Reprodução de aranhas: o que realmente acontece
A grande maioria das aranhas se reproduz por via sexual, com macho e fêmea desempenhando papéis bem definidos. O processo começa com a produção de esperma pelo macho, que não é depositado diretamente na fêmea. Ele primeiro deposita o sêmen em uma teia especial chamada teça seminal, e então o transfere para estruturas chamadas pedipalpos, que funcionam como seringas miniature. O acasalamento em si é rápido. O macho insere um ou ambos os pedipalpos no epígino da fêmea, liberando o esperma. Depois disso, ele se afasta depressa, porque muitas fêmeas são canibais, e comer o parceiro durante ou logo após o ato não é exceção, é rotina para várias espécies.
Como as aranhas se reproduzem na prática
A fêmea fecundada fica carregando os espermatozoides em uma bolsa interna chamada espermateca até o momento certo. Ela pode armazenar esperma por semanas, meses ou até anos, dependendo da espécie. Quando os ovos estão prontos para ser postos, ela usa as glândulas sericígenas para fiar um saco de ovos, deposita os óvulos, e aí o esperma armazenado finalmente os fecunda. O saco de ovos varia enormemente entre espécies. Alguns são bolas fofas de seda, outros são camadas planas coladas em folhas, e algumas aranhas simplesmente carregam o saco pendurado nos quelíceros enquanto procuram um lugar seguro.
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Eu passei duas semanas tentando observar o ciclo completo de uma Pholcus phalangioides, aquela aranha de pernas compridas que todo mundo tem em banheiro. O problema foi que o saco de ovos demorou praticamente oito dias para ser fiado depois do acasalamento, e eu não fazia ideia se ela estava realmente fecundada ou apenas testando a seda. A solução foi montar um terrário menor e marcar com caneta tinteira o dia em que ela pela primeira vez começou a enrolar a teia seminal. A partir daí, a cronologia ficou clara: dois dias para coleta de esperma, quatro para formação do saco, e mais nove para a postura. Sem esse registro, eu teria confundido o comportamento de tecimento exploratório com produção real de ovos. Após a eclosão, o destino das filhotes depende bastante do grupo. Aranhas araneomorfas, que incluem a maior parte das espécies conhecidas, costumam ter juvênis dispersantes: eles sobem em fio de seda e voam com o vento, um comportamento chamado ballooning. Já as mygalomorphs, como as tarântulas, frequentemente ficam com a mãe por um tempo antes de sair sozinhas.
O período entre a postura e a eclosão também oscila muito. Em espécies de clima temperado, os ovos podem hibernar dentro do saco e só eclodir na primavera seguinte. Em climas tropicais, às vezes a eclosão acontece em menos de duas semanas. A taxa de mortalidade nos primeiros dias é brutal, na casa dos 80 a 90 por cento, então a estratégia geral das aranhas é produzir muitos ovos e torcer para que alguns sobrevivam. Existe também a questão dos dedos palpais rompidos. Durante o acasalamento, parte do palpo do macho pode se quebrar dentro da fêmea, formando um tampão copulatório. Isso impede que outros machos a fecundem, o que aumenta as chances do primeiro macho transmitir seus genes. Parece eficiente, mas o custo é que o macho perde aquela estrutura para sempre e não pode mais se reproduzir novamente na maioria das espécies.
Se você está criando aranhas em cativeiro e quer tentar reprodução, o conselho mais direto é: mantenha os sexos separados até ter certeza absoluta de que quer cruzá-los. Misturar macho e fêmea sem supervisão resulta em morte do macho em cerca de 40 por cento dos casos, e em espécies maiores o risco sobe ainda mais. O que funciona na prática é introduzir a fêmea na área de alimentação do macho, observar por alguns minutos, e retirar o macho assim que o contato palpal começar, independentemente do sucesso ou fracasso do procedimento.