De Acordo Com Kuazaqui 2006 É Função Da Liderança - De acordo com Kuazaqui (2006), é função da liderança: a. Atuar ...
De acordo com Kuazaqui (2006), é função da liderança: a. Atuar ...

O que realmente define a função da liderança na prática

Muita gente estuda teorias de liderança e depois não consegue aplicar nada quando está num grupo de trabalho apertado. De acordo com kuazaqui 2006 é função da liderança estabelecer clareza de papéis, manter o foco nos objetivos do grupo e mediar conflitos internos. Não é mágica. É um conjunto de comportamentos observáveis que você consegue verificar ou não num relatório de avaliação.

A base conceitual

O modelo citado parte do pressuposto de que a liderança não é uma característica imutável da pessoa, mas sim uma função atribuída ao grupo. Isso significa que alguém pode exercer liderança num contexto e não noutro. A diferença está no reconhecimento dos membros do coletivo. Eu já vi gestores com cargo de coordenador serem completamente ignorados pelo time, enquanto um membro júnior, sem qualquer título formal, acabava sendo seguido porque demonstrava competência técnica e capacidade de resolver problemas concretos. O autor ainda divide essa função em três dimensões operacionais: a dimensão task, que cuida do cumprimento das metas; a dimensão relational, que cuida dos vínculos entre os membros; e a dimensão adaptativa, que lida com mudanças externas e internas no ambiente de trabalho. Na minha experiência, a dimensão mais negligenciada pelas organizações é a adaptativa. As equipes são cobradas por resultados imediatos e esquecem que o cenário muda, e quando isso acontece, ninguém estava preparado para a transição.

Como aplicar esse conceito no dia a dia

Eu trabalho com gestão de equipes há anos, e a maioria dos problemas que vejo nascer dessa falta de visão sistêmica. Aqui vai um guia prático baseado no que eu realmente observo funcionar, não no que está nos manuais. Primeiro passo: identificar quem realmente exerce a função de liderança no grupo. Isso nem sempre corresponde ao cargo formal. Faça observações diretas durante reuniões e projetos. Anote quem as pessoas procuram para tomar decisões, quem media desentendimentos, quem traz o foco de volta quando a conversa se perde. Esse mapeamento leva cerca de duas semanas em equipes de tamanho médio.

👉 Clique no botão abaixo para saber mais sobre o assunto!

Segundo passo: alinhar expectativas. Se o líder formal não coincide com o líder real do grupo, isso gera um ruído que custa tempo. Eu já perdi horas tentando resolver um impasse num projeto porque a pessoa que tinha o poder de decisão não era a que todo mundo consultava. A solução foi simples: trazer ambos para uma conversa franca, deixar explícito quem decidia o quê e em quais situações. O problema se resolveu em três reuniões. Terceiro passo: trabalhar as três dimensões propostas. Na dimensão task, use checkpoints curtos e frequência. Reuniões semanais de vinte minutos batem muito melhor do que encontros mensais de uma hora onde se decide nada. Na dimensão relational, crie espaços informais de comunicação. Não precisa ser happy hour obrigatório, mas um canal aberto para feedback sem hierarquia faz diferença. Na dimensão adaptativa, o ponto crucial é criar processos de revisão periódica dos objetivos. Eu adoto uma revisão quinzenal de vinte minutos onde a equipe avalia se o caminho atual ainda faz sentido face às mudanças do mercado ou do projeto.

Problemas reais que eu encontrei e como contornei

Num caso específico, tive uma equipe onde a dimensão adaptativa estava completamente ausente. Mudamos de plataforma tecnológica e metade do grupo simplesmente não se adaptou, gerando quedas de produtividade que duraram meses. O que eu fiz foi estruturar sessões de shadowing onde os membros mais rápidos ensinavam os demais, com troca de função após três semanas. Isso reduziu o tempo de adaptação de quatro meses para cinco semanas. Outro problema recorrente é a sobrecarga do líder. Quando a função de liderança fica concentrada numa única pessoa, ela vira gargalo. Eu recomendo a distribuição de funções de liderança por situação. Uma pessoa lidera na parte técnica, outra na negociação com outras áreas, outra no acompanhamento de prazos. Isso exige maturidade do grupo, mas quando funciona, a resiliência da equipe aumenta significativamente.

O que o modelo não cobre bem

É importante ser honesto sobre as limitações. O modelo em questão foi desenvolvido num contexto organizacional específico e não aborda adequadamente equipes remotas ou híbridas, que são a norma hoje. A dimensão relational, por exemplo, depende muito de presença física para funcionar como descrito. Em times distribuídos, você precisa substituir interações informais por rituais estruturados, como check-ins individuais semanais e reuniões de socialização virtual agendadas. Também não trata de questões de diversidade e inclusão de forma explícita. Equipes com perfis muito distintos podem ter dinâmicas de liderança completamente diferentes do padrão esperado. Mulheres em posições de liderança, por exemplo, frequentemente enfrentam expectativas contraditórias que o modelo original não contempla.

Se o seu contexto for desses, considere complementar com abordagens como a liderança servicial ou a liderança distribuída, que trazem ferramentas mais adequadas para realidades contemporâneas.