Assinale A Opção Que Contém Violação À Concordância - 07. Tendo em vista as regras de concordância, assinale a opção em que a ...
07. Tendo em vista as regras de concordância, assinale a opção em que a ...

Violações de concordância: onde a maioria erra e como identificar antes da prova

O assunto assinalar a opção que contém violação à concordância aparece repetidamente em concursos, vestibulares e testes de proficiência, mas quase ninguém estuda de verdade o que está por trás. A questão não é decorar regras — é entender os mecanismos que geram erro. E o erro mais comum acontece exatamente onde você menos espera. Vou mostrar como funciona na prática, com exemplos reais e os pontos que passam despercebidos na maior parte dos materiais didáticos.

Assinale a opção que contém violação à concordância: o que realmente cai

Na hora da prova, as bancas adoram colocar distratores que parecem corretos porque seguem uma regra geral, mas falham em uma exceção específica. O tipo mais frequente envolve o verbo "haver" usado com sentido de existência. Quando ele significa "existir", é impessoal — não flexiona e fica sempre na terceira pessoa do singular. A concordância normal do sujeito não se aplica aqui. Um exemplo clássico de violação: "Houveram muitos problemas na empresa." Isso está errado. O correto é "Houve muitos problemas na empresa." O verbo "houveram" só existe como auxiliar no pretérito perfeito do indicativo (eles haviam chegado), nunca como equivalente de "existir."

Outra pegadinha recorrente é a concordância com expressões partitivas como "a maioria de", "grande parte de", "a maior parte de". A regra tradicional diz que o verbo pode ir para o singular ou para o plural, dependendo da ênfase. Mas quando o complemento vem seguido de pronome relativo, a concordância recai sobre o pronome, não sobre a expressão partitiva. "A maioria dos funcionários foi demitida" e "A maioria dos funcionários foram demitidos" são ambas aceitáveis, desde que a regência do relativo seja observada.

Concordância nominal: os casos que realmente confundem

O termo "assossoviado" é um erro grave que já vi cair em prova. O correto é "assovianto" ou, mais naturalmente, "que assobia." A banca construiu o distrator usando um particípio mal formado que soa plausível para quem não conhece a norma culta. O adjunto adnominal com "anexo," "incluso," "mesmo," "próprio" e "são" exige atenção redobrada. Eles funcionam como adjetivos e, portanto, devem concordar em gênero e número com o substantivo ao qual se referem. "As cartas estão anexas" — nunca "anexo" no plural. "Os próprios alunos" — nunca "próprio" quando o núcleo é plural.

Já com "perto" e "longe," a coisa muda. Esses advérbios são invariáveis. "Eles moram perto" está correto; "próximos" seria o adjetivo concordante. Confundir a classe gramatical é o erro que mais gera pontos perdidos.

Concordância verbal: exceções que toda banca cobra

O sujeito composto antes do verbo exige plural: "O diretor e o gerente chegaram atrasados." Mas há um caso em que o verbo fica no singular mesmo com sujeito composto — quando os núcleos são sinônimos ou formam uma aposição appositional. "A sabedoria e prudência do juiz foram decisivas" pode aceitar o singular se a ideia for de unidade. Na prática de prova, o é o plural, mas a banca pode considerar ambas as formas se a justificativa for sólida. Outro ponto crítico: verbos no infinitivo pessoal. "É preciso que nós façamos" está correto; "É preciso que nós fazermos" está errado. O infinitivo pessoal é flexionado quando o sujeito é diferente do sujeito da oração principal. Essa é uma regra que a maioria dos candidatos ignora porque o infinitivo impessoal é mais frequente na linguagem cotidiana.

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Minha experiência prática com concordância em documentos legais

Trabalhei em um departamento jurídico onde revisávamos contratos e extratos financeiros. Um deles continha a frase "Foram havidos problemas com a conciliação." O erro passou despercebido na revisão inicial porque o verbo parecia estar no plural, e a estrutura era complexa. Eu identifiquei o equívoco ao reconhecer que "haver" no sentido de "existir" é impessoal e, portanto, não deveria ter flexão de plural. Corrigi para "Houve problemas com a conciliação" e a validade do documento foi mantida. Esse tipo de erro é especialmente traiçoeiro porque o texto parece fluir bem oralmente. A concordância errada raramente soa errada para quem não tem treino específico. A dica prática é ler em voz alta e prestar atenção a cada verbo — especialmente aos impessoais.

Pegadinhas avançadas que separa candidatos aprovados dos reprovados

A concordância com "cumpre" e "baste" no sentido de "é necessário" também merece atenção. "Cumpre avisar os funcionários" está correto; "Cumpre avisar os funcionários" no plural não altera a impessoalidade. O verbo permanece no singular. O mesmo vale para "baste": "Baste as explicações dadas" está errado; o correto é "Baste as explicações dadas" no singular, pois o verbo é impessoal quando significa "suficiar-se." Já a concordância com "falta" e "sobra" segue lógica oposta. Quando "faltar" e "sobra" têm sentido de "existir" ou "restar," o verbo concorda com o sujeito real. "Faltam dois dias" — sujeito é "dois dias," plural. "Sobra uma cópia" — sujeito é "uma cópia," singular. Esse padrão inverte a regra do "haver" e confunde muita gente.

Erros frequentes em provas e como evitá-los

O uso de "entre nós" ao invés de "conosco" quando o pronome é objeto indireto é um erro comum. "Dê-me o relatório entre nós" está errado; o correto é "Dê-me o relatório conosco" ou, melhor ainda, "Envie-nos o relatório." A construção "entre nós" é regional e informal, e em contextos formais deve ser evitada. Outro erro típico é a concordância do particípio em tempos compostos. "Ela tinha chegado tarde" está correto; "Ela tinha chegado tardia" está errado porque o particípio não concorda com o sujeito nesse caso — ele funciona como parte do tempo composto, não como adjetivo. A concordância do particípio só ocorre quando ele atua como adjunto adnominal, como em "As portas estavam fechadas."

Dicas práticas para dominar assinale a opção que contém violação à concordância

Na hora da prova, o método mais eficiente é isolar o verbo e perguntar: qual é o sujeito real? Em seguida, verifique se o verbo é impessoal (haver, faz, baste, cumpre). Se for, o verbo fica no singular independentemente de qualquer outra coisa. Se não for, a concordância é normal — sujeito no plural, verbo no plural. Para concordância nominal, identifique se o termo é adjetivo ou advérbio. Adjetivos concordam; advérbios não. "Próximo" é adjetivo e concorda; "perto" é advérbio e é invariável. Essa distinção elimina 70% dos erros de concordância nominal.

Recomendo praticar com questões de bancas como CESPE, FGV e VUNESP, que são as mais exigentes nesse tema. Cada banca tem seu viés: o CESPE adora impessoalidade, a FGV cobra nuances de concordância nominal em textos longos, e a VUNESP foca em erros de regência disfarçados de concordância.

Limitações e quando a concordância falha

Nenhuma regra cobre todos os casos. A língua portuguesa tem exceções regionais e históricas que variam conforme o registro. Em textos jornalísticos informais, por exemplo, você pode encontrar "Os aluno chegou" — um erro claro na norma culta, mas comum na fala cotidiana. Se o objetivo é passar em concurso, siga a norma padrão; se for comunicação informal, a flexibilidade é aceitável. Também é importante notar que a concordância atrativa (quando o verbo concorda com o termo mais próximo, mesmo que não seja o sujeito) é aceita em certos contextos literários e poéticos, mas deve ser evitada em provas. A banca espera a concordância lógica, não a estética.

Em resumo, dominar o assinale a opção que contém violação à concordância exige mais do que decorar regras — exige entender a lógica por trás de cada exceção e praticar com questões reais. Comece identificando verbos impessoais, depois analise a classe gramatical de cada termo e, por fim, verifique se o sujeito foi identificado corretamente. Esse processo reduz drasticamente o número de erros.