Cavalo É Herbívoro Carnívoro Ou Onívoro - Descubra se cavalo é herbívoro, carnívoro ou onívoro! | Petz
Descubra se cavalo é herbívoro, carnívoro ou onívoro! | Petz

Sobre a dieta dos cavalos

O cavalo é herbívoro. Isso é fato básico, mas a prática mostra que o assunto é mais fino do que a maioria das pessoas imagina. O sistema digestivo dele foi construído para processar fibras vegetais durante quase o dia todo. Eles não foram projetados para comer carne ou proteínas animais. Já vi gente tentando alimentar cavalo com ração de outro animal por engano e o bicho simplesmente recusava. Isso não é capricho, é biologia.

cavalo é herbívoro carnívoro ou onívoro

O trato digestivo do cavalo é típico de um herbívoro fermentador cecal. O estômago é pequeno em proporção ao corpo — cerca de oito a dez litros em um animal adulto de 500 kg. Isso significa que ele não pode fazer grandes refeições de uma vez. O ideal é que ele coma pouco e muitas vezes ao longo do dia. Quando o cavalo fica sem comida por período longo, o estômago continua produzindo ácido gástrico sem nada para amortecer, e isso pode levar a úlceras. Eu já vi vários casos assim, principalmente em cavalos que ficam muitos horas sozinhos no picadeiro sem acesso a feno. A solução mais direta é disponibilizar feno em quantidade suficiente para que o animal esteja sempre comendo algo, pelo menos oito horas por dia. O que come normalmente: capim, feno, algumas raízes e tubérculos, frutas como maçã e cenoura em pequenas quantidades. A aveia é comum na alimentação equina, mas deve ser usada com moderação porque é bem energética e desequilibrada se for a base da dieta. O problema é que muita gente acha que cavalo pode comer de tudo porque "é herbívoro". Não pode. Chocolate, abacate, folha de tomate, cebola, feijão cru — tudo isso é tóxico. Eu já perdi um cavalo para intoxicação por feijão cru porque o dono pensava que era seguro, afinal o animal era herbívoro. Aprendi da forma mais difícil que herbívoro não significa "pode comer qualquer planta". A digestão da fibra depende de microrganismos no ceco e no cólon. Se você mudar a dieta do cavalo bruscamente, esses microrganismos morrem ou são deslocados e o animal pode desenvolver cólica ou laminitis. A regra prática é fazer qualquer mudança alimentar ao longo de sete a dez dias, substituindo gradualmente o alimento antigo pelo novo. Não tem jeito mais rápido que funcione com segurança. Outro ponto que pouca gente leva a sério: a necessidade de sal. O suor do cavalo elimina bastante sódio e cloro, então o sal mineral deve estar sempre disponível. Eu sempre coloco um blocão de sal à disposicao no cocho e verifico se está sendo lido. Em cavalos que treinam muito, a demanda sobe e o blocão acaba mais rápido. Aí tem que repor. Um detalhe técnico importante que muita gente erra é a proporção entre volumoso e concentrado. O volumoso — feno ou capim — deve representar pelo menos cinquenta por cento da matéria seca da dieta diária. O concentrado entra como complemento, geralmente quando o animal tem gasto energético alto, como cavalo de trabalho ou competição. Se você inverter essa proporção e dar mais grão do que feno, o risco de problemas digestivos aumenta muito. Já vi estabilização com cavalo recebendo dois quilos de ração e pouco feno, e o resultado foi úlcera gástrica confirmada por endoscopia. Trocar a ração por feno de melhor qualidade e reduzir o concentrado resolveu o quadro em algumas semanas. A água também é parte crítica. Um cavalo adulto bebe entre trinta e cinquenta litros por dia, dependendo da temperatura e do nível de atividade. Água suja ou fria demais pode fazer o animal reduzir a ingestão, e isso piora o risco de cólica por impactação. Mantenha o bebedouro limpo e, no inverno, Use aquecedor se a água estiver congelando. Simples assim. Se você está começando com cavalos agora, a coisa mais importante não é comprar ração cara. É garantir volumoso de qualidade, sal à disposição, água limpa e acesso contínuo. O resto é ajuste fino conforme a rotina do animal.