Sobre grafia: casona ou cazona
O tema é mais restrito do que muita gente imagina. Não existe palavra consolidada em português com essa forma. "Casona" e "cazona" não constam no VOLP nem no Aurélio, no Houaiss ou na lista oficial do Acordo Ortográfico. Quando alguém pergunta isso, normalmente está se deparando com um dilema de ditado ou com uma expressão coloquial que variou conforme a região, sem que haja norma estabelecida. O que costuma causar confusão aqui é o som /z/ no início da sílaba, que em português brasileiro muitas vezes é representado por "s" entre vogais — tipo "casa" (pronunciado com /z/, mas grafado com "s"). Por outro lado, sufixos como "-zone" de origem italiana ou os formadores com "-z-" etimológico tendem a usar "z". Sem etimologia clara, a grafia vira palpite.
casona ou cazona: o que fazer quando não há norma
A abordagem prática é a seguinte: primeiro verificar dicionários. Se não consta, consultar a etimologia. Se não há etimologia rastreável, o caminho é tratar como variação dialetal sem registro padrão e, se for preciso escolher uma forma em texto formal, optar pela que melhor se encaixa no padrão morfofonológico da língua — ou simplesmente indicar que a forma não é padronizada. No meu caso, já me deparei com uma situação em que um autor regional insistia em usar "cazona" para se referir a algo que, em fontes históricas locais, aparecia grafado de maneiras diferentes em manuscritos do século XIX. O problema era que cada documento usava uma forma, e não havia critério para validar qual seria a "correta". A solução que funcionou foi citar as três variações encontradas nos arquivos e deixar claro que se tratava de variação gráfica, não de erro. Em trabalho editorial, isso economiza horas de discussão improdutiva.
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O que iniciantes costumam errar é assumir que, por existir som /z/, a grafia deveria inevitavelmente ser com "z". Isso não é regra. Português tem muitos casos de /z/ escrito com "s": "mesa", "peso", "mesmo". O inverso também acontece, mas é menos frequente. O raciocínio deve partir da forma atestada, não da fonética isolada. Outro ponto que as pessoas ignoram: a prova de que uma forma é ou não válida não é consenso informal. É registro. Google Ngram, corpus do CBC, Corpus do Português — se a forma aparece em textos editados de forma consistente, ela tem mais peso. Se aparece apenas em redes sociais e fóruns, o peso cai drasticamente. Eu já vi gente levar meses para "resolver" uma dúvida de grafia que, consultando o corpus, mostrava zero ocorrências em texto formal em vinte anos de publicação.
Se o seu objetivo é usar a forma em um texto que será publicado ou revisado, o aviso honesto é: sem registro dicionarístico, qualquer uma das duas opções poderá ser questionada. Nesse cenário, a alternativa mais segura é reformular a frase para evitar a palavra problemática, usar a forma com nota explicativa, ou consultar um especialista em variação linguística da região em questão. Tentar impor uma grafia sem fundamento costuma gerar mais problema do que resolve. Resumindo sem dramatização: "casona" e "cazona" não são formas padronizadas. A escolha entre elas, quando indispensável, deve basear-se em evidência textual concreta, não em intuição fonética. Se não há evidência, diga que não há norma estabelecida. Isso é mais honesto do que escolher uma ao acaso e actuar como se estivesse correcto.