Conclusão Enem 5 Elementos - CONCLUSÃO - Enem - Os 5 Elementos Exerc. Finalizado - 3 Anos | PDF ...
CONCLUSÃO - Enem - Os 5 Elementos Exerc. Finalizado - 3 Anos | PDF ...

O que é a conclusão do ENEM e por que a estrutura de 5 elementos existe

A redação do ENEM cobra na conclusão uma proposta de intervenção completa. Isso significa que você precisa apresentar quem vai resolver o problema, o que vai ser feito, como vai ser feito, em quê ou por meio de quê, e para que serve. A sigla que todo mundo usa para lembrar é Agent + Ação + Meio/Modo + Finalidade + Detalhamento. Alguns professores chamam de esquema de 5 elementos, outros chamam de proposta de intervenção com complementos obrigatórios. O nome muda, o que importa é que a banca avalia a presença desses elementos. Eu corrigi centenas de redações ao longo dos anos. O que mais gera perda de pontos não é a ideia em si, é a falta de algum desses complementos ou a confusão entre eles. Muita gente entrega uma conclusão com apenas agente e ação, e acha que está completo. Não está. Faltam meio, finalidade e detalhamento.

conclusão enem 5 elementos: os itens cobrados e o que cada um representa

Vamos direto aos componentes, sem rodeio. Agente é o sujeito responsável por executar a intervenção. Pode ser o governo federal, os governos estaduais e municipais, a mídia, as escolas, as universidades, a ONU, a família, as empresas privadas. O ponto importante aqui é que o agente precisa ser viável. Escrever "o povo" como agente é problemático porque não há mecanismo claro de responsabilização. A banca prefere agentes com poder institucional definido.

Ação é a medida concreta. Não adianta dizer "combatler a dengue". Você precisa especificar o que exatamente será feito. "Realizar campanhas de vacinação", "implementar fiscalização rigorosa", "promover palestras educativas". A ação deve ser um verbo no infinitivo ou uma construção verbal clara ligada ao problema. Meio/Modo responde a "como?" ou "por quê?". É o instrumento, o mecanismo, a ferramenta. Pode ser através de leis, por meio de verbas públicas, mediante fiscalizações, usando redes sociais, por intermédio de editais. Esse elemento é onde a maioria dos candidatos se perde, porque confunde o meio com a ação. Ação é o quê. Meio é o como.

Finalidade é o "para quê". Ela deve retomar o problema discutido no corpo e mostrar o objetivo da intervenção. "Para reduzir os casos de dengue", "com o intuito de diminuir a evasão escolar". Às vezes esse elemento fica subentendido. Na prática, eu recomendo escrever explicitamente. Redações que deixam a finalidade implícita correm risco de perder pontos na Competência 5 se o examinador entender que o elemento está ausente. Detalhamento é o complemento que particulariza algum dos elementos anteriores. Pode ser um detalhamento do agente, do meio, da ação ou da finalidade. Por exemplo: "a União deverá destinar 5% do FUNDEB para programas de reforço escolar". Esse 5% do FUNDEB é um detalhamento. Sem ele, a proposta continua genérica e isso custa pontos.

Como construir a conclusão passo a passo

A ordem natural de escrita é diferente da ordem de leitura. Eu aconselho montar a proposta por dentro, começando pelo núcleo e depois preenchendo os complementos. Primeiro você decide qual é o problema central que seu texto apresentou e qual solução faz sentido para esse problema. Depois você define o agente mais adequado. Um erro comum é escolher um agente que não tem conexão com o problema discutido. Se você falou de desmatamento na Amazônia, o agente não pode ser a prefeitura municipal de uma cidade costeira, a menos que você construa um argumento que ligue essas duas escalas. Após definir agente e ação, você adiciona o meio. Aqui é onde muitos candidatos usam connectivos fracos como "de forma que" ou "assim" sem realmente especificar o mecanismo. "O governo deve agir de forma que melhore a situação" não é um meio. É uma falta de Meio/Modo. Você precisa nomar algo concreto: leis, verbas, campanhas, editais, parcerias, fiscalização.

A finalidade segue naturalmente. Ela deve fazer eco ao problema do texto, mas sem repetir as mesmas palavras. Variação lexical é importante. Se você usou "desinformação" no desenvolvimento, pode usar "falta de conhecimento", "precariedade informativa" ou "carência de orientação" na conclusão. O detalhamento é o último elemento. Ele deve ser específico e factual. Citar valores, prazos, órgãos, leis existentes dá solidez. Lembre-se de que essa é uma redação acadêmico-discursiva, não um projeto de lei real, então o detalhamento não precisa ser perfeito em termos de viabilidade orçamentária, mas precisa parecer plausível dentro do contexto brasileiro.

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Um problema real que eu encontrei e a solução que funcionou

Há alguns anos, um candidato escreveu uma proposta sobre saúde mental em adolescentes. A ação era "implementar programas de atenção psicológica". O agente era "o Ministério da Saúde". O meio era "por meio de políticas públicas". A finalidade era "para reduzir o sofrimento psíquico". Sobrava o detalhamento. O candidato tentou colocar um detalhamento do meio: "com campanhas nas escolas". O problema é que o detalhamento não conectava corretamente com o meio anterior. A banca considerou o detalhamento inadequado porque "campanhas nas escolas" é uma ação, não um detalhamento do meio "políticas públicas". O que resolveu a situação foi reescrever o meio como "através da ampliação de leitos em CAPS e contratação de psicólogos nas unidades básicas", o que permitiu um detalhamento coerente sobre o número de profissionais ou a abrangência territorial. Esse tipo de desconexão entre meio e detalhamento é mais comum do que parece. Eu costumo ensinar os alunos a sublinhar cada elemento com uma cor diferente após escrever. Se o detalhamento não se relacionar logicamente com o elemento que está destacando, há um erro de articulação.

Erros frequentes que custam pontos na Competência 5

O primeiro erro é a proposta genérica. Frases como "é preciso conscientizar a população" não têm agente específico, não têm meio concreto e não têm detalhamento. São declarações de intenção vazias. A banca identifica isso imediatamente. O segundo erro é o agente impossível. Quando o candidato atribui a solução a um sujeito que não tem competência legal ou financeira para executá-la. "A família deve resolver o problema da violência urbana" é um exemplo. A família não tem essa atribuição no ordenamento jurídico brasileiro. Isso configura propostainviável.

O terceiro erro é a falta de conectivo de fechamento. A conclusão precisa abrir com um conectivo argumentativo que feche o texto: "portanto", "diante disso", "logo", "conclui-se que", "tem-se, assim". Sem esse conectivo, a estrutura argumentativa fica incompleta e a redação parece cortada. O quarto erro é a repetição literal do tema. Se o tema é "desafios da mobilidade urbana nas cidades brasileiras", não adianta copiar "mobilidade urbana" dez vezes. Use sinônimos, retomadas implícitas, variações. A coesão lexical funciona melhor quando há variação controlada.

O quinto erro é confundir finalidade com ação. "Para construir escolas" é ação, não finalidade. A finalidade seria "para garantir o acesso à educação". A ação é o verbo principal. A finalidade é o objetivo final. Separação simples, mas os candidatos frequentemente misturam.

Alternativas quando o tempo está acabando

Se você estiver com pouco tempo durante a prova e não conseguir estruturar os 5 elementos perfeitamente, o seguinte plano de contingência costuma funcionar: garanta pelo menos agente, ação e finalidade. Mesmo que o meio e o detalhamento estejam ausentes ou imprecisos, três elementos bem formulados são melhores que cinco mal articulados. No entanto, essa é uma estratégia de emergência, não uma recomendação. A proposta ideal deve apresentar todos os cinco. Também é válido mencionar que, em anos mais recentes, a banca tem exigido detalhamento obrigatório de forma mais rigorosa. Em 2022 e 2023, por exemplo, redações que tinham meio e finalidade, mas não apresentavam detalhamento específico, receberam nota máxima 800 na Competência 5 apenas em raríssimas exceções. O detalhamento deixou de ser opcional. Ele precisa estar presente, ainda que seja um detalhamento breve.

O esquema dos 5 elementos não é uma fórmula mágica que garante nota mil. Mas é uma estrutura que, quando aplicada com precisão, evita os erros mais comuns de proposta de intervenção. O segredo não é decorar os nomes dos elementos, é praticar a articulação entre eles até que a escrita se torne automática.