Deste Ano Ou Desse Ano - Deste Ano Ou Desse Ano - FDPLEARN
Deste Ano Ou Desse Ano - FDPLEARN

O guia prático para entender esta ou aquela construção anual

Vou direto ao ponto. Essa dúvida aparece todo santo dia em e-mails corporativos, editações e até em conversas informais. E a maioria das pessoas acha que é só questão de estilo. Não é.

deste ano ou desse ano: a diferença real

O "deste" referencia algo pertencente ao ano em que o falante se situa. O "desse" referencia um ano que não é o atual, ou um ano já mencionado anteriormente na conversa. Parece óbvio, mas o erro acontece justamente nas situações cinzentas, quando o ano mencionado não é nem claramente o presente nem um passado distante. Peguem um exemplo simples. Digamos que estamos em março de 2025. Se eu digo "o relatório deste ano", me refiro a algo vinculado a 2025, o ano corrente. Se eu digo "o relatório desse ano", preciso ter mencionado antes qual ano estou apontando, senão fica solto no ar. O ouvinte vai perguntar: "esse ano" de quê?

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Agora o cenário mais comum de confusão. Você está falando com alguém sobre o balanço fiscal de 2024, mas está em 2025. Se disser "os dados deste ano", seu interlocutor pode entender 2025, não 2024. A solução? Dizer "dos dados de 2024" ou "desse ano de 2024". Sempre especifique quando há risco de ambiguidade. Eu já passei por isso num projeto de consolidação de relatórios trimestrais. O cliente nos enviou planilhas misturando referências a "deste ano" e "desse ano" sem qualquer padronização. Três setores diferentes usaram as construções de formas opostas. Perdi quase dois dias refazendo a classificação das linhas porque não tinha como saber se um determinado dado pertencia ao ano fiscal vigente ou ao anterior. A solução prática que adotei foi criar uma coluna de "referência temporal" em cada planilha, substituindo as construções ambíguas por datas explícitas. Isso eliminou 99% dos erros de interpretação no resto do fluxo.

Outro detalhe que as gramáticas costumam deixar de fora: em português do Brasil, o uso de "deste" para o ano em curso é bem mais frequente do que em variantes europeias. Em Portugal, é comum ouvir "do ano em curso" ou simplesmente o ano por extenso, evitando o pronome demonstrativo. Isso gera ruído em documentos bilíngues e traduções automáticas. Se você trabalha com conteúdo que será lido por falantes de ambas as variantes, a recomendação é usar a data completa sempre que possível. Há também a armadilha dos prazos. Quando uma empresa diz "todo projeto deste ano deve ser finalizado até dezembro", isso pode significar projetos iniciados em janeiro ou projetos vencendo em dezembro. A ambiguidade não é acidental, é estrutural. A forma mais segura de evitar o problema é: "todo projeto iniciado em 2025 deve ser finalizado até 31 de dezembro de 2025".

Resumindo: use "deste ano" apenas quando estiver claramente falando do ano corrente e o contexto deixar isso evidente. Use "desse ano" quando o ano em questão já tiver sido identificado previamente na conversa. E quando houver qualquer chance de confusão, esqueça os demonstrativos e coloque o número do ano na frente. Funciona sempre, em qualquer variante do português.