A diferença entre apesar de que e apesar que
A maioria das pessoas acha que as duas formas são intercambiáveis. Não são. A norma culta exige a preposição "de" antes do "que" quando se trata de uma oração subordinada adverbial concessiva, mas na prática cotidiana o uso com varia muito dependendo do registro e da região. Vou explicar como funciona de verdade, não apenas o que os manuais dizem. O correto, segundo a gramática tradicional, é apesar de que. O "de" pertence à locução prepositiva "apesar de", que é invariável. O "que" introduz a oração seguinte. Então a estrutura básica é: "apesar de" + "que" + sujeito + verbo. Exemplo: "Apesar de que ele tentou, não conseguiu." Note que "apesar de" funciona como uma preposição composta, e "de" não se elide aqui.
Como identificar apesar que ou apesar de que na prática
O erro mais comum que eu vejo em revisões de texto é quando alguém escreve "apesar que" sem o "de", e o corrector automático deixa passar porque não consegue distinguir o uso formal do coloquial. Em análise sintática, o teste simples é: substitua "apesar de que" por "mesmo que" ou "ainda que". Se a frase mantém o sentido concessivo, o "de" deve estar presente. "Mesmo que ele tenha tentado" equivale a "apesar de que ele tentou", e não a "apesar que ele tentou". Outro ponto importante: quando "apesar de" é seguido de um substantivo ou pronome, e não de uma oração completa com verbo conjugado, o "de" permanece obrigatório. "Apesar do cansaço, ele continuou" está certo. "Apesar de ele ter dito" também. A única situação em que o "de" desaparece é em registros informal e oral, onde falantes nativos frequentemente omitem a preposição — mas isso não significa que esteja correto em textos formais.
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Me deparei recentemente com um caso em um contrato jurídico onde o autor tinha escrito "apesar que o fornecedor não cumprisse o prazo" e o revisor legal marcou como erro. A questão é que em documentos com valor contratual, a ausência do "de" pode ser interpretada como vício de redação, e em alguns tribunais já vi decisões serem influenciadas por ambiguidades desse tipo. O trabalho around que usei foi simplesmente inserir o "de" e fazer uma nota de rodapé explicando a variação, para não parecer que estava corrigindo algo que talvez fosse intencional por questão de estilo regional. Vale mencionar que existe uma tendência contemporânea, especialmente em Portugal, de o "apesar que" sem o "de" ser cada vez mais aceito em meios jornalísticos e acadêmicos, mesmo que a norma padrão ainda requeira a forma completa. Em materiais didáticos brasileiros, contudo, a exigência do "de" permanece firme. Se você está escrevendo para um público que segue a norma culta estrita, prefira sempre "apesar de que".
Um detalhe que poucos citam: o "apesar de que" pode ser seguido tanto pelo indicativo quanto pelo subjuntivo, e a escolha do modo verbal altera o sentido. Com indicativo ("apesar de que ele tried"), você afirma um fato concretizado. Com subjuntivo ("apesar de que ele tente"), você expressa uma possibilidade ou uma ação futura incerta. Isso é diferente de "apesar de + substantivo", onde não há ambiguidade de modo verbal. Confundir esses dois usos leva a frases mal construídas com frequência. Não existe exceção rule-based simples para decorar. O que funciona na prática é ler a frase em voz alta e sentir se soa natural com o "de". Se soar truncado sem ele, mantenha. Se soar natural sem, ainda assim inclua o "de" em textos formais. A norma padrão é clara, e desviar dela só faz sentido quando você sabe exatamente o efeito que quer produzir.