2021 03 22 17 38 01 49413645 Atributos Da Redacao Oficial II | PDF
O que realmente compõe um texto oficial bem-feito
A redação oficial brasileira segue normas do Manual de Redação da Presidência da República, mas na prática o que mais importa são os atributos da redação oficial aplicados com coerência. Os atributos fundamentais são: impessoalidade, clareza, formalidade, concisão, compatibilidade entre registro e tipo de mensagem, terminologia adequada e uso da 3ª pessoa do singular ou plural, sem exceções desnecessárias.
atributos da redação oficial na prática
Quando você escreve um ofício ou uma portaria, o primeiro problema que aparece não é a gramática — é a escolha do tratamento. A maioria dos redatores iniciantes erra ao aplicar "Vossa Senhoria" em documentos que deveriam usar "O Senhor" ou "A Senhora". A diferença não é estética, é normativa. O manual é claro: "Vossa Senhoria" vai apenas em endereçamento a autoridades externas; dentro do próprio órgão, usa-se o tratamento adequado ao cargo, nunca a sigla de tratamento.
Um caso real que eu vi acontecer com frequência diz respeito a despachos internos. Um secretário escreveu um memorando endereçado a um servidor usando "Prezado Senhor" no corpo do texto. O setor jurídico devolveu porque a forma correta seria apenas o nome do cargo seguido do tratamento padrão, como "Ao Senhor Diretor". Erros assim custam tempo — eu já vi um documento levar quatro dias em tramitação só por ajuste de tratamento.
A impessoalidade merece atenção separada. Ela não significa ser frio ou vago. Significa evitar pronome de 1ª pessoa e eliminar juízos de valor. Frases como "consideramos necessário" podem permanecer quando o sujeito for o órgão, mas "acreditamos que é urgente" não cabe em texto oficial. A diferença é sutil e quem não está acostumado passa despercebido.
Outro ponto onde os atributos da redação oficial costumar causar transtorno é a economia da linguagem. Concisão não é sinônimo de truncamento. Você pode dizer a mesma coisa com menos palavras sem cortar artigos ou preposições essenciais. Por exemplo, em vez de "vimos por meio deste comunicar a Vossa Senhoria", basta "comunicamos a Vossa Senhoria". O resultado é o mesmo, o tempo de leitura cai, e o documento fica mais direto.
A formalidade exige vocabulário técnico quando o assunto pede, mas isso não justifica latinismos forçados. "Endereçar" existe, mas "dirigir-se a" funciona igualmente e soa mais natural em muitos contextos. A recomendação do manual é simples: usar a norma culta padrão, com preferência pelo termo mais comum quando houver sinônimos.
Limitações e situações onde os atributos não bastam
Há cenários em que seguir os atributos da redação oficial à risca gera problemas. O principal deles é a perda de clareza quando o texto tenta ser excessivamente impessoal. Circularidades como "faz-se saber" ou "fica determinado que" podem tornar a mensagem ambígua, especialmente em portarias que precisam especificar prazos e responsabilidades. Nesse caso, prefira a voz ativa com sujeito claro, mesmo que implique usar "o Ministério" ou "a Secretaria" como agente — isso é permitido e recomendado.
Outro ponto fraco: os atributos não cobrem adequadamente textos dirigidos ao cidadão comum. Ofícios com linguagem excessivamente técnica afastam o destinatário em vez de informar. A solução que eu adotei em certos casos foi incluir um parágrafo introdutório em linguagem acessível antes de entrar nos detalhes normativos, mantendo a impessoalidade e a formalidade no restante.
A formatação também entra na conta. Cabeçalho, numeração, local e data, fecho, assinatura — tudo isso faz parte do conjunto. Um documento com conteúdo perfeito mas layout inadequado é rejeitado ou retardado. O manual estabelece padrões de fonte (normalmente Times New Roman 12 ou Arial 11), espaçamento 1,5 e margens específicas. Não é burocracia vazia: padronização permite identificação rápida e arquivamento eficiente.
Como aplicar os atributos sem perder tempo
O processo mais eficiente que encontrei leva cerca de 30 minutos para um ofício padrão, desde que você tenha um modelo aprovado do seu órgão. Comece preenchendo os campos fixos — cabeçalho, número, destino — depois redija o corpo em uma única versão, revisando apenas coesão e regência. Use ferramentas de verificação ortográfica, mas não confie cegamente: o corrector não identifica erro de tratamento nem impessoalidade mal aplicada.
Se o documento for particularmente complexo, como um decreto ou resolução, divida a redação em partes: primeiro os dispositivos normativos, depois os artigos, por fim as disposições transitórias. Isso isola erros e facilita a revisão cruzada entre setores jurídicos e técnicos. Na minha experiência, esse método reduz a média de voltas de revisão de quatro para duas.
Existem manuais disponíveis gratuitamente online, como o da Controladoria-Geral da União e o da Presidência da República. Recomendo ter o PDF impresso ou aberto durante a escrita, pois a consulta rápida a uma regra específica economiza mais tempo do que decorar todas as normas.