A sílabação em português é mais simples do que muita gente pensa
A divisão silábica de "guitarra" segue uma regra direta de encontros consonantais. A palavra se divide em três sílabas: gui-tar-ra. O ponto de separação fica antes e depois do "t" e do primeiro "r", porque em português cada consoante solitária ou grupo de consoantes pertence à sílaba seguinte quando não formam ditongos ou hiatos específicos.
como separa a palavra guitarra de forma correta
Aqui está o procedimento prático. Você identifica os núcleos vocálicos — que são os sons que sustentam cada sílaba. Em "guitarra", os núcleos são os "i", o primeiro "a" e o segundo "a". Entre eles estão os consonantões que precisam ser distribuídos. O "gu" faz parte da primeira sílaba porque o "u" é parte do dígrafo "gui" (som de g dura antes de i). O "t" vai com a segunda sílaba, e os dois "r" se separam porque formam um hiato consonantal — cada um pertence a uma sílaba diferente. Resultado: gui | tar | ra. Um erro comum que eu vejo todo dia em revisão de textos é as pessoas tentarem separar como "gui-ta-r-ra" ou "gu-i-tar-ra". Isso não é aceitável na norma padrão. O "u" depois do "g" em "gui" não é vogal independente, é parte do som da consoante. Quando o "u" é semivogal e não pronunciado separadamente, ele se liga à consoante anterior. Se fosse "guita" com "u" tônico e aberto, aí sim seria "gi-ta" — mas em "guitarra" o "i" é que carrega a sílaba, não o "u".
Também é válido usar a regra de que letras duplas como "rr" nunca ficam juntas na mesma sílaba. Isso vale para "cc", "ss", "nn", "mm" e "ff" também. Se você encontrar "carro", divide-se "car-ro". Se encontrar "pássaro", divide-se "pás-sa-ro". Os "rr" sempre se separam, e o mesmo vale para os outros casos de consoantes duplicadas.
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Por que a gente erra tanto nessa divisão
O problema principal é que o português escrito não reflete perfeitamente a fonologia. A palavra "guitarra" tem seis letras mas apenas três sons vocálicos distintos, e isso gera confusão na hora de pontuar. Na fala, a pronúncia real de "guitarra" em muitos sotaques brasileiros aproxima-se de algo como "gui-dra" ou até "guilha", com o "t" suavizado. Mas na norma culta escrita, a separação silábica obedece à grafia, não à pronúncia coloquial. Na prática, quando eu reviso artigos técnicos ou materiais didáticos, o problema mais frequente aparece com palavras como "aguardente" — que muitos separam errado como "a-guar-den-te" em vez de "a-guar-den-te". A divisão correta ignora o "r" duplo e trata o encontro consonantal de forma diferente. Isso mostra que o entendimento das regras é mais importante do que tentar adivinhar pelo ouvido.
Regras úteis que realmente funcionam
Encontro consonantal no início: quando duas consoantes aparecem entre vogais e formam um grupo que não é proibido no português (como "tr", "pr", "bl"), elas ficam juntas na sílaba seguinte. "Prato" vira "prat-o". "Braço" vira "bra-ço". "Guitarra" não tem esse caso porque os "r" são duplicados, então se separam. Hiatos: quando duas vogais aparecem juntas mas pertencem a sílabas diferentes, cada uma vira um núcleo silábico separado. "Sa-úde". "Lu-ís". Em "guitarra" não temos hiato vocálico, só o hiato consonantal dos "rr".
Dígrafos: combinações como "lh", "nh", "rr", "ss", "ch", "qu", "gu" tratam-se como uma unidade fonológica. "Umbre-lha". "Ca-mi-nho". "Car-ro". "Pa-pél". O "qu" de "aquele" vai com o "a" anterior: "a-que-le". O "gu" de "linguista" também: "lin-guis-ta". A maioria dessas regras se aplica de forma automática após algum treino. Eu costumo indicar que praticar com dez palavras por dia durante uma semana resolve 90% dos erros que as pessoas cometem no dia a dia. A exceção ficam os casos irregulares como "extraordinário" — que alguns dividem como "ex-tra-or-di-ná-ri-o" mas a forma padrão aceita varia conforme o dicionário de referência. Para fins práticos de digitação e separação em finais de linha, a forma mais segura é consultar o Aurélio ou o Michaelis, que costumam concordar na grande maioria dos casos.