A resposta curta e o que todo mundo acaba confirmando depois
O correto é de acordo, sempre escrito em duas palavras. Deacordo não existe na norma culta e não é aceito em nenhum dicionário sério, seja o Houaiss, o Aurélio, o Infopédia ou o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP) da Academia Brasileira de Letras.
de acordo ou deacordo: a regra que resolve a dúvida na hora
O erro de juntar as duas formas vem de uma interpretação equivocada. As pessoas veem "de acordo" funcionando como uma expressão fixa e pensam que, por ser uma locução, deveria se grafar junta. Isso funciona para alguns casos em português — "passarinho", "segundas-feiras", "farelo" — mas não se aplica aqui. "De acordo" é uma locução adverbial prepositiva, e locuções desse tipo se mantêm separadas pela grafia. O teste mais prático que eu uso quando estou em dúvida: se você substituir por "conforme" ou "segundo", a frase continua funcionando e isso confirma que se trata de uma expressão prepositiva, não de um vocábulo unido. "Seguiremos o regulamento de acordo com o prazo" "Seguiremos o regulamento conforme o prazo". Funciona. Por isso se escreve separado.
O problema é que muita gente acaba digitando rápido e a tecla de espaço simplesmente não aparece. Eu já vi isso em relatórios jurídicos, em e-mails corporativos e até em peças de tese de mestrado. A correção é simples, mas o retrabalho que isso gera custa tempo desnecessário.
Como usar corretamente em diferentes contextos
Existembasicamente três usos de "de acordo" em português, e em todos eles a grafia é a mesma: separada. No sentido de conformidade ou concordância: "O cliente assinou o contrato de acordo com as cláusulas." Aqui a expressão indica que algo foi feito em consonância com alguma coisa. Nada muda na grafia.
No sentido de conformidade com regras: "Vamos proceder de acordo com o estatuto." Mesmo padrão. A estrutura é preposição "de" + substantivo "acordo". No sentido de conciliação, ajuste entre partes: "As empresas chegaram a um acordo." Neste caso, "acordo" funciona como substantivo propriamente dito, e "de" é uma preposição que o liga a outro elemento. A separação é natural porque são palavras distintas com funções gramaticais distintas.
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Em nenhum desses casos a unificação justifica-se. A ortografia permanece idêntica.
O caso que me pegou desprevenido uma vez
Trabalhando com processamento de texto para revisão automática de documentos, me deparei com um sistema de validação ortográfica que flagrava "de acordo" como erro e sugerava "deacordo" como correção. O software em questão usava um dicionário desatualizado e tratava a locução como se fosse um termocompoundo, algo que existe em outros idiomas mas não se aplica ao português nessa construção. A solução foi atualizar o dicionário personalizado do corretor com a entrada "de acordo" marcada como forma aceitável, e remover a restrição que forçava a união. Isso economizou cerca de 40 minutos de revisão manual por lote de 200 páginas. Sem essa correção, o revisor tinha que ficar aceitando todas as sugestões do corretor uma a uma, o que é improdutivo.
Quando realmente se junta tudo em português
Para ter uma noção do que poderia justificar uma junção, é útil ver os casos em que a língua portuguesa realmente funde preposição+substantivo. "Vontade" virou "vontade" desde sempre. "Pé de moleque" permanece separado mesmo sendo expressão fixa. "Guarda-chuva" se juntou porque passou por um processo histórico de aglutinação que "de acordo" nunca passou. Expressões como "em cima", "debaixo", "entretanto" receberam tratamento diferente porque tiveram evolução fonética que soldou os elementos. "De acordo" não passou por esse processo. A pronúncia mantém os dois elementos distintos, e a grafia acompanha essa realidade.
O que fazer se você já escreveu errado
Se você já publicou algo com "deacordo", a correção é simplesmente reinscrever com espaço. Não há exceção que justifique a forma junta. Se o contexto for informal — uma mensagem de WhatsApp, um rascunho rápido — o erro passa despercebido, mas em qualquer documento formal, relatório, publicação acadêmica ou material institucional, a forma separada é obrigatória. Dicionários online confiáveis como o Dicionário Priberam, o Michaelis e o Dicio não possuem entrada para "deacordo". A busca por essa forma retorna resultado nulo ou redireciona para "de acordo". Isso não é coincidência. É a prova de que a forma junta não tem registro.
Resumo prático
Sempre escreva separado. Sempre. Não existe variação regional, não existe exceção jornalística, não existe justificativa técnica para a forma junta. Se alguém insistir no contrário, peça para mostrar a entrada no VOLP. Se não conseguir, o argumento cai por si só. Em termos de frequência de erro, isso aparece com regularidade em textos produzidos por falantes não nativos e também em revisões apressadas de quem confia cegamente em corretores ortográficos mal configurados. Uma verificação rápida no dicionário antes de publicar resolve 99% dos casos.