Como Terminou A Sabinada - Sabinada: Resumo da Revolução na Bahia
Sabinada: Resumo da Revolução na Bahia

A revolta que durou onze meses na Bahia

A Sabinada foi uma das várias rebeliões provinciais do Período Regencial, e a maioria dos livros didáticos resume ela em duas linhas. A realidade é mais suja. Começou em 7 de novembro de 1837, liderada por Cipriano Barata, Nicolau Beaurepaire e José Marcos de Lisboa, com o objetivo de proclamar a República Bahiense enquanto D. Pedro II ainda era menor de idade. O nome vem justamente de Cipriano Barata, conhecido como "o Sabino". Ocuparam Salvador, prenderam autoridades imperiais e instituíram um governo provisório que duraria até a maioridade do imperador, que na época já estava se arrastando. O que muitas pessoas não percebem ao estudar como terminou a sabinada é que o desgaste não veio principalmente de batalhas campais. Vem de bloqueio, falta de mantimentos e divisão interna entre os próprios rebeldes. O governo central enviou forças navais e terrestres sob comando do major Fedalto e depois do visconde de Inhaúma. A situação dentro da cidade sitiada piorou rapidamente quando os suprimentos acabaram e a população local, que inicialmente apoiava o movimento, começou a fugir ou a se distanciar.

como terminou a sabinada

O desfecho aconteceu no dia 16 de março de 1838. As tropas legais entraram em Salvador após combates curtos nas ruas. Os líderes foram capturados. Cipriano Barata morreu na cadeia ainda no mês da rendição, provavelmente de tuberculose ou condições precárias de detenção — fontes variam. Marcos de Lisboa foi fuzilado. Beaurepaire recebeu pena de degredo para o Mato Grosso, onde acabou passando o resto da vida. Outros participantes foram anistiados mais tarde, coisa comum naqueles processos políticos da época. O que eu vejo todo dia em discussões sobre o assunto é gente tratando a Sabinada como se fosse um levante organizado com plano de longo prazo. Não era. Era uma reação impulsiva de facções locais frustradas com a Centralização do governo regencial e com a crise econômica que atingia o porto de Salvador. A classe média urbana, comerciantes e alguns militares de baixa patente se juntaram, mas faltava estrutura logística para sustentar um cerco. Nenhum outro província apoiou ativamente. Pernambuco tinha a Cabanagem. o Grão-Pará tinha a Balaiada. Cada um cuidava dos seus próprios problemas.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Um detalhe que passa despercebido: o governo imperial usou a marinha como fator decisivo, não o exército. O bloqueio naval foi o que realmente estrangulou a revolta. Tropos terrestres fizeram o fechamento final, mas sem o controle do mar e dos approvisionamentos, os revoltosos já estavam condenados semanas antes do assalto final. Isso é importante porque mostra a assimetria de poder da época. Províncias costeiras sem frota própria não tinham chance real contra o governo central. Eu já vi muita gente recomendar leitura superficial sobre o tema. Se quiser entender de verdade, o trabalho da historiadora Lilia Schwarcz e os documentos originais do processo contra os líderes, disponíveis em arquivos públicos, são muito mais reveladores do que resumos de Wikipedia. Os diários de bordo da marinha brasileira sobre o bloqueio valem mais do que qualquer síntese moderna.

O legado da Sabinada ficou enterrado por décadas. Somente nas últimas décadas é que historiadores começaram a tratá-la com mais seriedade, como parte integrante da dinâmica política do Período Regencial, e não como mero "distúrbio". O governo provincial após a queda mudou a administração, mas a estrutura de poder permaneceu basicamente a mesma. Nenhuma reforma significativa nasceu daquele confronto.