Convidamos a todos ou convidamos todos
A resposta curta é que as duas formas existem e são usadas no português brasileiro, mas têm regras diferentes que muita gente ignora. Eu já vi gente levando desaforos no trabalho por causa disso, então vale a pena entender direito. "Convidamos a todos" é a forma prescritivista clássica. O "a" antes de "todos" funciona como partícula acusativa preposicional. Isso é padrão quando o objeto direto é um pronome indefinido plural com sentido de pessoa. A norma culta tradicional exige esse "a". Teste rápido: substitua por "todos eles" — se soar natural com "a", use o "a". "Convidamos a todos eles" soa certo. Portanto, "convidamos a todos" também é correto.
Convidamos a todos ou convidamos todos
"Convidamos todos", sem o "a", é cada vez mais comum, especialmente na fala cotidiana e em contextos informais. O verbo "convidar" pode reger complemento sem preposição quando o objeto direto não é precedido de determinante que force a intercalação. No Brasil, esse uso despreocupado é amplamente difundido e raramente gera problemas comunicativos. O problema aparece mesmo é em contextos formais, concursos e provas gramaticais, onde a banca ainda cobra o "a". Eu tive um caso bem específico há uns anos. Estávamos redigindo um e-mail institucional para toda a diretoria de uma empresa, e eu escrevi "Convidamos todos os colaboradores para o evento". Um colega revisor me cobrou o "a", mas o mais interessante foi que quando mudei para "Convidamos a todos os colaboradores", a frase ficou estranha pra caramba. Aí eu percebi o pulo do gato: quando há um determinante (como "os colaboradores"), o "a" opcional depende da ênfase e do registro. Em e-mails internos, eu costumo deixar o "a" de lado. Em documentos formais, mantenho.
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O que menos gente sabe é que a regência do verbo "convidar" varia conforme o nível de formalidade e a região. No Sul do Brasil, por exemplo, o uso do "a" é mais frequente e considerado mais elegante. No Sudeste, especialmente em São Paulo, o construction sem preposição é muito mais aceito no dia a dia corporativo. Essa variação regional importa porque você precisa calibrar o registro certo para o seu público. Um detalhe técnico que os manuais não sempre mencionam: quando o verbo está no passado e o sujeito é claro, a ambiguity pode surgir. "Convidamos todos ontem" pode ser lido como "nós convidamos todas as pessoas" ou, em contextos ambíguos, como se "todos" fosse sujeito em vez de objeto. Nesses casos, reescrever para "Nós convidamos a todos" elimina a ambiguidade porque o "a" marca explicitamente o complemento. Isso é particularmente útil em documentos jurídicos ou contratações onde a clareza absoluta é necessária.
Se você está preparando um texto para publicação acadêmica, concurso público ou comunicação institucional oficial, o caminho mais seguro é usar "convidamos a todos". Se for um e-mail interno, mensagem de WhatsApp ou qualquer situação onde a fluidez importa mais que a prescrição, "convidamos todos" é perfeitamente aceitável. A escolha certa depende do contexto, não existe uma regra universal que se aplique a todas as situações. E eu recomendo que você avalie sempre quem vai ler e qual é o tom da comunicação antes de decidir.