Do Que O Tijolo É Feito - Do Que O Tijolo é Feito - NAZAEDU
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A composição real do tijolo

O tijolo comum é feito basicamente de argila, água e, em alguns casos, aditivos como areia ou cinza volante. A argila é o componente principal — geralmente caolin, bentonita ou outras argilas expansivas — e é ela que determina o comportamento do material durante a secagem e a queima. A água entra na mistura para dar plasticidade, permitindo que a massa seja moldada. Depois de conformado, o tijolo vai para o forno a temperaturas que variam entre 900 °C e 1.200 °C, dependendo do tipo de argila e da aplicação desejada.

do que o tijolo é feito: a resposta prática

Se você está numa obra e precisa saber a composicao exata de um lote de tijolos, o primeiro passo é olhar a ficha técnica do fabricante. Mas a ficha nem sempre revela tudo. Eu aprendi isso na pior forma quando comprei um caminhão de tijolos cerâmicos para uma alvenaria estrutural em São Paulo. O fornecedor garantiu que eram tijolos de alta resistência, com compressao acima de 5 MPa. Na hora do recebimento, resolvi fazer uma prova simples: amassar um pedaço e queimar na minha propria forninha de teste. O resultado foi uma peça que desintegrou com a primeira chuva forte. A argila tinha pouco teor de alumínio e muito ferro, o que baixava drasticamente a resistencia após a queima. O fabricante tinha usado um ciclo térmico rapido demais, economizando gas, mas comprometendo a sinterização. Troquei o fornecedor e perdi uma semana de obra. A diferenca entre um tijolo bom e um ruim não está só na matéria-prima. Está no processo. Tijolos fabricados com argila adequada, misturada na umidade certa e queimados de forma lenta e controlada, atingem densidade e durabilidade muito superiores. Já os produzidos com materiais mal selecionados ou com queima apressada tendem a ter porosidade excessiva, absorvendo água e deteriorando-se mais rápido. Isso é especialmente critico em regiões com grandes variações de temperatura e umidade, como o Sul do Brasil, onde ciclos de congelamento e degelo podem quebrar tijolos mal cozidos em poucos anos.

Além do tijolo ceramico tradicional, existem outras variantes. O tijolo ecológico, por exemplo, não passa por queima. É feito de cimento, areia e solo cimentício, comprimido mecanicamente. Não tem a mesma resistencia a compressao que um tijolo ceramico de qualidade, mas resolve problemas logísticos e ambientais em obras menores. O tijolo de concreto, também conhecido como bloco de cimento, é ainda mais comum em fundações e muros de arrimo. Sua composicao é simples: cimento Portland, areia, pedra britada e agua. A resistencia vem da relacao agua/cimento e da compactacao durante a fabricacao. Há também os tijolos refratários, usados em fornos, chaminés e lareiras. Esses levam alumina, sílica ou carbono à sua composicao, e suportam temperaturas bem mais altas que o tijolo comum. Um tijolo refratário de alta alumina pode aguentar mais de 1.600 °C sem amolecer. O problema é o custo. São peças caras, pesadas e difíceis de encontrar em pequenas cantidades. Se você precisa revestir um forno artesanal, vale a pena investir nelas. Se é só uma lareira residencial, um tijolo ceramico de boa qualidade já basta.

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Um ponto que muitos construtores ignoram é a diferenca entre tijolo macico e tijolo furado. O macico é mais denso e resistente, mas também mais pesado e caro. O furado, com seus vazios internos, perde parte da resistencia, mas ganha em isolamento termico e facilidade de manuseio. Para paredes divisórias internas, o furado é suficiente. Para cargas estruturais, o macico é o caminho. Eu já vi gente tentar usar tijolo furado em vedações externas de dois andares. A parede entortou em seis meses. A carga era maior que a capacidade da peça. Outro aspecto pratico é a absorcao de agua. Tijolos novos, saídos do forno, tendem a secos e precisam ser molhados antes de assentados. Se você colocar o tijolo seco na argamassa, ele suga a agua da massa rapidamente, comprometendo a ligacao e a resistencia final. A regra geral é molhar até parar de formar manchas escuras na superficie. Isso leva de 10 a 20 minutos de imersao, dependendo do tipo de argila. Nunca use o tijolo encharcado, porque o excesso de agua na interface reduz a aderencia da argamassa.

Quem trabalha com reforma antiga também se depara com os tijolos de adobe, feitos de terra crua sem queima. São extremamente comuns no Nordeste e no Centro-Oeste. A composicao é simplesmente terra argilosa, agua e fibra veget al (palha, capim) como amianto natural. A resistencia é baixa, mas a Isolacao termica é excelente. O defeito é a durabilidade. Sem proteção contra chuva e umidade, o adobe derrete em uma temporada. A solucao pratica é revestir com cal ou cimento, mas isso muda completamente a estética e a respirabilidade da parede. Eu já vi casas de adobe que duraram mais de cem anos só porque eram bem projetadas: telhados largos, fundações altas e ventilação adequada. As que desmoronaram foram as que tiveram agua parada nos pés. Se voce quer testar a qualidade de um tijolo antes de comprar em grande quantidade, faça estes dois testes simples. O primeiro é a prova de impacto: deixe cair o tijolo de cerca de um metro de altura em uma superficie dura. Se partir em muitos pedaços pequenos, a queima foi insuficiente. Se apenas lasc ar uma borda, está bom. O segundo é a prova de absorcao: pese o tijolo seco, mergulhe em agua por 24 horas e pese novamente. A difer enca percentual deve ficar entre 10% e 20% para tijolos cerâmicos de boa qualidade. Acima de 25%, há risco de problemas de durabilidade em climas úmidos.

Existem ainda normas técnicas que regulam a fabricacao. No Brasil, a ABNT NBR 7171 define os requisitos para tijolos cerâmicos maciços, enquanto a NBR 10838 cobre os bloco’s cerâmicos para alvenaria. Se você está numa obra e o fornecedor não fornece a declaraçao de conformidade, exija. Sem ela, não há garantia de que o produto atende aos requisitos mínimos de resistencia e durabilidade. Já aconteceu comigo de um engenheiro fiscal rejeitar um lote inteiro por falta desse documento, mesmo que os tijolos parecessem bons a olho nu. A escolha do tipo certo de tijolo para cada aplicacao é um dos fatores mais negligenciados em construções residenciais. Comprar o mais barato nem sempre sai barato. Um tijolo mal fabricado pode exigir reboco mais grosso, mais argamassa e mais mão de obra, sem contar o risco de trincas e infiltrações no futuro. O custo inicial parece menor, mas o ciclo de vida da obra aumenta significativamente. Eu prefiro sempre trabalhar com fabricantes locais conhecidos, que dão suporte técnico e podem mostrar exemplos de obras antigas feitas com seus produtos. Isso vale mais do que qualquer certificado engavetado.