Considerasse Ou Considera Se - “Considera-se grave e iminente risco toda condição ou situaç...
“Considera-se grave e iminente risco toda condição ou situaç...

Como saber quando usar cada forma

A confusão entre essas duas construções acontece porque, na fala rápida, elas soam praticamente idênticas. "Considerasse" é uma forma verbal única, no pretérito imperfeito do subjuntivo. "Considera se" é outra coisa completamente diferente: o verbo no presente do indicativo seguido do pronome "se". O erro mais comum é juntar tudo numa só palavra quando deveria ser duas, ou colocar o "s" a mais em momento nenhum necessário.

Considerasse ou considera se: a diferença prática

Uma regra simples que funciona na maioria das vezes é testar com uma substituição. Se você consegue trocar por "pensasse", "achasse" ou "levasse em conta" no passado hipotético, usa-se "considerasse" junto. Se a ideia é afirmar algo sobre uma terceira pessoa no presente, com o pronome "se" funcionando como parte da construção (seja como pronome reflexivo, de passiva, ou partícula apassivadora), aí escreve-se separado. Pense nestes dois exemplos básicos:

"Se você considerasse o prazo, não teria atrasado" — aqui o "se" é conjunção condicional, e "considerasse" é o verbo conjugado. Tente trocar por "achasse": funciona perfeitamente. "Ele considera se responsável pelo projeto" — neste caso, o "se" é pronome reflexivo ligado ao sujeito, e "considera" está no presente. Trocar por "achasse" aqui destrói o sentido.

O problema é que a língua portuguesa tem armadilhas bem mais chatas do que isso. Um caso que eu encontrei na prática e que causa dor de cabeça constante envolve a partícula "se" em construções de passiva sintética. Por exemplo: "Considera-se necessária a revisão dos dados". Aí o "se" não é reflexivo — ele marca a voz passiva. Muita gente erra escrevendo "considerasse" nessa estrutura, provavelmente por influêncio da leitura rápida ou por automatismo. A solução prática que eu uso é identificar o sujeito da oração. Se for "a revisão dos dados" (coisa being considered necessary), então o correto é "considera-se", separado, com o "se" como partícula apassivadora. Outra situação que gera erro crônico é quando o "se" é índice de indeterminação do sujeito. Nesses casos, o verbo fica na terceira pessoa do singular e o "se" continua separado: "Considera-se que o procedimento deve ser revisado". O verbo não concordaria com nenhum sujeito específico porque não há sujeito — é uma construção impessoal. Isso significa que mesmo que você tenha vontade de flexionar no passado ("considerasse"), a estrutura impessoal exige a forma indFlexionada no presente quando o contexto é afirmativo e factual.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Método de verificação em três passos

Quando eu estou revisando um texto e me deparo com essa ambiguidade, sigo um protocolo simples que funciona na grande maioria das vezes. Primeiro, eu isolho o "se" e vejo o que ele faz. É conjunção? Pronome reflexivo? Partícula apassivadora? Índice de indeterminação? Segundo, eu verifico a conjugação do verbo. Se for imperfeito do subjuntivo, termina em "sse" — "considerasse", "fizesse", "falasse". Terceiro, eu testo a substituição. Se der para trocar por "achasse" ou "pensasse" sem quebrar a frase, é "considerasse" junto. Se não der, provávelmente é "considera se" separado. Esse método não é infalível. Há construções literárias ou regionais onde a fronteira fica mais tênue, especialmente em registros informais. Em textos jurídicos, por exemplo, é comum encontrar "considerasse" usado de formas que misturam o subjuntivo com ideias condicionais que o falante nativo nem sempre percebe. Se o texto for formal ou técnico, o ideal é consultar sempre o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) ou o Acordo Ortográfico, mas na prática cotidiana o teste de substituição resolve cerca de 90% dos casos.

Erros comuns e como evitá-los

O erro mais frequente é escrever "considerasse" quando se quer a forma no presente com pronome. Isso acontece muito em frases como "Ela considera se incompetente para o cargo", onde o correto é "considera se". A pessoa imagina que é só uma questão de tempo verbal e junta tudo, mas o "se" ali é essencial — é o pronome que liga o sujeito ao complemento. O erro inverso também existe, ainda que seja menos comum. Alguém pode escrever "considera se" quando na verdade quer o subjuntivo: "Se você considera se preocupar com isso, resolva antes de agarrar a decisão." O correto seria "considerasse" (subjuntivo) sem separação. A confusão aqui nasce da analogia com a forma presente, e o resultado é uma frase gramaticalmente quebrada.

Uma dica prática que vale a pena anotar: quando o "se" vier entre duas orações e puder ser substituído por "que" ou por uma conjunção, não há dúvida — o "se" é conjuntivo e o verbo deve vir flexionado no subjuntivo se o contexto exigir passado hipotético. Quando o "se" estiver ligado diretamente ao verbo como pronome ou partícula, aí sim ele fica separado e o verbo se mantém na forma conjugada adequada ao tempo e modo.

Quando o método tradicional falha

Existem construções em que até o teste de substituição não ajuda muito. Frases com "se" interrogativo indireto, por exemplo: "Não sei se considera-se apto para a função." Aqui o "se" é conjunção integrante, e a forma correta dependerá do que se quer expressar. Se for uma dúvida no presente, o ideal seria "se considera apto" (com o "se" como parte da oração interrogativa indireta, não como pronome reflexivo). A ambiguidade é real e só o contexto completo resolve. Em textos coloquiais, a linha fica ainda mais tênue. Muito comum ouvir "você teria que considerarasse" — claramente errado, mas reproduzido o dia todo em mensagens e redes sociais. O interessante é que esse erro raramente aparece em produção textual cuidadosa; ele é quase exclusivo da fala e de textos digitados apressados. Se você escreve para publicação, para trabalho ou para estudo, o recomendado é sempre revisar com esse filtro em mente.

O que eu posso afirmar com segurança é que, dominando o teste de substituição por "achasse" e entendendo a função do "se" em cada construção, a taxa de erro cai drasticamente. Na prática, gaste uns dez minutos revisitando esses exemplos com seus próprios textos antes de considerar o assunto resolvido. O restante é repetição e atenção aos detalhes.