Caught Between Two Stools - 33. Caught Between Two Stools | Idioms & Phrases | Ayman Sadiq & Sakib ...
33. Caught Between Two Stools | Idioms & Phrases | Ayman Sadiq & Sakib ...

Entendendo caught between two stools na prática

A expressão idiomática caught between two stools descreve uma situação em que alguém tenta se acomodar em duas posições ao mesmo tempo e acaba não conseguindo se sustentar em nenhuma delas. A imagem original vem do ato de tentar sentar-se em dois banquinhos de uma só vez — a pessoa cai no chão. No uso cotidiano, a expressão aparece com frequência em debates políticos, discussões corporativas e até em conversas informais quando alguém precisa escolher entre dois cursos de ação e tenta evitar a escolha. O resultado quase sempre é a insatisfação de ambos os lados.

caught between two stools: origem e variações

A frase tem registro desde o século XVI em inglês. Geoffrey Chaucer usou uma variação dela em The Canterbury Tales, por volta de 1390. A versão moderna consolidada apareceu em publicações do século XVII e desde então se mantém estável no vocabulário britânico, com pouca alteração de significado. Em português, as equivalentes mais próximas são estar em cima do muro, ficar entre dois balcões (uso regional no Sul do Brasil) e não fazer favor a ninguém. Nenhuma delas captura exatamente a mesma nuance de falhar em ambas as tentativas, mas aproximam-se do sentido geral.

Na França, dizem être entre deux chaises. Na Espanha, estar entre dos banquillos. O conceito é universal, o que indica que se trata de uma experiência humana recorrente, não de uma construção cultural isolada. Um ponto que poucas pessoas consideram: a expressão não se aplica apenas a indecisão. Ela descreve especificamente o resultado da indecisão — a queda. Alguém que hesita mas depois escolhe não está caught between two stools. Alguém que hesita e acaba desagradando a ambos os lados sim está.

Como identificar a situação no dia a dia

Vou dar um exemplo concreto que vi acontecer recentemente no meu trabalho. Tínhamos um projeto de migração de banco de dados onde a equipe de infraestrutura queria manter o PostgreSQL por questões de custo e a equipe de produto exigia MongoDB por flexibilidade de esquema. O gerente do projeto, sem decidir, propôs uma arquitetura híbrida com os dois bancos rodando em paralelo e sincronização bidirecional. Seis meses depois, estávamos com problemas de consistência de dados, latência alta e uma conta de infraestrutura que dobrara. Ninguém ficou satisfeito. A equipe de infraestrutura reclamava da complexidade desnecessária. A equipe de produto reclamava que ainda assim não tinha a agilidade que queria. Estávamos caught between two stools.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

O workaround que funcionou foi simples e nada elegante: paramos tudo, escolhemos um banco (foi o PostgreSQL, por votação técnica), e aceitamos que teríamos que reformular algumas funcionalidades que dependiam do esquema flexível. Levou três semanas de reconstrução, mas saiu do caos. A lição prática é que a expressão descreve um estado que tende a se auto-perpetuar. Quanto mais tempo se fica entre as duas opções, mais caro custa a decisão final. Cada semana de indecisão gera custo adicional em reuniões, documentação contraditória e retrabalho.

Sinais de que você está nessa situação

Existem indicadores comportamentais claros. Quando alguém diz vamos pensar em ambas as possibilidades sem nunca agendar uma data para decidir, isso é um sinal. Quando um documento de requisitos menciona duas tecnologias ou abordagens como alternativas viáveis sem uma recomendação clara, outro sinal. Quando as reuniões sobre o tema se repetem semanas a fio sem evolução na direção, o terceiro sinal. O síntoma mais perigoso é a ilusão de progresso. Reuniões acontecem, slides são produzidos, comitês são formados. Parece que algo está sendo feito. Na realidade, a decisão está sendo adiada e os custos de oportunidade estão se acumulando.

Alternativas e quando a expressão não se aplica

Nem toda situação de dupla opção é caught between two stools. Quando há critérios claros de decisão — orçamento, prazo, compatibilidade técnica, risco operacional — e apenas falta aplicar esses critérios, trata-se de uma decisão difícil, não de uma falha de posicionamento. A expressão se aplica especificamente quando o agente recusa explicitamente ou implicitamente a escolha e tenta Maintain uma posição intermediária que não existe na prática. Isso é diferente de fazer uma análise ponderada.

Uma alternativa comum que funciona na maioria dos casos é o que eu chamo de protocolo de decisão por eliminação: liste todos os critérios não negociáveis, descarte as opções que falham em qualquer um deles, e decida pelo que restar — mesmo que nenhuma opção seja ideal. Na maioria das vezes, sobra uma única alternativa após esse processo. Outro cenário onde a expressão não se aplica é em situações de ambidestria organizacional, conceito estudado por organizações que precisam operar com duas estruturas diferentes simultaneamente — uma para o negócio atual e outra para o negócio emergente. Nesse caso, manter as duas coisas separadas é intencional e requer investimento dedicado para cada vertente, não uma tentativa falha de agradar a todos.

O erro comum é confundir ambidestria com indecisão. A diferença está nos recursos alocados e na intenção. Se você está mantendo duas soluções porque realmente dedicou orçamento, pessoas e cronograma para cada uma, não está caught between two stools. Está fazendo inovação em dois fronts. Se está mantendo as duas soluções porque não conseguiu decidir e espera que uma delas se prove correta com o tempo, aí sim a expressão se aplica — e provavelmente vai cair no chão.