Conectivos Para A Redação - MAPA MENTAL SOBRE CONECTIVOS PARA A REDAÇÃO - Maps4Study
MAPA MENTAL SOBRE CONECTIVOS PARA A REDAÇÃO - Maps4Study

Os conectivos que realmente funcionam na prática

A maioria dos alunos usa conectivos de forma mecânica, como sefossem um formulário obrigatório. Colocam um "portanto" no final de cada parágrafo e acham que o texto está coeso. O problema é que coerência não é sinônimo de correta inserção de conectivos. A coesão textual exige que você entenda a lógica entre as ideias antes de escolher a palavra que as liga. Quando comecei a corrigir redações com frequência, percebi que cerca de 60% dos candidatos erravam na relação causal. Eles usavam "porque" no lugar de "visto que", "em virtude de" ou "diante do". O resultado era uma frase que soava repetitiva e, na maioria das vezes, logicamente confusa. A correção mais simples foi pedir para eles lerem a frase em voz alta. Se a pronúncia soasse estranha, o conectivo provavelmente estava mal empregado.

O que são conectivos para a redação

Conectivos são palavras ou expressões que estabelecem relações lógicas entre orações, períodos e parágrafos. Eles não servem apenas para enfeitar o texto. Funcionam como engrenagens que fazem o raciocínio fluir de forma previsível para quem lê. Sem eles, cada ideia fica isolada e o leitor precisa fazer o trabalho de reconectar os pontos sozinho. Os principais tipos que aparecem em provas e concursos são:

Adição: e, também, além disso, bem como, não só... mas também. Adversidade: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, no entanto.

Causalidade: porque, pois, visto que, uma vez que, diante do fato de. Conclusão: portanto, logo, assim, desse modo, por essas razões.

Condção: se, caso, desde que, contanto que, a menos que. Concessão: embora, apesar de, mesmo que, conquanto.

Comparação: assim como, tal qual, mais do que, menos que. Proporção: à medida que, quanto mais, quanto menos.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Um caso que ninguém ensina

Em 2019, durante uma correção de redações do ENEM, encontrei um candidato que usava "contudo" de forma absolutamente correta gramaticalmente, mas estrategicamente errada. Ele o aplicava em um contexto em que a adversidade era tão evidente que o conectivo soava desnecessário, quase ridículo. O texto ficava carregado. A banca percebeu que ele estava usando conectivos como muleta, não como ferramenta de argumentação. Meu conselho na época foi simples: reduza o número de conectivos em pelo menos 30%. Em vez de escribir "O governo aumentou os impostos, contudo a população não se mobilizou", escreva "O governo aumentou os impostos. A população não se mobilizou". A relação de adversidade já está implícita no contraste entre as duas frases. Você economiza palavras e ganha impacto.

O erro mais comum que eu vejo todo dia

As pessoas confundem "portanto" com "então". São conectivos diferentes com funções diferentes. "Portanto" introduz uma conclusão lógica derivada do que foi dito antes. "Então" pode indicar consequência imediata, mas também serve para retomar a fala de forma coloquial, o que não tem lugar em redação formal. Aqui vai um exemplo prático. Um aluno escreveu: "O estudo demonstrou correlação entre poluição e doenças respiratórias, então o governo deve intervir." O correto seria: "O estudo demonstrou correlação entre poluição e doenças respiratórias; portanto, o governo deve intervir." Note a vírgula após "portanto". Esse detalhe ortográfico faz diferença na pontuação.

Como escolher o conectivo certo

O método que eu uso é o seguinte: antes de colocar qualquer conectivo, identifique a relação lógica entre as duas ideias. É uma adição? Uma oposição? Uma causa? Uma consequência? Se você não consegue nomear a relação com uma palavra simples, o conectivo provavelmente vai ficar forçado no texto. Uma dica que funciona na prática é a técnica da inversão. Tente reescrever as duas frases trocando a ordem. Se a lógicafaz sentido sem o conectivo, talvez você nem precise dele. Isso elimina o excesso de conjunções que torna o texto pesado e artificial.

Outro ponto que pouca gente leva em conta é a variação estilística. Usar sempre os mesmos conectivos ao longo de toda a redação cria monotonia. Intercale "contudo" com "no entanto", "porém" com "todavia". A banca valoriza vocabulário diversificado, mas sem forçar a barra. Não adianta usar "ergo" ou "outrossim" se o resto do texto não sustenta esse registro formal.

Quando os conectivos falham

Existem situações em que conectivos são mais prejudiciais do que úteis. O principal exemplo é quando o aluno usa um conectivo conclusivo depois de uma ideia que não tem fundamento lógico anterior. "A violência aumentou 15% nos últimos anos, portanto a educação melhorou." Essa estrutura é logicamente inválida. O conectivo dá uma aparência de sofisticação, mas a conclusão não decorre da premissa. Nesses casos, a alternativa é abandonar o conectivo e reestruturar o raciocínio. Ou você mostra a ligação real entre as ideias, ou remove a conclusão. Forçar uma conexão com um conectivo não resolve a falta de argumentação.

O maior erro que eu vejo é o uso mecânico de conectivos sem compreensão da lógica que eles representam. Estude relações lógicas, não apenas listas de palavras. Leia redações nota mil e observe como os conectivos são distribuídos. Geralmente aparecem de forma esparsa, apenas onde a transição entre ideias realmente precisa de ajuda. O excesso é sempre pior do que a falta.