Acontece No Verão E No Inverno - Solstício de Inverno (21/12) no hemisfério norte e de verão no ...
Solstício de Inverno (21/12) no hemisfério norte e de verão no ...

Manutenção predial entre estações: o que realmente precisa ser feito

O assunto de hoje é manutenção que acontece no verão e no inverno. Não é um termo técnico de nenhum manual que eu conheça, mas é exatamente assim que os engenheiros e administradores prediais falaram quando eu comecei a acompanhar obras e instalações em São Paulo e no Rio. O básico é que certos sistemas falham de formas completamente diferentes conforme a temperatura varia, e se você tratar verão e inverno como problemas separados, gasta o dobro do que deveria.

O problema que ninguém avisa antes

Vasos de expansão, isolamentos térmicos e juntas de dilatação são os três pontos que mais dão trabalho. Nos sistemas hidrânicos, a água expande cerca de 0,00021 por grau Celsius. Isso significa que um circuito de 80 metros de tubo de cobre submetido a uma variação de 40 graus entre o inverno e o verão tem uma dilatação total de aproximadamente 67 milímetros. Se a junta de dilatação não foi dimensionada para isso, ela vai rachar. Eu vi isso acontecer numa obra em Barueri, em 2019. O sistema de aquecimento solar tinha sido instalado em outubro, com as tubulações aparentemente bem fixas. Quando o inverno chegou forte, a mangueira isolada estourou em três pontos. A solução foi trocar as fixações por suportes deslizantes e adicionar uma junta de expansão tipo fole em cada trecho reto acima de dez metros. O custo extra ficou em torno de R$ 1.800, bem menos que o prejuízo de refazer a cobertura toda. O isolante térmico segue lógica parecida. A espuma de poliuretano aplicada nas tubulações externas diminui a vida útil quando exposta alternadamente a altas radiações solares e a baixas temperaturas. Com o tempo, ela resseca, fissura e perde a capacidade de isolamento. A alternativa que funciona melhor, pela minha experiência, é usar isolamento em polietileno retrátil com barreira de vapor, que aguenta essa oscilação sem precisar de manutenção frequente.

O que acontece no verão e no inverno nos sistemas de climatização

Aqui entra o ponto mais ignorado. A maioria dos projetos de climatização considera o pico de carga, mas esquece de calcular a eficiência em condições intermediárias. Um sistema VRF, por exemplo, opera com COP (Coeficiente de Desempenho) muito diferente quando a temperatura externa está em 18 graus do que quando está em 35 graus. No inverno, o compressor trabalha mais para manter a temperatura interna, e o gasto energético pode subir até 40% em relação à média anual. No verão, o inverso acontece, mas o risco de sobrecarga elétrica é maior porque vários aparelhos ligam ao mesmo tempo. A recomendação prática que eu dou é sempre configurar o termostato com histerese de pelo menos 1 grau. Isso reduz o ciclagem do compressor e aumenta a vida útil do equipamento em cerca de 15%. Não é um número pequeno quando se fala de um prédio comercial com trinta unidades independentes.

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Drenagem e telhados

No verão, a chuva é mais intensa e concentrada. Calhas e rufos precisam de capacidade suficiente para escoarpicos de até 150 mm/h, que é uma média razoável para regiões sudeste no período de janeiro a março. No inverno, o problema é outro: folhas secas, galhos e detritos entopem os mesmos canos. A manutenção preventiva deve ser feita em duas etapas distintas, não uma vez por ano. A primeira em novembro, antes das chuvas fortes. A segunda em agosto, quando a vegetação já soltou tudo. Um detalhe que pouca gente leva em conta é a inclinação das calhas. A norma recomenda 1% de queda, mas em telhados com área superior a 50 metros quadrados, essa porcentagem pode não ser suficiente se a chuva for muito forte. Neste caso, o ideal é aumentar para 2% ou dividir o sistema em mais canais de descarga. Eu ajustei isso numa casa em Atibaia usando calhas de alumínio com perfis reforçados e canaletas de 150 milímetros. O custo foi alto, mas o problema de alagamento interno parou completamente.

Instalações elétricas e a questão da umidade

A diferença de umidade relativa do ar entre verão e inverno no interior de São Paulo pode variar de 40% para 80% em poucos dias. Isso afeta quadros de distribuição, disjuntores e bornes. A corrosão começa a aparecer nos terminais de cobre depois de dois ou três anos sem tratamento. A solução mais simples e barata é aplicar graxa isolante em todos os conectores durante a instalação. Custa cerca de R$ 30 por quadro e evita trocas prematuras de componentes que chegam a R$ 500 por unidade danificada. Outro ponto importante é a vedação de tomadas e interruptores em áreas externas. No verão, a chuva penetra por frestas minúsculas que parecem irrelevantes. No inverno, a água que entrou congela e expands, aumentando a fissura. O resultado é um curto-circuito que queima o disjuntor e pode danificar aparelhos ligados à rede. Use caixas seladas com índice IP65 ou superior para qualquer instalação que fique exposta às intempéries.

Resumo sem rodeios

O que acontece no verão e no inverno são os mesmos problemas, apenas com manifestações diferentes. O segredo é antecipar. Medir dilatações, ajustar inclinações, proteger conexões elétricas e fazer manutenção em dois momentos distintos do ano. Isso economiza tempo e dinheiro, e evita surpresas que costumam ser caras.