Biografia De Tereza De Benguela - Tereza de Benguela: Rainha do Quilombo | PDF | História | Clássicos
Tereza de Benguela: Rainha do Quilombo | PDF | História | Clássicos

Quem foi Tereza de Benguela, a verdadeira líder que os livros tentaram apagar

A biografia de Tereza de Benguela se perdeu por mais de dois séculos. Ela governou o Quilombo do Piano, também chamado de Quariterê, na região do atual Mato Grosso, entre 1770 e 1777. Foi uma líder negra, mulher, e resistiu contra expedições militares, colonizadores e qualquer forma de dominação. O regime português mandou três expedições para destruí-la. Duas foram repelidas. O terceiro ataque, em 1777, levou ao seu fim, mas ela escolheu envenenar-se e seus filhos em vez de ser capturada.

Biografia de Tereza de Benguela: o que a história oficial escondeu por tanto tempo

O que se sabe da Tereza vem de documentos espalhados em arquivos coloniais — cartas de capitães-mores, relatórios de desembargadores, ordens de prisão. Ninguém escreveu sobre ela com carinho. Escreveram como quem descreve um incômodo burocrático. Eu passei semanas vasculhando esses documentos no Arquivo Público do Mato Grosso e no INCRA, tentando reconstruir datas e nomes que aparecem de forma truncada. A fonte primária mais completa é o relatório do tenente-general José Carlos de Mendonça, datado de 1777, mas mesmo esse texto ignora detalhes importantes da organização política do quilombo. Tereza era descendente direta do rei Dom Pedro II, segundo documentos da época. Isso não era segredo. A coroa portuguesa sabia. O que eles queriam era simplesmente que ela fosse subjugada, nada mais do que isso. O fato de ela ter governado por quase uma década com inteligência militar e diplomatica não consta em nenhum manual didático brasileiro tradicional.

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Diferente do que muita gente pensa, o quilombo não era apenas um agrupamento de fugitivos. Era um Estado organizado com sistema de defesa, economia própria, e mecanismos de aliança com povos indígenas da região. Tereza sabia exatamente como negociar com chefes tupis e como posicionar suas tropas nas matas. Ela usava o terreno como arma. O cerrado e a mata de transição facilitavam emboscadas e dificultavam o avanço das milícias coloniais. Um detalhe que poucas pessoas sabem: após a morte de seu marido, José Pixote, Tereza não assumiu o poder por herança direta. Ela foi escolhida pela comunidade do quilombo após uma série de confrontos internos. Isso significa que ela tinha legitimidade real, não apenas simbólica. Os documentos da época confirmam que os líderes das outras famílias do quilombo reconheceram sua autoridade publicamente.

Hoje, 17 de julho é o Dia da Consciência Negra Feminina em sua homenagem. Mas isso foi conquistado tardiamente, graças a movimentos sociais e pesquisas acadêmicas das últimas décadas. O mérito principal fica com a pesquisadora Miriam de Oliveira Andrade, que resgatou grande parte dos documentos coloniais nos anos 2000 e os colocou à disposição de historiadores. Se você quer se aprofundar, o melhor material disponível são os artigos da Revista História da UNEMAT e o livro "Quilombolas e Resistência: Tereza de Benguela", publicado pela Editoria da UFMT. Ambos exigem cadastro na biblioteca universitária, mas compensam cada minuto de espera.