Passando a guarda com corte na 2: o que funciona na tatame
Todo mundo já tropeçou nesse passe pelo menos uma vez. Você tenta fechar o corpo, empurra o quadril, e a pessoa simplesmente se vira e te pega de volta. O corte na 2 em cima é um dos passe mais confiáveis contra guarda Fechada e contra a 50/50, mas a execução é onde a maioria erra. Não é complicado, só exige dois detalhes que ninguém ensina direito nos primeiros meses de treino.
O que é corte na 2 em cima
Corte na 2 em cima, também chamado por alguns instructores de passe de gancho ou walk-through pass, é basicamente você entrar com o braço por dentro da guarda do adversário, controlar o pulso ou o antebraço dele, travar o joelho no traseiro da perna dele e passar por cima. O "em cima" significa que você não vai pelo lado — você sobe por cima do corpo, controlando o quadril com o peso do seu tronco.
A mecânica passo a passo
Comece de pé, com o adversário de costas para você de guarda Fechada. O primeiro passo é o controle de punho. Pegue o pulso da mão mais próxima do seu lado e puxe para o peito dele, não para o seu. Isso vira o quadril dele e expõe o flanco. Ao mesmo tempo, dê um passo lateral com a perna mais próxima, entrando entre as pernas dele. Seu joelho vai direto para o traseiro da coxa dele — não no meio da perna, no traseiro. Trave isso com o joelho bem pressionado. Agora vem a parte que todo mundo faz errado. Em vez de se abaixar muito e tentar empurrar, mantenha o tronco ereto e use o peso do seu ombro contra o quadril dele. Deslize a outra perna por cima, passando por trás das costas dele. O pé de apoio deve virar levemente para fora, como se você estivesse escorando o quadril dele contra o tapete. Uma vez que a perna passou, o braço que controla o pulso desce junto com o quadril, prendendo o braço dele no chão com o antebraço. Finalize com o ombro colado no peito dele. Pronto, passe completo.
Se estiver passando contra guarda 50/50, o princípio é o mesmo mas com uma alteração. Você entra com o braço de baixo do gancho dele, não de cima. Isso evita que ele aperte o gancho quando você passar. O resto é idêntico.
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Um problema real que eu encontrei
Tinha um aluno meu, cara grande, 90 quilos, treinando há três anos, que não conseguia fazer esse passe funcionar contra ninguém de guarda Fechada. Ele entrava com tudo, colocava o joelho no lugar certo, travava o controle de pulso, e o adversário simplesmente flexionava os joelhos e o levantava junto com ele. O problema era simples: ele colocava o peso todo na perna que entrava, então quando a pessoa flexionava, ele voava pra cima e caía de costas. Eu mandei ele parar de usar a perna como alavanca. Em vez disso, ele tinha que colocar o quadril dele em cima do quadril do adversário antes de levantar o joelho. Um ajuste de posição que levou dois minutos pra ele entender mas três meses pra treinar certo. O truque é: não levante o joelho. Empurre o quadril do adversário pra longe do chão com o seu quadril. A diferença entre passar e ser erguido costuma ser exatamente isso — dois centímetros de altura do quadril.
Dica técnica que ninguém conta
A maioria dos alunos foca no controle de braço e esquece que o pé de apoio define o passe. Se o pé de apoio estiver muito fechado, você não consegue rotacionar o quadril. Deixe o pé de apoio aberto, perto do quadril do adversário, quase encostado na lateral dele. Isso te dá o ângulo certo pra "fechar a porta" com o quadril quando você passar. Parece bobo, mas resolve metade dos passe que ficam pela metade.
Pegadas alternativas
Nem sempre você vai conseguir o controle de pulso limpo. Às vezes o adversário cruza os pulsos e vira o braço pra fora. Nesse caso, use o controle de antebraço em vez de pulso. Em vez de segurar o punho, enfi o antebraço dele com o seu braço todo, como se fosse uma alavanca. Isso dá mais conforto e menos chance do braço escorregar. Outra opção, se a guarda dele for bem aberta, é pegar o manguito. Você desliza o braço por cima do ombro dele e prende o tecido da rash guard na lateral. Funciona bem contra pessoas que tentam empurrar seu braço pra fora.
O que funciona e o que não funciona
O corte na 2 em cima funciona bem contra guarda Fechada tradicional, guarda 50/50, e guarda em garrafas. Não funciona bem contra guarda Aberta de montaria, onde o adversário tem pernas ativas que podem chutar seu pescoço. Também não é ideal contra alguém muito mais pesado que você que souber usar a base — aí você precisa variar o passe ou buscar uma tomada. Se o adversário é extremamente flexível e consegue se virar rápido quando você entra com o joelho, teste o passe por fora primeiro como distracao. Entre com o braço pelo lado externo, faça o adversário reagir pra lá, e então feche o corte na 2 em cima. É um falso movimento que abre espaço suficiente.
Tempo de aprendizado
Leva em média de 3 a 6 meses de treino consistente pra pessoa conseguir executar o passe sem pensar em cada detalhe. Antes disso, ela vai travar, levantar o joelho errado, perder o controle de pulso, ou passar pela metade. Tudo normal. O erro mais frequente nos primeiros meses é entrar com o joelho muito alto — na barriga em vez do traseiro da coxa. Aí o adversário simplemente aperta as pernas e você fica preso no meio. Mantenha o joelho baixo, perto do traseiro, e o passe flui. Treine devagar no começo. Não adianta correr. Execute devagar, sinta onde o peso tem que ficar, e depois vá acelerando. Depois de três meses de prática consciente, o passe já acontece quase automaticamente em situações de rolaçao.