Atividade A Cigarra Ea Formiga - Atividades A Cigarra Ea Formiga - REVOEDUCA
Atividades A Cigarra Ea Formiga - REVOEDUCA

O que é e como aplicar na prática

A atividade a cigarra e a formiga é uma proposta pedagógica clássica do ensino fundamental brasileiro, baseada no conto de Esopo amplamente adaptado por Monteiro Lobato em suas Histórias da Tia Nastácia. A ideia central é simples: usar a narrativa sobre uma cigarrha que canta durante o verão enquanto uma formiga trabalha estocando comida para o inverno, para discutir valores como planejamento, responsabilidade e solidariedade com crianças entre 6 e 10 anos.

Atividade a cigarra e a formiga: passo a passo prático

Você não precisa de materiais caros ou preparação complicada. O básico funciona assim: leia a história para a turma, proponha uma roda de conversa com perguntas abertas, e depois peça que os alunos produzam algo — seja um desenho, um texto coletivo, ou uma dramatização. Achei que era só isso durante anos, até perceber que a execução é onde a coisa desanda. O problema mais comum que eu encontrei pessoalmente foi com turmas de terceiro ano que literalmente ficavam bravas com a cigarra e pedia para "punir" a personagem nas atividades. Uma vez, uma aluna escreveu num texto que a formiga devia deixar a cigarra morrer de fome porque "foi preguiçosa". A discussão que se seguiu foi mais interessante do que qualquer gabarito pronto, e eu acabei abandonando a linha moralizante tradicional dali pra frente. Comecei a perguntar: "O que vocês fariam no lugar da formiga?" em vez de "Quem está certo?". A diferença é absurda no resultado.

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Se você quer um roteiro direto, aqui vai o que eu uso e recomendo: leitura compartilhada (10 minutos, de preferência com entonação diferente para cada personagem), rodada de perguntas (15 minutos, anote as respostas na lousa sem julgamento), produção textual (20 minutos, os alunos escrevem do ponto de vista da cigarra, da formiga ou de um terceiro personagem), e encerramento com síntese das ideias que surgiram, mostrando que a história permite mais de uma leitura. Tudo isso cabe em um único período de aula de 50 minutos. Um detalhe que poucos explicam: a versão de Monteiro Lobato é bem diferente do original grego. Na versão brasileira, a formiga é mais dura, quase cruel, e a cigarra pede socorro de forma mais desesperada. Isso muda completamente a interpretação. Se você usar apenas a versão resumida dos manuais didáticos, perde essa nuance e a discussão fica rasa. Procure sempre a versão completa, mesmo que tenha que digitalizar e imprimir você mesmo.

Há também uma armadilha timing. Aplicar essa atividade nos primeiros meses do ano letivo, antes de estabelecer rotina de sala, costuma gerar bagunça porque as crianças entram no jogo dramático e perdem o foco. Eu recomendo fazer entre o segundo e o terceiro mês, quando já existe alguma aderência às regras da turma. Funciona melhor em setembro e outubro, coincidindo com o início do verão no Brasil, o que dá um gancho concreto pra discutir estações do ano junto. Se o seu objetivo é apenas cumprir rubrica de planejamento anual, existem cadernos prontos com atividades prontas da CMO, SDP e outros editores. Se o objetivo é realmente trabalhar interpretação, empatia e produção textual, o roteiro que descrevi acima rende muito mais com metade do tempo de correção. A produção textual espontânea nesse tema costuma gerar textos de 8 a 12 linhas em alunos de terceiro ano, o que é bastante significativo para o nível.

Uma alternativa quando a sala é muito numerosa e você não consegue dar conta da roda de conversa individualizada: divida a turma em grupos de quatro, distribua papel carbono ou um flipchart por grupo, e peça que cada grupo escreva o final alternativo da história. Coleta-se todos os finais e lê-se três ou quatro em voz alta. Economiza tempo e mantém o engajamento, ainda que com menos profundidade na fala individual.