Como identificar o uso correto de pronomes pessoais em questões de prova
Achei que isso era simples no início da minha carreira. Deu errado. Passei anos corrigindo redações e provas de concursos até entender que a maioria dos erros com prompessoais não vem da falta de conhecimento — vem da pressa em marcar a alternativa.
Assinale a alternativa que o pronome pessoal está empregado corretamente
Essa instrução aparece em praticamente toda prova de língua portuguesa no Brasil. O que a banca quer avaliar não é se você sabe o que é um pronome, mas se você consegue distinguir o uso coloquial do uso padrão em frases que foram construídas especialmente para confundir. A dica prática mais útil que tenho é essa: leia a frase toda antes de qualquer coisa, e preste atenção ao verbo que acompanha o pronome. É ali que mora o erro. Um exemplo clássico: "A mim fazer isso, seria preciso coragem." Esse tipo de construção aparece como alternativa plausível porque soa "formal". Soa certo pra quem ouve sem analisar a sintaxe. Mas "a mim fazer" é um gerúndio com sujeito na oblíqua, e o correto nessa estrutura seria "que eu fizesse" ou algo similar. A banca coloca essa armadilha porque muitos candidatos marcam pela "impressão" e não pela análise.
Outro caso frequente é a colocação do pronome oblíquo átono. Tem gente que acha que começar frase com "me" já é erro automático. Não é. Depende do regime verbal e das regras de atração. Se o verbo estiver no imperativo afirmativo, por exemplo, o pronome vem depois: "Faça-me favor". Se estiver no imperativo negativo, vem antes: "Não me faça favor". A confusão acontece quando a banca troca o modo verbal na mesma questão e você marca pela memória decorada em vez de analisar o verbo. Me lembro de uma prova em que a alternativa correta era "Ninguém o viu chegar", mas a maioria dos candidatos marcou "Ninguém viu-o chegar". O erro era de colocação pronominal. Com pronome indefinido como sujeito ("ninguém", "alguém", "todos"), o pronome átono deve vir depois do verbo quando não há fator de atração. A banca sabia que quem decorou a regra sem entender o porquê ia cair na pegadinha.
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Para resolver essas questões com mais segurança, o método que uso é o seguinte: identifique o pronome na alternativa, descubra a função sintática dele (objeto direto, objeto indireto, sujeito, complemento nominal), verifique se a regência do verbo permite essa função e, por último, confira a crase e a concordância. Se algum desses pontos não bater, descarta a alternativa. Parece trabalhoso, mas reduz o tempo de análise porque você não fica girando em círculos entre duas opções parecidas. Há também a questão dos pronomes relativos. "Cujo" é um dos que mais geram erro. A regra prática é simples e muitas vezes ignorada: "cujo" sempre representa posse e nunca pode vir seguido de artigo. "O autor cujo o livro" está errado. O correto é "O autor cujo livro". Esse erro aparece com frequência porque quem não domina a regência tende a inserir o artigo por analogia com outras estruturas.
Outro ponto que as bancas adoram explorar é a diferença entre "eu" e "mim" em funções sintáticas. "Mim" nunca pode ser sujeito. Frases como "Mim faz esse trabalho" são coloquiais e sempre erradas no padrão culto. Porém, a banca pode disfarçar colocando "a mim" em posições que exigem análise de regência, e aí o candidato se perde. A solução é perguntar: o pronome está fazendo função de sujeito ou de complemento? Se for sujeito, é "eu". Se for complemento, pode ser "mim". Há uma limitação importante nesse tipo de questão. Nem sempre a alternativa "correta" respeita o uso contemporâneo da língua. Algumas bancas cobram regras que estão em desuso ou que variam regionalmente. Nesse caso, o melhor é se manter estritamente ao manual normativo que a banca adota. Conheço candidatos que erraram porque aplicaram uma regra que tinham lido em gramáticas recentes, mas a banca ainda seguia a tradição da norma culta padrão. Verificar qual manual é referencial na edição anterior da prova é uma estratégia que evita surpresas.
Se você está se preparando para uma prova objetiva com esse tipo de questão, pratique com ao menos vinte itens de anos anteriores da mesma banca. O padrão deles tende a se repetir. Questões da FGV, da Cespe e da Vunesp têm abordagens bem diferentes. A FGV costuma cobrar a crase em contextos indiretos. A Cespe gosta de armadilhas com pronomes de tratamento. A Vunesp foca em regência verbal com pronomes oblíquos. Conhecer o perfil de cada uma economiza tempo e reduz o número de erros por insegurança.