Conectivos para começar o desenvolvimento 2
Muitos estudantes repetem os mesmos conectivos em todas as partes da redação e simplesmente não percebem quando estão fazendo isso. Eu já corrigi centenas de textos e, em geral, a primeira coisa que identifiquei foi a mesma sequência "Em primeiro lugar... Além disso... Por fim..." sendo usada como se fosse um molde pronto. O problema real com conectivos para começar o desenvolvimento 2 é que a maioria dos alunos acha que precisa usar uma expressão nova a cada parágrafo, mas acaba encontrando apenas sinônimos básicos ou pior, inventando construções que soam artificiais. A solução não é acumular vocabulário, é entender a função de cada conectivo dentro do raciocínio argumentativo.
Os conectivos mais úteis para o segundo parágrafo de desenvolvimento
O segundo parágrafo de desenvolvimento tem uma função específica. Ele deve aprofundar a tese já apresentada na introdução, mas de forma diferente do primeiro parágrafo. Por isso, os conectivos precisam indicar essa relação de acréscimo ou exemplificação sem repetir o que já foi dito no início. Expressões como "Ademais", "Outrossim", "Noutro plano", "Por outro lado" (quando há contraposição), "Como complemento", "Somando-se a essa análise" são opções reais que os corretores valorizam. Não porque sejam bonitas, mas porque indicam que o autor entende que está construindo um encadeamento lógico entre os argumentos.
No entanto, aqui vai algo que quase ninguém explica: usar "por outro lado" no segundo parágrafo só faz sentido se o primeiro parágrafo apresentou um argumento favorável à tese. Se você já começou afirmando algo positivamente, o segundo parágrafo pode trazer uma nuance ou uma restrição. Se começar direto com "por outro lado" sem o primeiro parágrafo ter apresentado um ponto de vista oposto, a estrutura argumentativa quebra e o corretor percebe imediatamente. Um caso específico que tive é de um estudante que estava escrevendo sobre violência urbana e começou o primeiro parágrafo falando sobre a falta de políticas públicas. No segundo, usou "por outro lado" para falar sobre o aumento do tempo de resposta das viaturas. O conectivo estava errado porque ele não estava contrapondo nada — estava apenas acrescentando informação. Troquei por "Nesse sentido" e o argumento ganhou coerência.
Erros comuns ao escolher o conectivo
O erro mais frequente é confundir conectivos de conclusão com conectivos de desenvolvimento. Palavras como "portanto", "logo", "consequentemente" indicam consequência, não abertura de novo argumento. Usá-las no início do desenvolvimento 2 é sinal de que o autor não sabe diferenciar estrutura do texto. Outro problema comum é usar conectivos muito formais ou arcaicos sem domínio real do significado. "Outrossim" é correto, mas só deve ser usado quando se quer efetivamente adicionar um novo argumento ao mesmo nível do anterior. Se o segundo parágrafo vai trazer um exemplo que comprova o primeiro, não é "outrossim", é "como ilustração". A escolha errada do conectivo enfraquece a conexão lógica entre os parágrafos.
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Existe ainda a questão da repetição. Alguns estudantes acreditam que não podem usar o mesmo conectivo em dois parágrafos seguidos, mas isso é mito. O que importa é a função lógica. Se dois parágrafos têm a mesma função argumentativa, usar o mesmo conectivo pode ser mais claro do que forçar uma variação artificial.
Quando os conectivos tradicionais não funcionam
Em textos mais longos ou com argumentos mais complexos, os conectivos padrão podem soar mecânicos. Nesse caso, o mais eficiente é variar entre conectivos explícitos e implícitos. Um parágrafo pode começar com "Além disso", o seguinte não precisa de conectivo algum — basta que a primeira frase já deixe claro qual é a relação com o argumento anterior. Por exemplo: primeiro parágrafo fala sobre a necessidade de educação ambiental. Segundo parágrafo começa diretamente com "As campanhas publicitárias, no entanto, têm alcance limitado." O "no entanto" embutido na frase já cumpre a função de conectivo sem precisar de uma expressão no início. Isso exige mais cuidado na construção, mas o resultado é mais natural.
O risco aqui é que, se o segundo parágrafo não deixar clara a relação com o primeiro, o leitor perde o fio da meada. Conectivos explícitos são mais seguros para quem está aprendendo. Conectivos implícitos funcionam melhor quando já se tem domínio da coesão textual.
Prática eficiente para dominar os conectivos
A forma mais rápida de aprender não é decorar listas. É escrever, revisar e identificar onde os conectivos estão funcionando ou não. Pegue um texto seu que já tenha sido corrigido, destaque todos os conectivos usados e pergunte: esse conectivo indica acréscimo, oposição, explicação ou conclusão? Se a resposta for "não sei", o conectivo provavelmente está mal aplicado. Outra técnica útil é ler editoriais e artigos de opinião. Observe como os autores usam conectivos para articular os parágrafos. Não copie — entenda a função. Em editoriais de grandes jornais, é comum ver "Segundo dados do IBGE..." ou "Conforme análise do Banco Mundial..." no início dos parágrafos de desenvolvimento. Esses conectivos não são apenas ornamentos, são a estrutura lógica do texto.
Se você estiver preparando redação para o ENEM ou vestibular, o ideal é dominar pelo menos cinco conectivos para cada função: acréscimo, oposição, exemplificação e conclusão. Isso já cobre a maioria das situações. O resto é adaptação ao contexto específico de cada tema.