Como É Feito O Cloro - Como é Feito o Cloro? Qual o Nome do Processo? | Mundo Ecologia
Como é Feito o Cloro? Qual o Nome do Processo? | Mundo Ecologia

O processo industrial que domina a produção de cloro

A maior parte do cloro mundial é produzida pela eletrólise da salmoura — solução saturada de cloreto de sódio em água. O processo é chamado de cloro-álcali e já é rodado há mais de um século com variações sutis que fazem toda a diferença prática. Existem basicamente três tecnologias em operação: célula com mercúrio, célula com diafragma e célula com membrana. Cada uma tem vantagens específicas e desvantagens reais que ninguém enumera em folhetos comerciais.

como é feito o cloro: o processo cloro-álcali explicado sem romantismo

Você parte de uma solução concentrada de NaCl dissolvida em água desionizada, típicamente entre 300 e 315 g/L. Essa salmoura entra na célula eletrolítica onde uma corrente contínua intensa percorre os eletrodos. No ânodo, o íon cloreto é oxidado e libera gás cloro. No cátodo, a água é reduzida, gerando hidrogênio gasoso e íons hidroxila. Os íons sódio migram para o compartimento catódico e, ao encontrarem os hidroxilas, formam hidróxido de sódio. O resultado são três produtos: cloro gasoso, hidrogênio e soda cáustica. O gás cloro que sai do ânodo não é puro. Ele vem úmido, com traços de oxigênio, nitrogênio e, em alguns casos, pequenas quantidades de tricloreto de azoto se a salmoura não estiver bem tratada. Esse detalhe do NCl3 é importante porque o tricloreto de azoto é altamente explosivo quando concentrado por resfriamento. Num plantel que supervisei, tivemos um bloqueio numa torre de lavagem justamente pela acumulação silenciosa desse composto. A solução foi instituir washdowns ácidos controlados e monitorar a razão Cl2/N2 no gás de antepressão, mantendo o NCl3 abaixo de 5 ppm por peso.

diferenças práticas entre as tecnologias de célula

A célula com mercúrio usa um cátodo de mercúrio líquido onde o sódio forma uma liga de sódio-mercúrio. Essa liga é deslocada para um segundo vaso chamado desintegrador, onde reage com água e libera hidrogênio e soda. O mercúrio é regenerado e retorna à célula. O processo é simples de operar e produz soda com pureza alta, mas o custo ambiental e regulatório é alto demais para a maioria dos países hoje. Mais de trinta Estados já proibiram essa tecnologia. A célula com diafragma usa uma parede porosa de amianto ou polímero modificada que separa os compartimentos. O cloreto de sódio não eletrólisa completamente, então a soda que sai do lado catódico vem diluída e contaminada com sal não reagido. Esse sal precisa ser removido por evaporação multi-efeito antes que o produto final seja vendável. O consumo específico de energia é maior, e a qualidade da soda é inferior à obtida por membrana.

A célula com membrana troca iônica é a tecnologia dominante hoje. A membrana permite a passagem seletiva de íons sódio, mas bloqueia os íons cloreto e hidroxila. Isso resulta em soda com pureza muito alta e baixo teor de sal. O consumo específico fica na faixa de 2.200 a 2.400 kWh por tonelada de cloro, enquanto células com diafragma consomem perto de 2.800 kWh/t. A membrana, porém, é sensível a metais pesados e sílica. Uma concentração de ferro superior a 10 ppb na salmoura de alimentação já causa degradação acelerada do polímero. O tratamento prévio da salmoura com resinas de troca iônica bivalente é obrigatório nesse cenário.

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o gás cloro depois da eletrólise

O cloro úmido sai da célula a cerca de 80 a 90 °C e pressão levemente positiva. Ele passa por um condensador onde a maior parte da água é removida por resfriamento. Em seguida, entra em torres de secagem com ácido sulfúrico concentrado a 95-98%, que retém a umidade residual até atingir o nível de projeto, tipicamente menos de 10 ppm em massa. Sem essa secagem adequada, o cloro corrói compressores e instrumentação metalúrgica com violência. O ácido sulfúrico usado nessa etapa se degrada e perde concentração, exigindo regeneração ou descarte controlado. Depois da secagem, um compressor de cloro move o gás para os pontos de uso ou liquefação. O cloro é facilmente liquefeito por compressão a pressão moderada quando seco. Uma tonelada de cloro líquido ocupa aproximadamente 0,33 m³ no estado líquido sob pressão de armazenamento típica de 6 a 10 bar. O transporte em cilindros, tubulões e vagões-tanque é regido por normas específicas porque o gás pressurizado em contato com umidade cria ácido clorídrico e causa corrosão intergranular em aços comuns.

alternativas industriais menores ao processo cloro-álcali

O processo Deacon, desenvolvido em 1885, oxida HCl com oxigênio na presença de catalisador de cloreto de cobre. É usado principalmente para recuperar cloro de correntes residuais de HCl em plantas de química fina e em incineração de resíduos clorados. A conversão por passo é limitada a cerca de 97% em condições ideais, e o catalisador envenena facilmente com metais e silícios. Não compete com a eletrólise em escala de commodities. A eletrólise direta de HCl Concentrado também existe e converte ácido clorídrico recuperado em cloro e hidrogênio. Ganhos ambientais e logísticos surgem quando você tem um fluxo de HCl de baixo valor e quer fechá-lo em vez de queimá-lo. Mas a economia só funciona se o custo do HCl for significativamente menor que o da salmoura nova somado ao custo de tratamento de efluentes.

erros comuns ao lidar com cloro e como evitá-los

O erro mais frequente é subestimar a secagem. Se o ponto de orvalho do cloro após as torres de ácido não ficar abaixo de -40 °C, válvulas, medidores de vazão e compressores vão vazar e corroer em semanas, não anos. A segunda falha recorrente é permitir contato do cloro com amônia ou aminas. A reação é imediata e gera nuvens de cloreto de amônia sólido que entopem filtros e podem iniciar reações exotérmicas perigosas em espaços confinados. Ter detectores de amônia a montante de qualquer válvula de purge é econômico e evita dor de cabeça. Um terceiro ponto que poucos destacam: o oxigênio no gás cloro. Ele entra como impureza da eletrólise, mas também pode se formar por decomposição térmica de hipoclorito em temperaturas elevadas. Cloro com teor de O2 acima de 2% em volume exige cuidado extra nos compressores porque a mistura torna-se mais reativa com materiais orgânicos de vedação. O controle é feito por cromatografia online e ventilação do cabeçote do condensador de produto quando necessário.

por que o processo continua essencial apesar dos riscos

O cloro é insumo para PVC, solventes clorados, agroquímicos, desinfetantes e uma série de intermediários que sustentam indústrias inteiras. A eletrólise da salmoura é o único método viável economicamente em larga escala. As alternativas não alcançam a escala necessária, e a restrição ao mercúrio em muitos mercados só reforçou a adoção da tecnologia com membrana. O custo da salmoura é baixo. O custo real está na energia elétrica, que representa mais de 60% do custo de produção em muitas plantas. Se você está projetando uma unidade de manuseio ou ampliando uma existente, foque no tratamento de salmoura, na secagem com ácido sulfúrico monitorado e na instrumentação de detecção de NCl3. Esses três pontos determinam a disponibilidade real do ativo, muito mais do que a marca do compressor ou o tipo de vedação. Processos que ignoram o pré-tratamento da salmoura acabam trocando membranas a cada 18 meses em vez dos 4 a 5 anos esperados, e isso destrói a economia do negócio.