Assim sendo ou sendo assim: o que você precisa saber
A questão é mais simples do que muita gente faz parecer, mas também mais chata do que a maioria quer admitir. Vou direto ao ponto porque já vi gente perder meia hora de reunião discutindo isso como se fosse uma diferença existencial.
Assim sendo ou sendo assim: a resposta curta
Ambas as formas estão corretas. Não tem segredo. O problema é que a maioria das pessoas cresce achando que existe uma regra absoluta, quando na verdade a gramática normativa brasileira aceita as duas construções sem distinção de valor. "Sendo assim" é a forma mais tradicional no português culto. O gerúndio "sendo" atua como verbo auxiliar numa construção perifrástica, e "assim" funciona como advérbio de modo. É a estrutura que os manuais de gramática costumam apresentar primeiro. Se você está escrevendo um documento formal, uma tese, uma petição jurídica, essa é a forma que vai encontrar em referências convencionais.
"Assim sendo" é a mesma coisa com a ordem dos elementos invertida. O advérbio vem antes do particípio/gerúndio. Também é perfeitamente válida do ponto de vista gramatical. Aparece em gramáticas de referência, em dicionários, e é amplamente usada em textos formais há décadas. O que acontece na prática é que muitas pessoas confundem isso com outras questões. Tem gente que julga "assim sendo" como erro por puro viés conservador, não por fundamentação linguística real. Eu já vi corretores retornarem textos inteiros só por causa dessa expressão, e não era a primeira vez.
A armadilha que ninguém menciona
O problema real não é escolher entre uma e outra. O problema é que ambas as formas podem soar mal se usadas de qualquer jeito, e aí sim você erra mesmo. O que geralmente gera rechazo é o uso repetitivo e desprovido de função conectiva clara. Eu tive um caso específico com um contrato de prestação de serviços onde o redator original usava "sendo assim" quatro vezes no mesmo parágrafo. Quatro. O revisor rejeitou o documento inteiro, não porque houvesse erro gramatical, mas porque soava como texto de segunda mão. A correção foi substituir as ocorrências por conectivos diferentes: "portanto", "logo", "desse modo", e em um caso simplesmente cortar a conjunção porque a lógica já estava implícita na frase anterior. Economizou três linhas e o texto ficou muito mais claro.
Esse é o tipo de detalhe que ninguém ensina em curso de redação. A gramática diz que ambas estão certas. A prática profissional diz que o excesso de uma delas pode destruir a qualidade do seu texto independentemente da correção formal.
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Quando cada uma soa melhor
Não existe uma regra rígida, mas observando o uso em textos de qualidade dá para notar alguns padrões. "Sendo assim" tende a aparecer mais em construções que abrem parágrafos ou introduzem conclusões diretas. "Assim sendo" aparece com frequência em meio a períodos mais complexos, onde a inversão ajuda a segurar o fluxo da informação. Isso não é norma. É tendência observada. Se você inverter, ninguém vai marcar erro. Só pode achar que você está improvisando.
Há também a questão registral. Em português de Portugal, "sendo assim" é sensivelmente mais frequente em textos formais do que "assim sendo". Não que a segunda seja rejeitada lá, mas o primeiro forma é a que os falantes nativos de PT-PT consideram padrão em registros elevados. Se você está tratando com leitores portugueses, essa diferença de preferência importa mais do que a correção gramatical em si.
O erro de verdade que as pessoas cometem
A maioria dos problemas reais não está na escolha entre as duas formas. Está em usar nenhuma delas quando deveria usar outra coisa, ou em usá-las como muleta para conectar ideias que na verdade não têm relação lógica. Eu vejo isso todo dia em documentos corporativos. Alguém escreve duas afirmações completamente desconexas e junta com "sendo assim" como se a segunda seguisse logicamente da primeira. A estrutura está correta. A argumentação não. Isso é mais comum do que gente achar, e é também mais difícil de corrigir porque não é um erro de linguagem, é um erro de raciocínio.
Outro erro frequente é tratar as duas formas como sinônimos absolutos de "portanto" e "logo". Elas não são exatamente a mesma coisa. "Sendo assim" e "assim sendo" carregam uma nuance de referência a uma situação já estabelecida. Elas remetem ao contexto anterior de forma mais explícita do que um simples "portanto". Se o contexto já não estiver definido, o conectivo fica flutuando sem apoio.
Dica prática que realmente funciona
Antes de usar qualquer uma das duas formas, verifique duas coisas: se o parágrafo ou período anterior realmente estabelece uma situação que justifica a conclusão, e se você não acabou de usar outro conectivo idêntico nos dois parágrafos anteriores. A repetição imediata é o que mais estraga o texto, não a escolha gramatical. Se você estiver duvidando, leia o trecho em voz alta. Se soar como algo que um advogado ou um técnico escreveria às pressas, troque por um sinônimo mais simples. Se soar natural e fluido, provavelmente está bom.
A diferença prática entre "assim sendo" e "sendo assim" para o dia a dia é praticamente nula. O que diferencia um texto bom de um texto ruim não é qual das duas você escolhe, mas se você está usando conectivos para esconder lacunas de raciocínio. A gramática não resolve isso. Só a revisão cuidadosa resolve.