Dia Da Arvore No Brasil - O Dia da Árvore é comemorado, no Brasil, no dia 21 de setembro, data ...
O Dia da Árvore é comemorado, no Brasil, no dia 21 de setembro, data ...

O que é e como funciona na prática

Dia da Árvore no Brasil é celebrado em 21 de setembro, data criada pelo decreto presidencial de 1954. Não é feriado nacional. As escolas costumam promover mutirões de plantio e as prefeituras organizam eventos, mas a coisa toda funciona muito mais na prática do que nas leis. Se você mora em uma cidade do interior do Sul ou Sudeste, já deve ter visto uma equipe da prefeitura ou dos bombeiros caminhando com mudas pela calçada. É isso que acontece. O decreto que instituiu a data foi assinado por Getúlio Vargas, especificamente o 35.660, em 19 de outubro de 1954. A escolha de 21 de setembro tem a ver com o início da primavera no hemisfério sul, mas também com uma tradição mais antiga de celebrar a natureza no outono boreal, que os imigrantes europeus trouxeram. O problema é que muita gente confunde com o Dia da Árvore americano, que é em 30 de abril. São datas diferentes, propósitos parecidos, mas realidades diferentes no Brasil.

O que você precisa saber sobre o dia da arvore no brasil

Se você quer plantar uma árvore nesse dia, a primeira coisa que precisa entender é que a data em si não obriga ninguém a nada. Não existe multa, não existe cadastro federal, não existe formulário para preencher. O que existe são programas municipais isolados que variam completamente de cidade para cidade. Em Porto Alegre, por exemplo, a secretaria do meio ambiente costuma distribuir mudas gratuitamente nos dias que antecedem 21 de setembro. Em São Paulo, o programa é mais restrito e exige que o interessado faça um cadastro prévio no site da prefeitura. Em cidades menores do interior gaúcho ou paranaense, muitas vezes o plantio é organizado por escolas ou igrejas e quem leva a iniciativa é um professor ou pastor, não o poder público. Eu já enfrentei esse problema na prática quando tentei participar de um mutirão em uma cidade do Vale do Itajaí. O edital falava sobre mudas nativas, mas na hora do evento só tinham espécies exóticas disponíveis, como eucalipto e pinus, que eram as únicas que o viveiro municipal tinha estoque. A pessoa que estava organizando explicou que era por falta de verba. Eu plantei mesmo assim, porque não adiantava brigas, mas levou dois anos até eu perceber que aquilo ali era uma limitação estrutural e não um equívoco pontual. Recomendo sempre perguntar antes qual espécie está sendo distribuída. Mudas de eucalipto em área urbana são um desastre garantido: raízes agressivas, copa desproporcional e risco de queda em tempestades.

Como plantar da forma correta, sem complicação

A maioria das pessoas planta árvore errado e nem percebe. O buraco é rasa, a terra é compactada e a muda sofre até se adaptar. A técnica básica, quando feita direito, aumenta significativamente a chance de sobrevivência. Vou ser direto sobre o processo. Cave um buraco com pelo menos três vezes a largura do torrão da muda. A profundidade deve ser suficiente para que o colo da árvore, que é a parte onde o tronco encontra as raízes, fique nivelado com o solo. Não enterre o colo. Isso mata a planta. Coloque a terra retirada do buraco misturada com composto orgânico, na proporção de uma parte de composto para duas de terra. Encha devagar, batendo levemente as laterais para soltar bolhas de ar. Regue abundantemente depois de plantar, mesmo que esteja chovendo. A água precisa penetrar até o fundo do buraco, não só molhar a superfície.

Um detalhe que poucas pessoas levam em conta é a proteção inicial da muda. Um tuto de bambu ou madeira, cravado ao lado do tronco sem encostar diretamente, evita que o vento derrube a muda nos primeiros meses. Amarrar com elástico de instalação, nunca com arame ou corda dura, porque o material ruim vai marcar o tronco e entrar no cash das feridas. Eu já vi mudas de ipê morrerem nos primeiros meses só porque foram amarradas com fio de nylon que foi cortando a casca com o crescimento.

Especie adequadas por região, sem rodeio

Escolher a espécie errada é o erro mais comum e o mais caro. Matar uma árvore leva anos, mas escolher errado leva três minutos. Aqui vai um guia rápido baseado em regiões, com o que realmente funciona. No Sul do Brasil, espécies como o ipê-amarelo, a canela-farinaça, o paulínia e o jaboticaba se adaptam bem. O ipê-amarelo é bonito, mas cresce devagar e precisa de sol pleno. A jabuticaba exige um cuidado maior com pragas, mas é valiosa para quintais pequenos. No Sudeste, o jequitibá-rosa, o palmeira-imperial e a figueira-papuda são opções sólidas. No Centro-Oeste, o pau-brasil, nativo da Mata Atlântica, tem mudas disponíveis via IBAMA mediante autorização. Sem essa autorização é crimeambiental, então não tente conseguir muda pela internet.

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No Norte e Nordeste, as condições são completamente diferentes. Espécies como o cumaru, o jequié e a ipacurana se adaptam melhor ao clima quente e seco. A pegadinha aqui é que muitos viveiros vendem mudas de espécies de mata Atlântica para o sertão, achando que vão dar certo porque são " árvores brasileiras". Não dão. Cada bioma tem suas adaptações e o plantio de espécies fora da zona nativa geralmente resulta em mortalidade alta nos primeiros dois anos.

O que a lei fala sobre o plantio e a conservação

O Brasil tem legislação ambiental sólida sobre árvores, mas a aplicação é irregular. A Lei Federal 4.771 de 1965, que institui o Código Florestal, define árvores como parte integrante do patrimônio florestal. Isso significa que cortar uma árvore adulta em sua propriedade particular pode exigir autorização, dependendo da área e do bioma. Em zonas urbanas, muitas prefeituras têm leis municipais próprias que protegem árvores de porte médio e grande. O problema é que essas leis são desconhecidas pela maioria das pessoas e raramente fiscalizadas de forma consistente. Um exemplo prático: em Curitiba, há um cadastro municipal de árvores urbanas. Se você mora em uma rua com árvores registradas, não pode podar ou remover sem autorização da secretaria de meio ambiente. A penalidade pode ir de multa a obrigação de plantar múltiplas mudas. Já em cidades do interior paranaense, não existe cadastro algum e o responsável pela poda é o proprietário do terreno, sem qualquer fiscalização. A diferença é brutal e depende inteiramente do município.

Outro ponto importante é a legislação sobre árvores em calçadas. A responsabilidade pela manutenção geralmente recai sobre o proprietário do imóvel adjacente, mas isso varia conforme o código de posturas de cada cidade. Em algumas localidades, a prefeitura é obrigatória a fazer a poda periódico em árvores de porte médio. Em outras, o morador resolve tudo sozinho, o que leva a podas incorretas e devastadoras que comprometem a saúde da árvore a longo prazo.

Alternativas se voce não pode plantar em 21 de setembro

A data em si é simbólica. Não há nada errado em plantar uma árvore em qualquer mês do ano. Na verdade, plantar fora do dia 21 de setembro pode ser mais inteligente do que tentar participar de mutirões superficiais. Organizar seu próprio plantio, escolher a espécie certa para o local, preparar o solo adequadamente e fazer a manutenção nos primeiros meses dá muito mais garantia de sucesso do que pegar uma muda qualquer de um evento improvisado e deixar ela ali no canteiro sem acompanhamento. Se o objetivo é apenas contribuir com a causa, existem ONGs e projetos de reflorestamento que precisam de voluntários e doadores durante todo o ano. O Projeto Árvore, o SOS Mata Atlântica e o Instituto Chá de Árvore são alguns exemplos de organizações que trabalham com plantio e conservação florestal no Brasil. A contribuição financeira delas costuma ser mais eficiente do que o plantio pontual de uma muda sem suporte técnico, que tem uma taxa de mortalidade altíssima nos primeiros meses.

O dia 21 de setembro continua sendo útil como momento de conscientização. Mas a conscientização sem ação contínua é só um gesto cosmético. O que importa mesmo é escolher uma espécie adequada, preparar o solo corretamente e manter a muda viva por pelo menos dois anos, que é o período crítico de estabelecimento. Depois disso, a árvore praticamente se sustenta sozinha.