Como classificar a tonicidade das palavras em português
A primeira coisa que você precisa fazer é separar a palavra em sílabas. Não adianta tentar adivinhar pela escrita, porque o português brasileiro tem vogações que enganam muito. Segura a palavra com calma, fala devagar e divide.
canguru é oxitona paroxitona ou proparoxitona
Vamos ao caso prático. Canguru. Can-gu-ru. Três sílabas. A sílaba forte, a que você dá mais força ao falar naturalmente, é a última: ru. Palavra cuja sílaba tônica é a última? Oxitona. Pronto. Canguru é oxítona. Isso parece óbvio, mas a questão é que muita gente trava na hora de identificar qual sílaba é tônica, especialmente com palavras estrangeiras que foram adaptadas. A grafia nem sempre ajuda. Às vezes a crase ou o acento indicam, às vezes não indicam nada.
Uma regra prática que eu uso no dia a dia e que funciona na maior parte dos casos é esta: fale a palavra normalmente, num contexto natural, e perceba qual sílaba "salta" mais. Não force. Não fale de jeito artificial. Se você disser "eu comprei um canguru na vitrine", a sílaba tônica fica clara só pelo ritmo natural da fala. Agora, existem armadilhas. Por exemplo, palavras como "uréter" ou "ávidos" têm o acento gráfico na primeira sílaba, o que leva muita gente a chamar de proparoxítonas, mas a tonicidade real pode variar conforme a região e o registro. Em variedades mais cultas, "uréter" tende a ser oxítona, não proparoxítona, apesar do acento. O acento gráfico obedece a regras ortográficas, não necessariamente à tonicidade que ouvimos na fala cotidiana.
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O mesmo vale para verbos no imperativo afirmativo, como "faze" (de fazer), que em algumas regiões soa como oxítona, embora a norma culta preserve a pronúncia como "fázi", mantendo o caráter paroxítono. A diferença entre a fala coloquial e a norma padrão é onde mora o problema real. Para fins de prova, concurso ou redação, o caminho seguro é sempre consultar o dicionário. O Priberam, o Michaelis e o Aurélio indicam a sílaba tônica com um apóstrofo ou marcação fonética. Se você está na dúvida entre "ônibus" e "tênis", por exemplo, ambos são paroxítonas, mas a terminação em ditongo aberto ou a presença de s final gera confusão frequente. Nem toda palavra paroxítona leva acento gráfico. Só leva quando não termina em a, e, os, am, em, ps, ou i, is, u, us, us, etc.
Outro ponto que os materiais didáticos costumam passar reto: os ditongos abertos. Palavras como "herói", "jóia" e "coração" têm a sílaba tônica no ditongo, mas o acento aparece porque a norma exige marcação para diferenciá-las de possíveis paroxítonas. Sem o acento, "herois" seria lido de forma diferente. Isso não muda a classificação — herói continua sendo paroxítona —, mas explica por que o acento está ali. Na prática, se você precisa classificar palavras rapidamente, o fluxo é: separar sílabas > identificar a tônica > conferir a terminação > aplicar a regra de acentuação. Para canguru, o fluxo termina na primeira etapa praticamente. É oxítona, e por isso recebe acento gráfico no u, já que termina em ditongo aberto seguido de r.
Se você estiver lidando com um grande volume de palavras, como em revisão de texto ou elaboração de material didático, usar um dicionário confiável com busca de silabação economiza muito tempo em comparação com tentar decorar regras excepcionais. Eu costumo manter uma aba aberta com o dicionário do portal da Língua Portuguesa do governo federal. Ele mostra a separação silábica, a sílaba tônica e a classificação em uma única consulta. O tempo médio de resposta é quase instantâneo, e o índice de acerto é alto o suficiente para o uso profissional. O principal problema com essa abordagem manual é que a norma culta nem sempre reflete a pronúncia predominante em certas regiões. No Sul e no Sudeste, por exemplo, "marcenaria" pode soar como oxítona na fala informal, mas a norma a classifica como proparoxítona. Saber isso evita que você aplique a regra de acentuação de forma equivocada em textos formais.