O que são orações subordinadas substantivas
Vou direto ao ponto. A classificação dessas orações depende de uma coisa: qual é o papel que elas desempenham dentro da oração principal. O primeiro passo é encontrar o verbo da matriz e ver se ele pede um complemento nominal ou não. Se o verbo for transitivo direto ou indireto, a oração seguinte pode ser objetiva direta ou objetiva indireta. Se houver um sujeito ou predicativo envolvido, aí entram as subjetivas e predicativas. A confusão começa quando você tem uma oração que parece depender de um nome, não de um verbo. Eu me deparei com isso numa análise sintática de um texto jurídico. Tinham uma construção em que o termo regente era um substantivo abstrato, "a necessidade", e a oração seguinte vinha introduzida por "de que". A tentação era marcar como completiva nominal, porque completava um nome. Mas o verbo que regia essa preposição, na verdade, já estava explícito na estrutura anterior: "exigia a necessidade". O "de que" pertencia ao verbo "exigir", que é transitivo indireto. Resultado: objetiva indireta. Eu perdi uns vinte minutos revisando isso porque a preposição estava mal analisada. A dica prática é sempre isolar o verbo principal e perguntar se ele existe de verdade, ou se é só um substantivo que está disfarçado.
Como classifique as oraçoes subordinadas substantivas
Essa é a pergunta que mais aparece em listas de exercícios. O método que funciona na prática é o seguinte: identifique a oração subordinada e pergunte o que ela completa. Se completa um verbo transitivo direto, é objetiva direta. Se completa um verbo que pede preposição, é objetiva indireta. Se ocupa a posição do sujeito, é subjetiva. Se completa um verbo de ligação e volta-se ao sujeito, é predicativa. Quando o termo regente é um nome (substantivo, adjetivo ou advérbio) e a oração completa esse nome, é completiva nominal. Aí entram as apositivas, que são aquelas que explicam ou desenvolvem algo já dito, geralmente depois de dois pontos ou entre vírgulas, e funcionam como um aposto desenvolvido. Um detalhe que muita gente erra: orações subjetivas não precisam obrigatoriamente começar com "que". Existem as subjetivas desenvolvidas, com "que" ou pronome relativo, e as subjetivas reduzidas de infinitivo. A diferença prática é que na reduzida o verbo está no infinitivo e não tem conjunction. Exemplo clássico: "É necessário terminar o trabalho." A oração "terminar o trabalho" é subjetiva reduzida de infinitivo. O sujeito lógico é "o trabalho", mas sintaticamente ele é sujeito da oração principal porque o verbo "é necessário" é impessoal. A pegadinha é que alguns manuais classificam isso como objetiva direta, mas não é. O verbo "necessitar" não está presente; o que há é uma locução adjetival com "necessário", que exige um sujeito, não um objeto.
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O problema das predicativas é que elas podem ser confundidas com objetivas indiretas. A regra prática: se o termo regente for verbo de ligação (ser, parecer, ficar, estar etc.) e a oração completa o sujeito, é predicativa. Se for verbo transitivo indireto (gostar, precisar, aspirar), é objetiva indireta. Eu vi aluno marcar predicativa em "Achei que ele estava certo", o que está errado porque "achar" é verbo transitivo direto, então deveria ser objetiva direta. A oração "que ele estava certo" funciona como objeto direto de "achei". Outro ponto que gera discussão: as apositivas. Elas aparecem quando uma oração desenvolve, esclarece ou resume uma ideia anterior. Geralmente vêm depois de dois pontos, vírgulas ou travessões. Exemplo: "Fez uma promessa: nunca mais mentiria." A oração subordinada é apositiva. Às vezes a conjunção "que" aparece, e aí tem gente que confunde com completiva nominal. A diferença é que na apositiva a oração tem valor de aposto, ou seja, explica algo já mencionado. Na completiva nominal, ela apenas completa um nome que precisava de um complemento. Se você puder substituir a oração por um pronome oblíquo (lhe, lo, nela), é completiva nominal. Se não der, provavelmente é apositiva.
Existe ainda a questão das orações substantivas subordinadas que funcionam como sujeito de verbos impessoais. Essas são sempre subjetivas, independentemente de terem "que" ou não. Verbos como "haver", "ser" (em expressões de tempo/fato), "parecer" (no sentido de existir) exigem sujeito, e a oração que vier depois é o sujeito. Por exemplo: "Havia pessoas que chegavam atrasadas." A oração "que chegavam atrasadas" é subjetiva desenvolvida. Pode-se testar transformando para o plural: "Haviam pessoas que chegavam atrasadas." Errado. O verbo "haver" no sentido de existir é impessoal, então o sujeito deve ficar no singular, o que confirma que a oração subordinada é o sujeito. Na prática de análise sintática, o tempo que se economiza usando esse método é considerável. Em vez de decorar todas as exceções, você segue o fluxo: identifica o núcleo da oração principal, verifica a regência, aplica a pergunta correta e chega à classificação em dois ou três passos. O erro mais comum que eu vejo é a ansiedade para marcar a resposta sem isolar primeiro a oração subordinada. Se você sublinhar a subordinada e a principal separadamente, a confusão diminui pela metade.
Quanto às fontes, a gramática tradicional de Bechara e a nova gramática portuguesa do Cunha e Cintra são referência, mas há divergências em casos limítrofes. Por exemplo, algumas gramáticas consideram a oração "de que ele precisa" como completiva nominal quando vem depois de "necessidade", enquanto outras classificam como objetiva indireta, dependendo da regência do verbo implícito. Na dúvida, a posição dominante é a de que, se o nome já carrega uma preposição fixa (como "necessidade de", "medo de"), a oração é completiva nominal. Se o nome não tiver preposição exigida, mas a oração vier com "que" introduzindo uma ideia explicativa, aí é apositiva. Se você estiver revisando para prova ou concurso, faça exercícios de identificação primeiro, depois de classificação. A sequência é mais eficiente. E evite usar mnemônicos muito criativos; eles costumam trazer mais confusão do que solução no final.