Considerações Finais E Conclusão É A Mesma Coisa - CONCLUSÃO ou CONSIDERAÇÕES FINAIS? - Blog Letraria
CONCLUSÃO ou CONSIDERAÇÕES FINAIS? - Blog Letraria

Considerações finais e conclusão é a mesma coisa

Muita gente entra na faculdade achando que o professor quer dois capítulos separados no trabalho, quando na verdade a orientação é outra bem diferente. Eu já vi aluno com quinze páginas de considerações finais e uma conclusão de três linhas solta no final, tipo um rascunho abandonado. O problema é que as normas da ABNT não são claras sobre isso, então cada orientador tem uma opinião.

O que diferencia os dois nos manuais formais

A ABNT NBR 14724 fala em "considerações finais" como possibilidade, mas a maioria das universidades entende conclusão como a seção padrão do TCC ou dissertação. O detalhe é que "considerações finais" e "conclusão" muitas vezes são usados como sinônimos na prática acadêmica real. Eu já corrigi centenas de trabalhos e a confusão é constante. Uma diferença técnica que vale a pena notar: a conclusão, quando existe, tende a ser mais fechada. Ela resume os achados e propõe desdobramentos. As considerações finais permitem um tom mais aberto, mais reflexivo, às vezes até especulativo. Não é uma regra, é uma tendência que eu observei ao longo dos anos.

Como estruturar na prática

Se o seu orientador pediu as duas coisas, imagine que são camadas. A conclusão fecha o argumento principal. As considerações finais ampliam o leque. Eu costumo sugerir que a conclusão tenha no máximo três parágrafos e que as considerações finais possam ter mais. Mas tudo depende do que a banca quer. Um erro comum é repetir o mesmo conteúdo nas duas seções. Isso acontecia comigo todos os anos. Alunos copiam e colam. A solução é simples: escreva a conclusão primeiro. Depois, nas considerações finais, foque no que ficou de fora ou no que você gostaria de investigar. Não repita o que já foi dito.

Um caso específico que deu problema

Eu tive um orientando que escreveu considerações finais com dados de pesquisas que nunca tinha citado no desenvolvimento. A banca reprovou por inconsistência. A correção foi incluir esses dados na fundamentação teórica antes. Isso mostra que as considerações finais precisam ter vínculo com o que foi escrito. Senão vira texto solto. Outro caso: estudante de psicologia usou considerações finais para fazer crítica política do governo. A banca pediu remoção. O limite é esse. Considerações finais podem ir além, mas não podem sair do campo acadêmico completamente. É uma linha tênue.

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Quando a conclusão substitui as considerações finais

Em muitos programas de pós-graduação, as considerações finais são opcionais. Eu vejo isso em editais de dissertação da USP e da Unicamp. Se a norma do seu curso não exige, você pode escrever apenas a conclusão e está coberto. Consulte o manual da sua instituição. Muitas vezes a resposta está lá. Se o seu programa realmente exige ambos, trate a conclusão como parte das considerações finais. Não precisa de seção separada visualmente. Você pode usar o título "Considerações Finais" e, dentro dela, ter um subtópico ou parágrafo dedicado à conclusão propriamente dita. Isso resolve a ambiguidade.

Erros frequentes que eu identifico

Repetição de frases do resumo. Isso acontece em cerca de sessenta por cento dos trabalhos que reviso. O aluno copia o resumo para a conclusão. É desnecessário e enfraquece o texto. Outro erro: conclusões longas demais. Se você está detalhando resultados na conclusão, errou de estrutura. Resultados ficam no capítulo de resultados. Também vejo muita gente transformando as considerações finais em lista de desejos. "Seria interessante pesquisar tal coisa". Isso é válido, mas tem que estar ancorado no que você já mostrou. Não adianta propor algo que não tem relação com os achados.

O que fazer quando a banca pede mudanças

Se o avaliador disser que as considerações finais são genéricas, a correção imediata é voltar ao método. Mostre conexão clara entre o que você fez e o que está dizendo no final. Um exemplo prático: se você estudou o impacto de X em Y, a consideração final precisa mencionar exatamente como os dados sobre X e Y sustentam a reflexão. Eu costumo pedir para os alunos gravarem um áudio de dois minutos explicando suas considerações finais. Se eles não conseguem falar de forma direta, o texto provavelmente está vago. Isso economiza tempo de revisão.

Uma observação sobre a linguagem

Conclusões em tom afirmativo. Considerações finais em tom mais aberto. Não é lei, é uma convenção que funciona bem. Usa-se mais o futuro do subjuntivo nas considerações. "Talvez seja necessário...", "Caberá aos pesquisadores...". Na conclusão, verbos no presente ou pretérito perfeito são mais adequados. A norma não regula isso diretamente, mas eu recomendo seguir essa distinção porque facilita a leitura da banca. Quem avalia trabalho acadêmico lê dezenas de arquivos por dia. Um acabamento claro ajuda.

A questão do tamanho

Não existe tamanho ideal definido por norma. O que eu vejo funcionar: conclusão entre uma e duas páginas. Considerações finais entre duas e quatro páginas. Mas tudo depende da extensão total do trabalho. Um TCC de quarenta páginas não merece seis páginas de finais. Uma tese de duzentas pode até precisar. Se o orientador deixou a critério do aluno, use a regra prática: não ultrapasse dez por cento da extensão total do documento somando ambas as seções. Acima disso, geralmente há redundância.