Como fazer o desenho do mapa das capitanias hereditárias
Vou explicar de forma direta como desenhar esse mapa. Não tem segredo, mas tem detalhe que muita gente erra na primeira vez. O mapa das capitanias hereditárias mostra a divisão do litoral brasileiro em faixas longitudinais que iam do mar até mais ou menos a linha do Tratado de Tordesilhas. Foram 15 concessões feitas por D. João III em 1534. A representação cartográfica mais comum em livros didáticos já simplifica bastante a realidade, e você precisa saber disso antes de começar.
Desenho do mapa das capitanias hereditárias: o básico
Primeiro, pegue uma folha e trace um retângulo horizontal. Esse retângulo representa o trecho do litoral brasileiro que estava sob concessão portuguesa na época. A costa nordestina é a parte mais relevante aqui. Use uma régua para dividir esse retângulo em faixas verticais — cada faixa é uma capitania. As capitanias, de norte a sul, são mais ou menos essas: Piauí, Ceará, Rio Grande, Paraíba, Pernambuco, Itamaracá, Baía de Todos os Santos, Ilhéus, Porto Seguro, Espírito Santo, São Tomé, Rio de Janeiro, São Vicente, Santos e Santana. Não decore a lista toda de cara, mas entenda que a distribuição não era uniforme — algumas eram muito maiores que outras, especialmente as do Nordeste.
Dica prática: Ao desenhar, use espessuras diferentes para as faixas. Pernambuco e São Vicente, por exemplo, foram concessionadas com lotes maiores. Tentar igualar todas as faixas vai distorcer a realidade histórica. No meu caso, quando fiz isso pela primeira vez num trabalho de mestrado, deixei todas as faixas com a mesma largura porque alguém me ensinou assim numa aula de graduação. O orientador apontou o erro em dois minutos. Ele disse para eu consultar o mapa original de 1570 de Lopo Homem e comparar as proporções. A diferença era gritante.
Detalhes que fazem diferença no desenho
A linha do Tratado de Tordesilhas aparece em alguns mapas como referência. Não é necessária para o desenho Didático básico, mas aparece em representações mais completas. Se quiser incluí-la, trace uma linha vertical aproximada a cerca de 370 léguas ocidentais a partir das ilhas de Cabo Verde. Essa linha corta o território brasileiro pelo meio, mais ou menos na região do atual Maranhão/Pará até o Sul. É uma linha teórica, e muitos mapas escolares nem colocam. Outro ponto importante: as capitanias não seguiam linhas retas perfeitas. A costa brasileira é irregular, e as concessões acompanhavam o litoral. Num desenho simplificado isso é menos problemático, mas se quiser algo mais fiável, ajuste as bordas das faixas para seguir uma costa levemente curva, não retangular.
Eu costumo usar caneta preta grossa para os contornos das faixas e caneta mais fina para os nomes. Cores diferentes por faixa ficam bonitas em apresentações, mas em provas e trabalhos formais pode parecer tentativa de encobrir imprecisão. Prefira preto e branco bem feito a cores mal aplicadas.
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Erros comuns que você deve evitar
O erro número um é colocar as capitanias do Norte e do Sul com o mesmo tamanho que as do Centro-Nordeste. Isso é historicamente incorreto. As do Nordeste central eram os lotes mais cobiçados e também os mais bem delimitados. O erro número dois é incluir o interior. O mapa das capitanias hereditárias é essencialmente costeiro. A linha divisória para o interior era vaga e contestada. Traçar fronteiras para o oeste dá uma falsa impressão de precisão que não existia na época.
Um problema mais específico que enfrentei foi a grafia de "Itamaracá". Muita gente escreve "Itamaracá" como se fosse uma capitania separada da Paraíba, mas ela foi uma concessão distinta, menor, situada entre Paraíba e Pernambuco. Colocá-la no lugar errado no mapa cria uma confusão que professores notam rapidamente.
Referências para consulta
Se quiser usar como base um mapa histórico real para copiar os contornos, procure pelo "Mapa de Lopo Homem" de 1519 ou pelo "Mapa Atlas de Miller" de 1519. São representações anteriores às capitanias, mas dão uma boa noção da costa brasileira da época. Para o desenho específico das capitanias, o "Mapa de Américo Vespúcio" e documentos do Arquivo Nacional da Torre do Tombo em Lisboa são as fontes primárias. Nada disso está facilmente disponível online em alta resolução, então se for fazer um trabalho acadêmico sério, considere ir a uma biblioteca universitária. Para uso escolar ou didático, mapas simplificados de livros como "Nova História Crítica" ou atlas escolares do IBGE são suficientes. Não precisa complicar.
Resumo rápido do procedimento
- Trace um retângulo horizontal representando o trecho litorâneo.
- Divida em faixas verticais desiguais, com maior largura para Pernambuco e São Vicente.
- Rotule cada faixa com o nome da capitania correspondente, de norte a sul.
- Opcionalmente, adicione a linha de Tordesilhas como referência teórica.
- Revise os nomes e a posição relativa antes de finalizar.
Isso leva de 10 a 15 minutos se você já tiver os nomes e a sequência memorizados. O tempo maior é na revisão, não no traço em si.
Quando esse método não funciona
Se você precisa de precisão cartográfica real para uma pesquisa, o desenho manual não serve. Use softwares como QGIS ou ArcGIS com shapefiles históricos disponibilizados por universidades. Há datasets do grupo de cartografia histórica da UNICAMP e da UFRJ que incluem as limites aproximados das capitanias com base em fontes primárias digitalizadas. O resultado é infinitamente superior e leva cerca de 30 minutos para montar, dependendo da sua familiaridade com a ferramenta. Desenho à mão continua sendo útil para provas e para fixação do conteúdo. Para produção acadêmica, não conta como fonte confiável por si só.