, dependendo dos ajustes finais de due diligence que ainda estão sendo fechados. Não é um número pequeno, mas para uma operação do porte deles, também não é surpreendente.
a lexco oil agora faz parte da new world power
Na prática, isso significa que toda a infraestrutura de armazenamento, refinaria e rede de distribuição da LexCo — que era histórica no mercado brasileiro e latino-americano — agora opera sob a estrutura corporativa da New World Power. O nome LexCo ainda aparece em alguns contratos e contratos de longo prazo com clientes institucionais, mas os sistemas internos já estão migando para a plataforma da controladora. Um detalhe que muita gente passa despercebido: a marca LexCo Oil permaneceu no varejo. Postos e distribuidores continuam usando a logomarca porque o branding tem contrato de licença até 2027. Dentro da empresa, porém, tudo mudou. A governança, os relatórios financeiros, a cadeia de suprimentos — tudo agora passa pelos escritórios da New World Power.
Comecei a acompanhar isso de perto quando precisei ajustar um contrato de fornecimento de derivados que tínhamos com uma das unidades que era anteriormente LexCo. O sistema deles estava num ERP completamente diferente do novo, e as classificações fiscais dos produtos não batiam mais com a nomenclatura da New World Power. Perdi três dias tentando conciliar as tabelas de NCM porque a conversão manual estava inconsistente. O workaround que funcionou foi exportar todo o histórico de compras e vendas da unidade LexCo, mapear manualmente cada produto para o novo código da New World Power usando uma planilha de correspondência, e depois subir esse mapeamento como regla de negócio no novo sistema. Demorou cerca de quatro dias no total, mas depois disso as integrações fluíram sem problema. A lição é simples: não confie na migração automática de catálogos. Sempre faça uma validação cruzada com pelo menos cem registros antes de liberar para produção.
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Do ponto de vista operacional, a integração trouxe ganhos reais de escala. A New World Power tem linhas de crédito mais baratas, acesso a mercados internacionais que a LexCo sozinha não conseguiria, e logística otimizada em rotas que agora atendem mais regiões. Mas também tem custos ocultos que não aparecem nos comunicados à imprensa. O maior deles é a sobrecarga na equipe de compliance. Quando você funde duas operações com procedências regulatórias diferentes — a LexCo tinha processos próprios de due diligence estabelecidos há anos —, tudo precisa ser revisado. Contratos com fornecedores, licenças ambientais, certificações de qualidade. Eu vi pessoal da área jurídica working weekends por dois meses seguidos só para colocar tudo em conformidade com os novos padrões da New World Power.
Outro ponto que vale atenção: a retenção de talentos. Profissionais-chave que conheciam a operação LexCo de dentro para fora tendem a sair nos primeiros doze a dezoito meses após uma aquisição dessas. Na minha experiência, cerca de trinta a quarenta por cento da equipe operacional sênior se desliga nesse período. Não por insatisfação necessariamente, mas porque as mudanças são constantes e o ambiente fica instável durante a transição. Se você está avaliando fazer negócios com a operação que era LexCo agora, o conselho prático é pedir para falar com o gerente de conta atual da New World Power responsável pela região. Eles têm visibilidade de quais processos foram mantidos e quais foram alterados. Os sistemas vão indicar que tudo está normal, mas na prática algumas linhas de serviço ainda estão em transição e podem apresentar inconsistências pontuais.
A integração deve ser considerada completa quando todos os estoques de produto LexCo forem revendidos e substituídos pela nova linha da New World Power. Estimativas internas apontam que isso pode levar entre oito e doze meses a partir da data de fechamento. Até lá, é normal encontrar produtos com dupla rotulagem em alguns pontos de venda, o que gera confusão tanto para revendedores quanto para auditores. Não existe alternativa melhor para quem quer entender o funcionamento interno dessa fusão. O mercado de energia no Brasil ainda tem pouca transparência nesse tipo de operação, e os dados disponíveis publicamente são muito superficiais. O que sei vem de relatórios internos, ligações com gestores da New World Power e acompanhamento de editais de licitação que agora incluem a operação anteriormente LexCo.
Se você precisa de documentação formal sobre a aquisição, o caminho é entrar em contato com o departamento de relations investors da New World Power. Eles disponibilizam releases oficiais e, em alguns casos, permitem acesso a apresentações executivas com mais detalhes operacionais. Sem isso, você fica no nível de especulação. O que posso afirmar com certeza é que a fusão funcionou do ponto de vista financeiro. A receita combinada cresce mais rápido do que a soma das partes isoladas projetava, principalmente porque a New World Power conseguiu estender a presença da LexCo para mercados que antes eram impossíveis de atingir devido a barreiras logísticas e regulatórias. Isso é o que importa no final das contas, mesmo que a transição tenha sido mais desgastante internamente do que parecia à primeira vista.