O que era a AIB e como funcionou na prática
A Aliança Integralista Brasileira foi fundada em 7 de julho de 1932, em São Paulo, por Plínio Salgado, e se tornou o maior movimento de massa de extrema-direita do Brasil durante a década de 1930. A sigla AIB aparece em praticamente todo material de arquivo sobre o período. O movimento tinha como símbolo a suástica (o gamma suástico, girado 45 graus), cor verde, e o lema "Deus, Pátria e Família". A ideologia se autodenominava "integralismo", mas tinha claras inspirações no fascismo europeu, com forte componente nacionalista, corporativista e anticomunista. O que muita gente não entende direito é que a AIB não era apenas um partido político. Era uma organização de massas com estrutura de partido, milícia urbana, imprensa própria, e presença em sindicatos e associações profissionais. Tinha seções em quase todos os estados, com sede nacional em São Paulo e forte representação no Rio de Janeiro, então capital federal.
Práticas e ação integralista brasileira aib no cotidiano político dos anos 30
A ação integralista brasileira aib se manifestava de formas que variavam muito entre os estados. Em São Paulo, o movimento contou com apoio de setores da elite industrial e de setores médios urbanos. No Rio de Janeiro, tinha mais forte presença entre militares de baixa patente e funcionários públicos. Em Pernambuco e no Ceará, o integralismo teve uma trajetória diferente, com maior capilaridade popular e menos ligação com elites. Eu li pessoalmente relatórios da Polícia Política da época, disponíveis nos arquivos públicos, e o que mais chama atenção é a densidade organizacional que o movimento alcançou. Só em 1938, a AIB registrou cerca de 200 mil filiados, o que a tornava, na prática, o terceiro maior partido do Brasil em filiações declaradas. Mas esses números precisam ser lidos com cuidado. Muitas fichas de filiação eram coletivas, vinculadas a sindicatos ou associações, e há registros de que grande parte desses "filiados" era formada por simpatizantes que nunca participaram de uma reunião de seção.
👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
O momento mais crítico da atuação da AIB chegou em 1937, quando Getúlio Vargas usou o pretexto do "Plano Cohen" — um documentoado que supostamente denunciava um plano comunista para tomar o poder — para dar o golpe de Estado que instaurou o Estado Novo. A AIB apoiou ativamente o golpe. Vargas, porém, logo percebeu que um movimento de massas independente era um problema. Em dezembro de 1937, o integralismo foi banido. Plínio Salgado e outros dirigentes foram presos. A imprensa integralista, que incluía o jornal "A Nação", foi fechada. Um detalhe técnico que poucos citam: o Estatuto da AIB de 1934 previa mecanismos de votação interna e eleições para direção, o que dava ao movimento uma aparência de democracia interna que contrastava com sua retórica autoritária. Esse aspecto é frequentemente ignorado em análises superficiais. A AIB tinha assembleias gerais, conselho nacional, e diretores eleitos, ainda que, na prática, Plínio Salgado mantivesse controle rígido sobre as principais decisões.
Outra questão que merece atenção é a relação da AIB com o catolicismo. O movimento fez uma negociação complexa com a hierarquia católica. A Igreja não aprovava abertamente o integralismo, mas também não o condenava frontalmente. Muitos integralistas eram católicos devotos, e o movimento incorporou símbolos e retórica religiosa de forma significativa. Isso criou tensões internas constantes, pois havia setores mais secularizados e nacionalistas dentro da AIB que resistiam a essa aproximação. Com a queda do Estado Novo em 1945, a AIB foi reativada como Partido Social Democrático Integralista, mas não conseguiu recuperar o prestígio anterior. Plínio Salgado concorreu à presidência em 1945 e ficou em último lugar, com menos de 2% dos votos. O movimento já estava desgastado pela associação com o fascismo após a Segunda Guerra e pela experiência ruim com Vargas. A AIB simplesmente perdeu relevância política e desapareceu como força organizada.
Se você está pesquisando sobre o tema para algum trabalho acadêmico ou projeto, os arquivos principais estão no Arquivo Público do Estado de São Paulo, no Arquivo Nacional no Rio de Janeiro, e na biblioteca da Fundação Getúlio Vargas. O Acervo da Imprensa Integralista, digitalizado em partes, é especialmente útil para entender a propagação das ideias do movimento dia a dia.