Ensinar can e can't para brasileiros
A maioria dos alunos brasileiros trava no momento em que você escreve "can" no quadro. Não é falta de inteligência. É porque em português não existe um verbo que funciona exatamente assim. Eles vão tentar traduzir palavra por palavra e vão empacar em "ele pode?" virando "ele pod?". Aí você tem que explicar que can é diferente de poder.
can e can't exercícios práticos
Eu monto exercícios nessa ordem: primeiro o afirmativo, depois a negativa, e só aí a interrogativa. A maioria dos materiais didáticos segue uma lógica diferente e os alunos se perdem. Começar pela negativa ajuda porque o "not" é visível. Eles entendem a estrutura antes de lidar com a inversão do verbo. Um problema comum que eu vejo todo semestre é quando o aluno usa "cannot" junto com auxiliares. Tipo "he cannot to swim" ou "she cannot singing". Eu parei de corrigir isso com régua. Agora eu peço pra eles gravarem a si mesmos dizendo a frase errada e depois a certa. A diferença sonora parece fazer mais efeito do que qualquer explicação gramatical.
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O outro erro crônico é a confusão entre can e must. Aluno escreve "you can go now" quando quer dizer "you must go now". A tradução literal não ajuda porque "poder" e "dever" são verbos diferentes em português mas o aluno não faz essa distinção na cabeça dele. Eu resolvo isso com frases do cotidiano da turma. Mostro imagens de placas e pergunto se é obrigação ou possibilidade. Funciona melhor do que regras de moda. Para exercícios de fixação, eu uso uma técnica simples: dou uma lista de cinquenta frases em português e peço pra traduzirem usando apenas can e can't. A maioria errou nas primeiras quinze porque tentou conjugar. Depois de corrigir juntos, eles pegam o padrão. Em meia aula já fazem trinta e cinco certo. O resto são erros de digitação ou preposição.
O download dos exercícios que eu uso está num repositório público. Eu atualizo todo ano porque os temas ficam desatualizados rápido. Se o aluno tiver acesso a internet limitada, eu imprimo em A4 simples sem cola. Nada de material laminado ou caderno especial. Isso cria barreira desnecessária. Limitações: esse método não funciona bem com alunos que já tiveram contato prévio com inglês de forma irregular. Eles trazem vícios que precisam ser desmontados antes. Nesses casos, eu recomendo começar com um teste diagnóstico e só depois aplicar os exercícios de can e can't. Pular essa etapa gera frustração em ambos os lados.
Outra coisa: o uso de "could" como passado de can costuma ser ensinado junto e isso confunde. Eu separo. Ensino can/can't primeiro. Depois, numa semana diferente, entro com could. Misturar os dois no mesmo bloco é pedir para o aluno não aprender nada direito.