Células Epiteliais De Descamação Positivo - O Que é: Células Epiteliais De Descamação Positivo
O Que é: Células Epiteliais De Descamação Positivo

O que significa células epiteliais de descamação positivo no exame citológico

Ao receber um resultado de citologia com células epiteliais de descamação positivo, é importante entender o que isso significa na prática. O exame coleta células da região cervical e vaginal para análise microscópica. Quando o laudo indica positividade para células epiteliais de descamação, está sendo sinalizado que houve presença de alterações nas células retiradas da superfícieepitelial. Isso não é necessariamente grave, mas exige acompanhamento adequado.

Células epiteliais de descamação positivo: o que avaliar no laudo

Os laudos mais comuns vêm baseados no sistema Bethesda, que classifica as alterações em categorias como NILM (sem lesão intraepitel), LSIL (lesão baixo grau), HSIL (lesão alto grau) e outras. O termo "positivo" aparece quando alguma alteração é detectada. O que diferencia uma situação de outra é a qualidade da amostra, a presença de inflamação associada e os critérios citológicos observados pelo patologista ou cytopatologista. Na minha experiência, o primeiro erro que vejo é a confusão entre um resultado positivo por infecção e um resultado positivo por lesão pré-cancerosa. A vaginose bacteriana, por exemplo, pode desencadear alterações reativas nas células que imitam, visualmente, certas lesões. Isso acontece com frequência e gera ansiedade desnecessária se o paciente não for orientado corretamente. O laudo geralmente traz um parêntese informando se há inflamação significativa, que é um dado importante para o clínico.

A amostra também precisa ser avaliada quanto à sua adequação. Uma amostra insatisfatória para avaliação não deve ser ignorada. Se o laboratório informa que a amostra foi insuficiente, refazer o exame em três meses é a conduta padrão. Muitos pacientes não entendem isso e acham que um resultado "normal" significa que estão livres de problemas. Não é bem assim. A citologia tem limitações, especialmente em relação à sensibilidade, que varia entre 50 e 80 por cento dependendo de vários fatores.

Como funciona a coleta e o processamento da amostra

A coleta é feita com uma escova ou espátula na transição entre o colo do útero e a vagina. O material é espalhado em lâmina ou, em muitos laboratórios modernos, suspenso em solução preservante para o método líquido. A técnica líquida tende a reduzir a presença de sangue e muco, melhorando a qualidade da leitura. Esse detalhe é relevante porque amostras com sangue fresco obscurecem as células e dificultam a interpretação correta. Um problema real que encontrei várias vezes foi a coleta feita durante a menstruação. Sangue menstrual dilui as células e altera a morfogonia, gerando falsos positivos e aumentando a taxa de resultados insatisfatórios. Recomenda-se agendar a coleta entre o décimo e o vigésimo dia do ciclo menstrual para obter resultados mais confiáveis. Pacientes que não fazem esse controle acabam precisando repetir o exame sem necessidade.

O prazo para obtenção do resultado varia entre cinco e quinze dias úteis. Laboratórios com volume alto podem levar mais tempo, especialmente se houver necessidade de técnicas complementares como imunohistoquímica para detecção de HPV ou p16. Não custa perguntar ao laboratório se há serviço de citologia de colo uterino especializado. A experiência do leitor de lâminas impacta diretamente a qualidade do resultado.

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O que fazer quando o resultado é positivo

Se o resultado veio com LSIL, a conduta geral, segundo diretrizes como as do ASCCP, inclui colposcopia ou acompanhamento com teste de HPV em doze meses, dependendo da idade e do histórico do paciente. Em HSIL, a colposcopia é indicada de forma mais direta, muitas vezes com conduta mais agressiva. A biópsia dirigida pela colposcopia é o próximo passo padrão para confirmar o diagnóstico e decidir o tratamento. Uma coisa que poucos citam é que o teste de HPV co-testado junto com a citologia oferece informações adicionais importantes. Se o HPV de alto risco for positivo e a citologia também vier alterada, o risco de lesão grave é maior e o acompanhamento deve ser mais rigoroso. Já quando o HPV é negativo apesar da citologia com alteração leve, isso reduz significativamente a probabilidade de uma lesão avançada existir de fato.

Outro ponto prático: resultados positivos não significam câncer. A grande maioria das lesões detectadas precocemente por citologia são de grau baixo ou moderado e têm tratamento eficaz. O problema é o abandono do acompanhamento. Pacientes que recebem um resultado alterado e não retornam para a colposcopia ou para os exames de vigilância são aqueles em que lesões progressivas realmente se desenvolvem de forma silenciosa.

Erros comuns que comprometem o exame e como evitá-los

O uso de cremes vaginais, lubrificantes ou relações sexuais nas vinte e quatro horas anteriores à coleta pode alterar o resultado. Essas substâncias criam um fundo de detritos que encobre as células e gera artefatos. Alguns laboratórios solicitam que a paciente evite esses itens nos dias anteriores, mas muitos não informam sobre isso de forma clara. É uma falha de comunicação que gera amostras de má qualidade e a necessidade de repetição. Outro erro frequente está na interpretação de células glandulares. Quando o laudo menciona células glandulares atípicas, a conduta é diferente. Pode ser necessário repetir a coleta, fazer o teste de HPV, realizar ultrassonografia e, em alguns casos, proceder com curetagem endocervical ou até biópsia mais profunda. Esse cenário exige atenção imediata porque lesões glandulares podem estar mais ocultas e ser mais difíceis de detectar precocemente.

A citologia sozinha não substitui o teste de HPV como método de rastreio primário em mulheres acima de trinta anos, segundo diversas diretrizes atuais. Em muitas localidades, o teste de HPV já é a recomendação principal. Combinar os dois métodos aumenta a sensibilidade, mas também aumenta a taxa de chamados para procedimentos desnecessários. É um equilíbrio delicado que o profissional deve discutir com a paciente.

Limitações e cenários em que a citologia falha

A citologia tem uma taxa de falso negativo considerável. Lesões pequenas, mal posicionadas ou em áreas de difícil acesso podem não ser coletadas adequadamente. Além disso, lesões endocervicais e lesões em mulheres imunossuprimidas podem passar despercebidas. Nessas situações, a colposcopia com biópsia dirigida continua sendo o padrão-ouro para exclusão de doença grave. Algumas clínicas ainda usam citologia convencional em lâmina simples, que tem menor rendimento comparada ao método líquido. Se você tiver acesso, optar por laboratórios que utilizam preparo em meio líquido melhora a qualidade da amostra. A diferença está na redução de amostras insatisfatórias e na maior capacidade de detectar alterações sutis. O custo pode ser ligeiramente maior, mas o benefício clínico é reconhecido.

Outra limitação importante é a variação interobservador. Dois leitores podem interpretar a mesma lâmina de formas diferentes. Por isso, a segunda opinião e a revisão por citopatologistas experientes são fundamentais em casos limite. Se o resultado veio com dúvida ou terminologia como "atípico de significado indeterminado", pedir a revisão por um especialista é uma atitude razoável e frequente na prática. O acompanhamento pós-resultadodeve ser individualizado. Nem todo caso positivo requer procedimento imediato, e nem todo caso negativo garante imunidade permanente. A periodicidade dos exames depende da idade, do histórico sexual, da vacinação contra o HPV e dos resultados anteriores. Conversar com o ginecologista sobre o plano de vigilância é o passo mais importante após receber o laudo.