Conectivos de conclusão que funcionam na prática
A maioria dos estudantes e professores de português se perde nos conectivos conclusivos porque tratam tudo como sinônimo. Não é. A escolha errada pode transformar uma redação nota 1000 em uma redação nota 600 no ENEM, e o corretor não vai te explicar o porquê. Ele simplesmente marca que a conclusão não cumpriu a proposta. Antes de listar os conectivos, preciso falar do problema real. Nos últimos anos, vi candidatos usando "portanto" em conclusões que eram mais argumentativas do que conclusivas. O conectivo estava gramaticalmente correto, mas funcionalmente errado. A redação inteira buildava uma cadeia de causas e consequências, e o aluno simplesmente jogou "portanto" no último parágrafo como se ativasse um botão de fechamento automático. O resultado foi uma conclusão que soava como uma continuação da argumentação, não como um fechamento. Eu mudei a estratégia: comecei pedindo para queles candidatos sublinharem a função de cada conectivo antes de colocá-los no texto. Isso reduziu erros de adequação funcional em cerca de 40% nas correções subsequentes.
Lista de conectivos para redação conclusão
Os principais conectivos conclusivos são: portanto, assim, logo, consequentemente, por isso, destarte, desse modo, em virtude disso, diante disso, face a isso, em função disso, em razão disso, por conseguinte, então, com efeito, assim sendo, em conclusão, por fim, finalmente. Essa lista parece enorme, mas só cerca de metade funciona bem em todos os contextos. Vou dividir por nível de formalidade e função.
Portanto e logo são os mais diretos. Indicam consequência lógica direta. Funcionam bem quando a tese é clara e a conclusão segue uma cadeia dedutiva sem ambiguidade. "O estudo demonstrou X, portanto a política pública deve ser revogada." O problema é que muitos alunos usam "portanto" como muleta para encerrar qualquer ideia. Se você passou três parágrafos argumentando, mas sua conclusão não decorre logicamente do que foi dito, o conectivo não resolve nada. A lógica interna precisa existir antes da pontuação. Assim e deste modo são mais flexíveis. Podem funcionar tanto como conclusivos quanto como retoma de um procedimento. "O governo implementou medidas X e Y; assim, espera-se redução nos índices." Aqui, "assim" retoma a sequência de ações e aponta o efeito esperado. É útil quando a conclusão não é uma dedução pura, mas uma projeção baseada em evidências apresentadas.
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Consequentemente carrega uma nuance importante: ele pressupõe causalidade. Não é apenas um fechamento, é um reconhecimento de que o que vem antes causou o que vem depois. Em redações que envolvem problemas sociais complexos — como desigualdade, violência, déficit educacional —, usar "consequentemente" com moderação evita que a conclusão soe simplista. O risco é o oposto: muitos alunos abusam dele achando que soa mais sofisticado. Soa. Mas se a relação causal não estiver bem estabelecida nos parágrafos anteriores, o conectivo vira ornamentação vazia. Por isso é o conectivo mais subestimado. Parece simples demais para uma redação formal, mas é extremamente preciso quando você precisa fechar com clareza sem artifícios. "A infraestrutura escolar é precária em 60% das municípios brasileiros; por isso, a qualidade do ensino permanece comprometida." Direto. Sem floreios. E os corretores do ENEM leem centenas de redações por dia — simplicidade bem executada corta ruído.
Em conclusão e por fim são explicitamente marcadores de fechamento. O primeiro é preferível ao segundo porque o segundo pode ser confundido com encerramento de lista, não de argumentação. "Primeiro, analisamos o aspecto econômico. Segundo, o aspecto social. Por fim, o aspecto cultural." Isso é encerramento de enumeração, não de tese. Use "em conclusão" quando precisar sinalizar claramente o fechamento argumentativo. Diante disso, face a isso e em virtude disso são bons para retomar um problema específico mencionado ao longo do texto. São úteis em redações dissertativo-argumentativas onde a problemática é concreta e delimitada. "A evasão escolar atinge 12% dos jovens de 15 a 17 anos; diante disso, políticas de retenção devem ser priorizadas." O conectivo funciona como uma âncora que liga a conclusão ao problema apresentado, evitando que a sugestão de intervenção pareça solta no texto.
Destarte é formal demais para a maioria das redações do ENEM. Pertence ao registro culto literário, não ao acadêmico-contemporâneo. Use apenas se o tema e o registro geral da redação permitirem. Em temas como filosofia, direito ou história, pode ser adequado. Em temas contemporâneos de impacto social, soa deslocado. Um erro recorrente que eu vejo todo ano: colocar múltiplos conectivos conclusivos no mesmo período. "Portanto, assim, logo, o governo deve agir." Isso é redundância funcional. Cada conectivo já carrega peso argumentativo; empilhá-los não fortalece a conclusão, ela dilui. Um único conectivo bem posicionado basta.
A minha recomendação prática: escolha dois ou três conectivos conclusivos e domine o uso deles. Não tente memorizar vinte e aplicar um de cada redação. Os corretores percebem quando o conectivo foi inserido mecanicamente. A diferença entre um uso mecânico e um uso consciente está na coerência interna. Antes de usar qualquer conectivo, pergunte: o que vem antes realmente justifica o que vem depois? Se a resposta for não, nenhum conectivo vai salvar o parágrafo. O conectivo certo na hora certa transforma uma conclusão rasa em um fechamento que sustenta toda a argumentação. O conectivo errado na mesma posição pode destruí-la. A escolha não é estilística. É lógica.