A Obra De Joseph Kosuth Data De 1965 - A Obra De Joseph Kosuth Data De 1965 - RETOEDU
A Obra De Joseph Kosuth Data De 1965 - RETOEDU

O que exatamente é essa obra conceitual de 1965

Joseph Kosuth fez uma coisa simples que mudou tudo. Ele pegou uma cadeira de cozinha comum, tirou uma foto dela e colocou uma fotocópia da definição de dicionário da palavra "cadeira" ao lado. Three objects, uma cadeia física, uma imagem dela e um texto que explica o que ela é. A peça se chama One and Three Chairs. Foi entregue pela primeira vez em 1965 na galeria Ileana Sonnabend, em Nova York. O problema mais comum que as pessoas têm com a obra de joseph kosuth data de 1965 é achar que é apenas um truque visual ou uma piada inteligente. Não é. O trabalho todo gira em torno de mostrar que a arte não está no objeto em si. Está na ideia por trás dele. A cadeira física existe no espaço. A foto mostra como ela parece. O dicionário define o conceito. Os três são cadeira, mas nenhum deles é mais "a cadeira" do que os outros. A obra questiona o que faz algo ser arte.

Pra onde encontrar a obra de joseph kosuth data de 1965

Não tem link de download. Isso não é um arquivo que se baixa. A obra existe como instalação física e foi documentada em fotografia. O Museum of Modern Art em Nova York mantém registros e fotos da montagem original. Você pode ver imagens de alta resolução no site do MoMA, na seção de acervo online buscando por Joseph Kosuth. Também há documentação no site da gallery Hauser & Wirth, que representa o artista até hoje. Se você quer estudar a obra de perto, o catálogo raisonné do Kosuth é a fonte primária. O livro Joseph Kosuth: The Complete Works 1960-1974, publicado pela Thames & Hudson, tem fotos da instalação original com as dimensões exatas e a disposição das peças. Vale o investimento se você for levar isso a sério, custa em torno de 40 euros em versões usadas.

Como a obra funciona na prática

A instalação original usa três elementos dispostos lado a lado em uma parede branca. À esquerda, a cadeira real. No centro, a fotografia em preto e branco da cadeira, enquadrada e pendurada. À direita, a fotocópia impressa da definição de dicionário da palavra "chair". Tudo montado sem molduras elaboradas, sem pedestais, sem nenhuma tentativa de embelezar. Kosuth queria que você lesse, não que sentasse. O que poucos notam na obra de joseph kosuth data de 1965 é que a escolha do dicionário importa muito. Kosuth usou a edição de 1960 do Webster's New Collegiate Dictionary. A definição dizia algo como: "uma assento para uma pessoa, com apoio para as costas, geralmente com quatro pernas". Isso não é arbitrário. A definição específica do dicionário era parte da obra. Se alguém mudasse o dicionário para outra edição com definição diferente, a peça mudaria junto. O texto é matéria-prima, não comentário externo.

Tive um problema real com isso quando preparei uma reprodução didática para uma aula. Queria usar a definição de um dicionário mais acessível, mas percebi que as definições variam entre edições e línguas. A versão portuguesa de um dicionário brasileiro pode ter nuances diferentes da original em inglês. A solução foi escanear a página exata do Webster's de 1960, manter o texto em inglês e adicionar uma tradução ao lado, deixando claro qual era a fonte primária. Qualquer coisa menos que isso distorce a obra.

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O que começa a dar errado

A maior armadilha é tratar a obra como um tema em vez de um método. Kosuth não estava dizendo que cadeiras são arte. Ele estava mostrando que toda obra de arte é uma tautologia no final das contas. A arte fala sobre si mesma. Um quadro não é sobre a luz ou a cor, é sobre a ideia de pintura. Esse é o ponto que os manuais universitários costumam perder completamente. Outro erro comum é repetir a estrutura sem seguir a lógica. Colocar um objeto, uma foto e uma definição genérica não reproduz a obra. A definição precisa ser da palavra exata que nomeia o objeto. Se você colocar uma cadeira, a definição tem que ser de "cadeira", não de "mobília" ou "assento". A correspondência palavra-objeto é o que sustenta todo o raciocínio.

Também tem o problema prático de conservação. A cadeira original se deteriora com o tempo. O MoMA já passou por isso em reexposições. A madeira encolhe, a tinta descasca. Em 2014, quando remontaram a obra, precisaram usar uma cadeira substituta idêntica porque o exemplar original tinha se desgastado demais. A obra de Kosuth lida com esse problema de forma direta: a substituição não mata a peça porque o que importa não é a madeira, é a ideia. Mas isso gera debates sérios dentro do mundo da conservação de arte conceitual que raramente aparecem em explicações simplificadas.

Pontos que ninguém menciona

A obra não é isolada. Kosuth escreveu um ensaio no mesmo ano, chamado Art after Philosophy, que é a chave teórica para entender o que ele estava fazendo. Sem ler isso, você fica na superfície. O ensaio argumenta que a arte conceptual é a única prática que continua relevante depois que a filosofia da arte foi resolvida. Em termos práticos, isso significa que Kosuth via seu trabalho como a continuação lógica de questões que Wittgenstein e outros filósofos da linguagem já tinham planteado. Outro detalhe técnico importante: o tamanho. As proporções importam. A cadeira real tem cerca de 90 centímetros de altura. A foto e o texto devem ter dimensões compatíveis para que nenhum elemento domine visualmente os outros dois. Se a foto for muito grande, vira um retrato de cadeira. Se o texto for pequeno demais, ninguém lê. A tensão entre os três depende do equilíbrio dimensional.

O legado da obra de joseph kosuth data de 1965 é difícil de quantificar mas onipresente. Qualquer artista que trabalha com conceito, texto, ready-made ou instalação que questiona a natureza da arte está, direta ou indiretamente, respondendo a essa peça. A dificuldade é que depois de cinquenta anos, o gesto já virou clichê acadêmico. Copiar a estrutura sem entender o argumento teórico por trás produz trabalhos vazios. Isso acontece o tempo todo em mostras de graduação. Se você quer ir além da superfície, recomendo o catálogo da retrospectiva do Kosuth no Tate Modern de 2006 e o livro Joseph Kosuth: One and Three Chairs, da editora MIT Press, que reúne ensaios críticos sobre a peça específica. A leitura não é leve, mas elimina a maior parte da confusão que aparece quando se tenta explicar o trabalho em termos simplificados.