Desta Vez Ou Dessa Vez - Desta Ou Dessa: Entenda A Diferença E Quando Usar Cada Um!
Desta Ou Dessa: Entenda A Diferença E Quando Usar Cada Um!

Como escolher entre "desta vez" e "dessa vez" — sem sofrimento

Essa é uma dúvida que aparece com frequência em revisões de texto, principalmente quando o revisor recebe um documento em português brasileiro de alguém que não escreve diariamente. A regra básica é simples, mas os detalhes é que causam confusão. Eu já perdi tempo revisando contratos inteiros porque o autor havia misturado os dois termos de forma inconsistente ao longo de dez páginas. Vou explicar como funciona, com exemplos práticos.

desta vez ou dessa vez

A diferença entre as duas expressões está no sistema demonstrativo do português. Ambas são combinações da preposição "de" + um demonstrativo + o substantivo "vez". O que muda é o demonstrativo, e é ele que carrega a informação de distância temporal ou espacial em relação ao falante. "Desta vez" usa o demonstrativo "este" (na forma contr "desta"). O demonstrativo "este" indica proximidade com o falante. Quando você diz "desta vez", está se referindo a uma ocorrência que está próxima no tempo, no espaço ou no contexto discursivo em relação a quem fala. É a vez que está acontecendo agora, ou que vai acontecer em seguida, ou que está sendo mencionada no momento presente da conversa.

"Dessa vez" usa o demonstrativo "esse" (na forma contraída "dessa"). O demonstrativo "esse" indica uma certa distância em relação ao falante, mas ainda dentro do campo de referência compartilhado. É o uso mais comum quando se fala de um evento passado que foi previamente mencionado ou que é conhecido pelo interlocutor. "Dessa vez" aponta para um momento que já ocorreu e que está sendo retomado na fala. O problema é que o português brasileiro, especialmente na fala coloquial, tende a usar "desta vez" para praticamente todas as situações, enquanto o português europeu e os manuais de redação formal mantêm a distinção com mais rigor. Eu já vi correctores marcarem "dessa vez" como erro em textos onde o contexto claramente demandava o demonstrativo de distância. O mesmo ocorre ao contrário: alunos portugueses que escrevem para públicos brasileiros acabam usando "dessa vez" em contextos em que "desta vez" soa mais natural.

Vou dar um exemplo direto. Se você está prestes a realizar uma ação e quer expressar esperança ou determinação, diz "desta vez eu consigo". A ação ainda não aconteceu, está no futuro imediato, perto do falante. Se você está contando uma história e menciona que algo deu errado na última ocasião, e depois quer se referir àquela ocasião específica, diz "naquela vez tudo deu errado" ou, dependendo do contexto, "dessa vez em que eu cheguei atrasado, o chefe ficou bravo". A segunda frase só funciona se o ouvinte já sabe qual "vez" você está recuperando da narrativa. Aqui vai uma regra prática que eu uso como ponto de partida: pergunte-se qual é o referente temporal. Se a "vez" em questão é a atual, a imediata, ou a que está sendo introduzida no discurso como objeto de discussão presente, use "desta vez". Se a "vez" é uma ocorrência passada que já foi mencionada ou que é identificável pelo contexto anterior, use "dessa vez". Quando não há um referente claro, "desta vez" é a opção mais segura no português brasileiro contemporâneo.

Existe uma situação que complica tudo e que pouca gente menciona nos manuais: o uso de "dessa vez" como marcador retórico de recuperação de um episódio específico em narrativas orais. Eu estava revisando uma transcrição de depoimento judicial onde a testemunha dizia repetidamente "dessa vez que eu vi o carro" para se referir a um evento que havia ocorrido anos antes. Do ponto de vista estritamente temporal, aquela "vez" estava longe do momento da fala. Mas no registro narrativo, a testemunha estava usando "dessa vez" como um índice de identificação — ela estava apontando para um episódio que era o foco da conversa naquele momento, não para um episódio distante. Marcar aquilo como erro seria um erro meu. A regra gramatical não captura o uso pragmático real. Outro ponto que merece atenção é a contração obrigatória. Sempre se diz "desta vez" e "dessa vez", nunca "de esta vez" ou "de essa vez". A forma não contraída é marcada como errada em qualquer variedade do português normativo. Eu já encontrei isso em e-mails corporativos de executivos que não têm relação com escrita formal e acabam produzindo a forma expandida por influência de estruturas de outras línguas ou por falta de familiaridade com o padrão. A correção é simples: exija a contração.

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Se você precisa de um critério rápido para decidir na prática, funciona assim. Coloque a expressão num contexto mínimo e veja se dá para substituir por "nesta ocasião" ou "nessa ocasião". Se "nesta ocasião" soa natural, use "desta vez". Se "nessa ocasião" soa melhor, use "dessa vez". Não é perfeito, mas cobre a grande maioria dos casos. No português brasileiro moderno, especialmente na escrita informal, "desta vez" acaba predominantando. Em textos formais, como peças jurídicas ou artigos académicos, a distinção deve ser respeitada com mais cuidado. Um caso limite interessante é o uso de "desta vez" em frases com valor conclusivo, como "desta vez aprendi a lição". Aqui não há realmente uma referência temporal concreta — a frase funciona como uma afirmação genérica sobre uma experiência pasada que se quer destacar. Nesse tipo de construção, "dessa vez" também seria compreensível, mas "desta vez" é muito mais frequente e soa mais idiomático. Eu recomendo manter "desta vez" nesses casos, independentemente da variedade do português.

Aqui está um resumo das situações mais comuns: — "Dest vez eu vou conseguir" — futuro imediato, intenção presente. Use "desta vez".

— "Dess vez o sistema caiu e perdemos os dados" — evento passado já contextualizado. Use "dessa vez". — "Est é a melhor proposta que fizemos até dest vez" — referência a um período que se estende até o presente. Use "desta vez".

— "Lemb da dess vez que viajamos para o interior" — recuperação de um episódio específico do passado. Use "dessa vez". Não existe uma regra absoluta que cubra todos os casos porque o uso depende do contexto discursivo e da variedade do português em questão. O que funciona para um falante de Lisboa pode soar estranho para um falante de São Paulo, e vice-versa. Se você está escrevendo para um público específico, o melhor é consultar exemplos reais daquele contexto — uma pesquisa rápida no Google News ou em corpora literários costuma resolver a dúvida em segundos.

O erro mais comum que eu vejo em revisões é a inconsistência. O autor usa "desta vez" numa página e "dessa vez" na seguinte, sem qualquer alteração no referente temporal. Isso cria uma impressão de descuido que prejudica a credibilidade do texto. A correção mais importante não é grammatical, é de coerência: escolha um padrão e mantenha-o ao longo de todo o documento, a menos que haja uma mudança de referente que justifique a troca. Em resumo, a distinção entre "desta vez" e "dessa vez" segue a lógica dos demonstrativos portugueses, mas o uso real é mais flexível do que os manuais costumam apresentar. Aproximação do falante pede "desta vez". Distância ou recuperação de um episódio já introduzido pede "dessa vez". Quando há dúvida, o contexto é quem decide, e a consistência interna do texto é mais importante do que seguir uma regra rígida.