Dia Dos Erês Na Umbanda - 27 de setembro é dia dos Erês e de São Cosme e Damião na umbanda ...
27 de setembro é dia dos Erês e de São Cosme e Damião na umbanda ...

O que é o Dia dos Erês na Umbanda — e o que acontece quando você tenta organizar um trabalho real

Muita gente confunde o Dia dos Erês com algo exclusivamente infantil ou festivo. A realidade é bem diferente. O dia consagrado aos Erês na tradição umbandista não é feriado cívico, mas sim uma data litúrgica que cai em sintonia com as celebrações católicas de 1º de novembro (Dia de Todos os Santos) e 2 de novembro (Finados), dependendo da corrente do terreiro. Os Erês, conhecidos como Caboclinhos, são espíritos de crianças que evoluíram nas linhas de Oxalá e representam a pureza, a inocência necessária para a desobstrução energética e o contato direto com a espiritualidade. Eles trabalham principalmente na desobsessão leve, na limpeza de cargas emocionais e na desconexão de laços obsessivos que se ancoram em famílias.

como funciona o dia dos erês na umbanda na prática

O trabalho típico envolve uma sessão aberta, com oferendas de doces, balas, brinquedos e frutas para os Erês. A maioria dos terreiros faz uma festa simbólica, mas o cerne da coisa é a abertura de caminhos espirituais para crianças já falecidas que precisam de amparo, além da desconexão de obsessores que se camuflam sob a figura de crianças. O pai de santo ou a mãe de santo conduz a sessão, abrindo os pontos, invocando as linhas de Oxalá e fazendo a chamada dos Erês presentes. As crianças que estão no mundo físico podem se sentar com as famílias, receber seus doces e participar da leitura de jogos, se houver consulta. O que pouca gente conta é que o preparo do espaço leva tempo. Você precisa montar o altar de Oxalá com velas brancas, colocar às claras de seis em seis, oferecer água em bacias de alumínio, separar os doces por tipo e cor, e principalmente garantir que o ambiente seja seguro para crianças pequenas. Eu já vi gente organizar tudo às pressas e deixar balas soltas no chão onde crianças podiam pisar ou engolir sem supervisão. Isso não é brincadeira. Um filho de santo meu quase se machucou numa ocasião assim e tive que interromper a sessão porque o barulho das crianças correu o salão todo. A correção foi simples: criar um espaço delimitado com tapetes e brinquedos seguros, afastado do altar principal, e ter um voluntário responsável por aquela área durante toda a sessão.

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Outro ponto que ninguém enfatiza o suficiente é a questão dos espíritos que se disfarçam de Erês. Parece contraintuitivo, mas existem entidades espúrias que se apresentam como crianças para ganhar acesso mais rápido às famílias e criar laços de dependência emocional. O sinal clássico é quando o "Erê" pede coisas fora do padrão — roupas caras, objetos pessoais, dinheiro, ou se mostra excessivamente apegado a uma criança específica da banca. A solução que eu uso é solicitar a presença do Exu Mirim e do Caboclo das Sete Encruzilhadas antes de qualquer trabalho com os Erês. Se o espírito não se submeter a essa triagem, é espúrio. Não adianta insistir.

o que acontece nos bastidores que você precisa saber

A sessão de Dia dos Erês costuma ser uma das mais agitadas que existem. Crianças no mundo físico emocionam-se, choram, riem, correm. Isso gera ruído energético alto, o que pode atrapalhar mediuns mais sensíveis que estão em trabalho de incorporação. Meu conselho prático: mediuns iniciantes ou com mediana muito aberta devem ficar nos fundos durante a parte mais intensa. Não adianta forçar presença. A sessão dos Erês dura em média de 2 a 3 horas, mas o descarrego energético posterior pode levar horas a mais se a pessoa tiver tido contato direto com múltiplas entidades. Existe também a questão logística que rara literatura aborda: o descarte correto das oferendas. Doces não consumidos pelas crianças devem ser dados a mendigos ou distribuídos em instituições infantis no dia seguinte. Deixar doces apodrecendo no altar é um erro comum que atrai insetos e genera mau-odor, o que spiritualmente significa estagnar a energia do trabalho. Já perdi uma sessão inteira porque as formigas chegaram nos doces antes de eu perceber e a energia do terreiro ficou pesada para o resto do mês. A partir daí, resolvi que toda oferta não consumida seria recolhida e doada em até 24 horas, com registro em livro próprio.

Se você não tem vínculo com um terreiro e quer participar, a orientação é clara: procure uma casa confiável com antecedência, não chegue no dia marcando presença esperando vaga. Terreiros sérios fazem lista de presença porque precisam controlar o fluxo de pessoas e espíritos. A fila para consultas com Erês costuma ser grande, e os tempos de espera variam de 30 minutos a 2 horas, dependendo do número de médiuns em atividade e da quantidade de demandas acumuladas. O Dia dos Erês na umbanda é uma data importante, mas exige preparo, respeito à hierarquia espiritual e consciência dos riscos reais. Não é festa de aniversário. É trabalho sério de assistência espiritual que, quando mal conduzido, pode gerar mais problemas do que soluções.