O que realmente é concordância verbal e nominal
A concordância verbal e nominal é um tópico que aparece em praticamente todo material didático de português, mas a forma como é ensinada costuma ser incompleta. Eu passei anos corrigindo exercícios de alunos e percebendo que a maioria dos erros não vêm da falta de memória — vêm de regras mal explicadas ou de exceções que nunca são mencionadas. O conceito central é simples: o verbo precisa concordar com o sujeito em número e pessoa, e o adjetivo (e outros elementos que caracterizam o substantivo) precisa concordar com o núcleo que modifica em gênero e número. Mas aí começa o problema. A prática mostra que existem situações onde a regra básica não se aplica da forma como foi ensinada.
Como eu resolvia o problema na correção de provas
Quando eu trabalhava com atividades de concordância, o erro mais frequente que eu via era o aluno concordar automaticamente com o sujeito após uma partícula apassivadora. Por exemplo, na frase "Vendem-se casas", muitos alunos identificavam "casas" como sujeito e concordavam o verbo no plural. O verbo "vendem-se" está mesmo no plural, mas o raciocínio por trás disso é diferente do que eles imaginam. O que acontece de fato é que, na voz passiva sintética com "se" partícula apassivadora, o verbo concord com o objeto direto que virou sujeito paciente. Isso funciona porque o "se" aqui não é pronome reflexivo — é um marcador de voz. A estrutura exige concordância vertical, não horizontal. Quando o aluno entende essa distinção, os erros caem drasticamente.
Atividade de concordancia verbal e nominal: exemplos práticos
Vou dar um exemplo concreto que eu usava nas minhas aulas. Pega a frase: "Fazem-se reformas na escola." O erro imediato é muita gente escrever "fazem-se" no plural achando que "reformas" é o sujeito. Na verdade, "faz" está no singular porque o sujeito é indeterminado — o "se" aqui é índice de indeterminação do sujeito, não partícula apassivadora. A diferença entre esses dois "se" é um dos pontos mais ignorados nos livros. Outro caso clássico é a concordância com coletivos. "O grupo de alunos chegou atrasado." Alguns materiais dizem que o verbo pode ir para o plural porque o núcleo é "grupo" mas o complemento é "alunos". A norma culta preferencialmente pede singular, mas na prática contemporânea o plural tem ganhado espaço quando o foco semântico está no complemento. Não existe consenso absoluto nessa questão.
Regras que você precisa memorizar (e que realmente funcionam)
A primeira regra é a mais básica e também a mais violada: sujeito composto antes do verbo pede verbo no plural. "O pai e a mãe chegaram cedo." Isso parece óbvio, mas o erro aparece quando há elementos entre o sujeito e o verbo, ou quando o sujeito composto é seguido de expressões restritivas. Já a concordância nominal é mais traiçoeira porque envolve mais categorias morfológicas. O adjetivo deve concordar com o substantivo que modifica. Mas e quando temos dois substantivos de gêneros diferentes? "A mesa e a cadeira nova." O adjetivo vai para o plural feminino porque ambos os núcleos são femininos. Se fosse "O livro e a revista nova", o adjetivo poderia ir para o plural masculino ou feminino — a norma culta tende ao masculino, mas o feminino também é aceito em contextos específicos.
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Uma dica prática: quando você tiver dúvida sobre concordância, isole o núcleo do sujeito e see se a concordância funciona normalmente. Se a frase ficou estranha, provavelmente há uma exceção ou uma estrutura especial envolvida.
Onde a gramática tradicional falha
A gramática normativa brasileira é bastante prescritiva em concordância, mas existem zonas cinzentas que os manuais ignoram. Por exemplo, a concordância com expressões partitivas como "a maioria de", "grande parte de", "a maior parte de". Formalmente, o verbo pode ir para o singular ("A maioria dos alunos chegou") ou para o plural ("A maioria dos alunos chegaram"), dependendo do grau de adesão à norma culta. Outro ponto problemático é a concordância com o verbo "haver" quando tem sentido de existir. "Havia muitos problemas." Alguns alunos tentam concordar no plural achando que "muitos problemas" é o sujeito. Na verdade, "haver" no sentido de existir é impessoal — não tem sujeito, e o verbo fica sempre no singular. Esse é um dos erros mais persistentes em provas e concursos.
Recomendação prática: em exercícios formais, siga a norma culta padrão. No uso cotidiano, a variação existe e muitas vezes não prejudica a comunicação. A escolha depende do contexto e do público-alvo.
Dicas para praticar atividade de concordancia verbal e nominal
A melhor forma de dominar concordância é praticar com frases reais, não apenas exercícios isolados. Tente identificar erros em textos jornalísticos, leituras literárias ou até mensagens formais do dia a dia. Quando você encontra um erro de concordância num texto autêntico, o aprendizado fica muito mais sólido do que quando se faz apenas exercícios de múltipla escolha. Um recurso útil é ler em voz alta frases complexas e percecer se soam naturais. Às vezes, o ouvido detecta problemas que a análise gramatical não captura imediatamente. Claro que o ouvido também pode enganar — por isso é importante combinar a intuição com a análise estrutural.
Não existe solução mágica. Concordância é uma questão de prática constante e exposição ao idioma em suas variedades mais formais. Os erros mais difíceis são justamente aqueles que envolvem exceções e casos limítrofes, e essas situações aparecem principalmente em textos mais elaborados ou em registros formais.