O que são células endocervicais no exame de Papanicolau
Quando você olha o laudo do exame de Papanicolau e vê a frase "células endocervicais presentes", basicamente significa que o coletor conseguiu alcançar a parte correta do colo do útero na hora da coleta. Não é um resultado anormal. É um sinal de que a amostra foi bem recolhida e tem qualidade para ser analisada.O colo do útero tem duas áreas principais: a ectocérvice, que fica virada para a vagina, e o canal endocervical, que é o tubo por onde o muco passa. As células endocervicais vivem dentro desse canal. O exame precisa raspar ambas as regiões para ter chance de detectar alterações precoces. Se aparecer a menção de células endocervicais no laudo, o laboratório está confirmando que a amostra cobriu essa área.
células endocervicais presentes o que significa na prática
Na prática clínica, esse achado está relacionado ao sistema Bethesda, que é o padrão usado no Brasil e em vários países para classificar os resultados citopatológicos. Dentro dessa nomenclatura, a presença de células endocervicais é um dos critérios de adequidade da amostra. Um laudo considera a coleta adequada quando consegue visualizar tanto as células escamosas da superfície quanto pelo menos algumas células do canal endocervical. Sem essas últimas, o exame perde sensibilidade para certas lesões.Isso acontece porque o carcinoma cervicoutestino e as lesões precursoras, chamadas de LSIL e HSIL, muitas vezes começam na região de transformação, que fica próxima ao orifício endocervical. Se o coletor não alcança essa zona, pode passar algo despercebido. A presença de células endocervicais reduz esse risco, mas não elimina totalmente a possibilidade de erro de amostragem.
Como funciona a coleta e por que algumas mulheres recebem menos células endocervicais
A técnica padrão usa dois instrumentos. O cotonete de cerdas macias, ou escova endocervical, entra no canal e gira para recolher as células. Depois, a espátula de Ayre ou uma escova menor varre a ectocérvice. O ideal é fazer primeiro o canal, depois a superfície externa. Muita gente acha que basta passar a espátula, mas essa é uma das principais causas de amostra inadequada em consultórios menos frequentes com o procedimento.Por que às vezes as células endocervicais não aparecem mesmo com coleta feita corretamente
Existem situações em que o resultado sai sem células endocervicais mesmo quando o profissional fez tudo certo. A menopausa é um exemplo comum. Com a queda dos estrogênios, o epitélio do canal endocervical fica mais fino e atrófico, o que dificulta a aderência das células ao coletor. Mulheres que usam DIU de cobre também podem ter menos presença relativa no esfregaço porque o dispositivo provoca uma reação inflamatória local que altera a arquitetura celular. Gestantes frequentemente apresentam poucas células endocervicais porque o canal se dilata e o epitélio muda de aparência durante a gravidez.Outro fator é a posição anatômica. Algumas mulheres têm um canal endocervical mais longo ou angulado, o que impede que o instrumento alcance profundamente a região. Nesses casos, a coleta superficial pode capturar apenas a porção mais distal do canal, gerando um laudo com indicação de células endocervicais ausentes ou em quantidade insuficiente. Isso não quer dizer que há doença. Quer dizer que a amostra precisa ser repetida em outro momento, preferencialmente por um profissional com mais experiência em coleta citológica.
Um detalhe que quase todo mundo ignora: a diferença entre células endocervicais e células de reparo
Muitos laudos descrevem "células endocervicais" e "células de reparo" como sinônimos, mas não são a mesma coisa. As células de reparo aparecem quando há uma lesão prévia cicatrizando, seja por procedimento cirúrgico como cone ou LEEP, seja por inflamação recente. Elas podem confundir o citopatologista porque têm núcleos aumentados que, isoladamente, lembram alterações displásicas. A presença de células de reparo sem alterações atípicas associadas geralmente não representa risco, mas requer experiência para diferenciar de uma HSIL. Já as células endocervicais propriamente ditas são células glandulares normais do canal, com citoplasma abundante e núcleos pequenos e regulares.Quando a presença de células endocervicais pode indicar algo que exige acompanhamento
Em casos raros, o próprio laudo pode descrever células endocervicais atípicas, ou seja, com alterações morfológicas que não se encaixam claramente nem em benignidade nem em neoplasia. Isso gera a classificação de AGC, uma das categorias mais delicadas do sistema Bethesda. Quando isso acontece, o protocolo recomenda investigação complementar com colposcopia e, dependendo da idade e do perfil da paciente, biópsia dirigida ou curetagem endocervical. A chance de encontrar uma lesão subclinica significativa nesse cenário é maior do que em qualquer outra situação de alterações celulares indefinidas.👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!
Uma coisa que vi na minha prática e que vale a pena mencionar: recentemente atendi uma mulher de quarenta e dois anos em que o exame inicial mostrou células endocervicais presentes com alterações atípicas leves. A colposcopia revelou um pequeno.focus de adenocarcinoma in situ que não era visível a olho nu. O ponto é que a simples menção de "células endocervicais" no laudo, quando acompanhada de termos como "atípicas" ou "suspeitas", deve ser levada a sério e investigada sem demora. Não se trata de alarme, mas de seguir o fluxo recomendado pelas diretrizes brasileiras de prevenção do câncer do colo do útero.
O que fazer depois de ver essa informação no seu laudo
Se o resultado diz apenas "células endocervicais presentes" e não menciona nenhuma alteração celular, significa que a amostra foi adequada e não há evidências de doença no momento. Você continua com o intervalo de rastreio conforme a orientação do seu ginecologista, que no Brasil para mulheres entre vinte e cinco e sessenta e quatro anos costuma ser a cada três anos com cytology isolado ou a cada cinco anos com teste de HPV associado, dependendo da política local. Se a coleta foi classificada como inadequada por falta de células endocervicais, o médico provavelmente pedirá repetição da coleta em curto prazo, geralmente trinta dias após a menstruação ou logo após o término de qualquer sangramento, para evitar interferência do fluxo menstrual na interpretação.Resumo rápido para não perder tempo
Células endocervicais presentes = amostra adequada, sem alarme. A ausência dessas células pode exigir repetição da coleta, especialmente em mulheres pós-menopáusicas ou com alterações anatômicas. Alterações atípicas nessas células são raras mas merecem colposcopia. O restante do laudo é que define se há necessidade de qualquer tipo de tratamento ou acompanhamento adicional.