Como montar atividades da turma Mãe Eu Quero para educação infantil
A gente ouve bastante sobre atividade mamae eu quero educação infantil porque o canal brasileiro Mãe Eu Quero é um dos mais assistidos por crianças pequenas no país. As atividades derivadas dele são usadas em salas de leitura, creches e até em casa quando os pais querem algo que prende a atenção do miúdo. O problema é que muita gente copia e cola sem pensar no que está funcionando de verdade, e o resultado costuma ser folhinho colorido que não ensina nada.
atividade mamae eu quero educação infantil
Eu comecei a trabalhar com esses materiais porque minha sobrinha pequena ia muito à creche e a professora pedia atividades temáticas. Achei que era só imprimir e passar pra criança. Errado. O primeiro problema que encontrei foi com a faixa etária. A produção do Mãe Eu Quero atende bebês de 0 a 3 anos, mas a maior parte das atividades impressas que circula na internet é pensada para crianças de 4 a 6 anos. Misturar essas coisas gera frustração. A criança de 2 anos não vai segurar um lápis direito num caderno de traço refinado. Ela vai rabiscar e pronto, não adianta insistir. O que funcionou pra mim foi separar por competência, não por idade cronológica. Eu mapeei o que cada personagem do canal trabalha em termos educacionais: contagem, reconhecimento de cores, discriminação visual, coordenação motora fina. Aí eu cruzava com o nível da criança que tava na minha frente. Se era um aluno de 3 anos que ainda não segurava lápis com pinça, eu não passava atividade de contornar. Eu fazia rastreamento com dedo, Massinha, giz de cera grosso. O material impresso entra só depois que a criança mostra prontidão motora.
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Tem um detalhe que poucos mencionam: a trilha sonora. As atividades do Mãe Eu Quero são construídas em cima de canções. Se você apenas imprime uma folha com desenhos dos personagens e pede pra criança pintar, tá usando 90% do potencial pedagógico dali. O aprendizado vem da associação auditiva. Eu resolvia isso passando o vídeo original em loop baixinho enquanto a criança trabalhava. No primeiro mês eu achei que era luxo. Depois vi que as crianças que tinham acesso ao áudio acertavam muito mais exercícios de contagem e sequência do que as que recebiam só o material impresso. Quanto à parte prática mesmo: a maior parte dos recursos está disponível gratuitamente no site oficial do Mãe Eu Quero e também em repositórios educacionais como o Clube H e o Smelle Kids. Eu recomendo começar pelo site da própria marca porque os materiais são validados pela equipe pedagógica deles. Você baixa em PDF, imprime em papel A4, recorta e distribui. Custa entre 0,15 e 0,30 real por atividade impressa, dependendo da cor e do tipo de papel.
O lado ruim é que nem tudo é livre. Alguns conteúdos mais recentes têm restrição de uso comercial e pedagógico. Se você é professor de creche particular e quer usar as imagens em apostilas vendidas, precisa de autorização. Eu tentei uma vez e levei três semanas esperando resposta. Para uso em sala de aula regular, sem venda, a maioria dos criadores brasileiros tolera, mas é diferente de ser algo permitido oficialmente. Anote o link de onde baixou antes de imprimir, só pra ter prova se alguém questionar depois. Outro ponto cego: repetição excessiva. Eu vi sala de aula inteira usando só a turminha do Leão e da Coelha porque eram os personagens mais conhecidos. O problema é que crianças desenvolvem viés de familiaridade. Elas reconhecem o personagem mas não aprendem o conceito. Eu alternei os temas semanalmente e introduzi personagens secundários de propósito, mesmo que demorasse mais pra elas pegarem o ritmo. No final do bimestre, o desempenho nas avaliações de reconhecimento visual ficou mais homogêneo.
Se você não tem acesso à internet pra baixar os materiais, dá pra criar versões artesanais seguindo a mesma lógica: desenhar os contornos dos personagens num caderno, pedir pra criança colorir com lápis grosso, cantar a música correspondente. Não precisa ser perfeito. Precisa ter intencionalidade pedagógica. Um rabisco colado num papel com a música tocando no fundo vale mais do que uma folha laminada que a criança nem olha.