As principais frentes e comandantes de 1917 na Primeira Guerra Mundial
O ano de 1917 foi um ponto de virada operacional, não apenas político. A entrada dos Estados Unidos na guerra mudou a dinâmica logística, mas os comandantes que já estavam no cargo continuaram tomando decisões que definiram o rumo do conflito. Entender quem liderava onde ajuda a explicar por que algumas campanhas falharam e outras se arrastaram por meses.
Principais em 1917 liderados por figuras-chave
No front ocidental, os alemães contavam com o comando conjunto de Paul von Hindenburg e Erich Ludendorff, que haviam assumido o controle estratégico após a Batalha do Somme. Eles eram pragmáticos: preferiam recuar para linhas fortificadas quando a situação exigia, em vez de sacrificar tropas em ataques frontais desnecessários. A retirada para a Linha Hindenburg em março de 1917 reduziu a frente alemã em cerca de 40 quilômetros e consolidou defesas em profundidade que os Aliados levariam meses para atravessar. Os britânicos, sob o comando do Marshal Haig, continuaram com a filosofia de desgaste incremental. Em Passchendaele, a operação durou três meses e custou mais de 250 mil baixas por poucos quilômetros de avanço. O terreno alagado e a chuva constante tornaram o campo de batalha um pântano praticamente impraticável. Haig sabia disso, mas insistia porque acreditava que o Exército Britânico precisava provar capacidade ofensiva antes da chegada maciça das tropas americanas.
No setor francês, Robert Nivelle comandou a ofensiva de Abril de 1917 com a promessa de um "breakthrough" decisivo. O plano dependia de uma ruptura rápida seguida de forças de reserva cavaleirescas explorando a brecha. A ofensiva falhou em três dias. A defesa alemã, organizada em zonas posteriores, absorveu o ataque e os franceses sofreram mais de 100 mil baixas sem ganho territorial significativo. Nivelle foi substituído por Maurice Pétain em maio. A Revolução Russa de 1917 também teve seus comandantes. O Grande Duque Nicolau Nikolaevich havia sido o comandante-em-chefe do Exército Russo desde 1915, mas foi substituído pelo czar Nicolau II pessoalmente, uma decisão que se mostraria desastrosa. Tropas russas no front oriental estavam desmoralizadas, com moral baixa e deserções aumentando. O novo governo provisório de Aleksandr Kerensky tentou manter a guerra, lançando a Ofensiva de Kerensky em junho, que inicialmente avançou mas colapsou rapidamente sob contra-ataques austríacos e alemães.
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Os italianos enfrentavam sua própria crise. Após a catástrofe de Caporetto em outubro de 1917, onde o General Cadorna viu seu exército ser derrubado por forças austro-alemãs lideradas por Otto von Below, Cadorna foi demitido e substituído por Armando Diaz. Caporetto custou à Itália cerca de 300 mil entre mortos, feridos e prisioneiros. A linha de frente recuou até o rio Piave, e a reorganização italiana levou semanas. No Mediterrâneo, a guerra submarina irrestrita alemã foi a principal estratégia naval. O almirantado alemão, liderado por Hippolyte von Kolb e apoiado por subordinados como Rosa von Liebermann, determinou que afundar navios sem aviso seria a forma de estrangular o abastecimento britânico. Isso trouxe os EUA para a guerra, mas os convoy systems implementados pelos britânicos em meados de 1917 reduziram drasticamente as perdas. Antes dos convoys, os porta-aviões e navios mercantes navegavam isoladamente; depois, organizados em grupos com escolta, as perdas caíram de 500 mil toneladas mensais para cerca de 200 mil.
Lições práticas sobre comando em 1917
O que eu observei ao estudar esses períodos é que os comandantes que sobreviveram politicamente foram aqueles que souberam adaptar a doutrina ao terreno real, não ao terreno nos mapas. Hindenburg e Ludendorff entendiam que a defesa em profundidade era mais eficiente do que linhas estáticas. Pétain, após substituir Nivelle, focou em defesa ativa e moral das tropas, evitando ofensivas custosas por quase um ano. Diaz, na Itália, reconstruiu a confiança das tropas antes de retomar a ofensiva. Um erro comum ao pesquisar sobre esse período é atribuir decisões a comandantes que já haviam sido substituídos. Por exemplo, Kadorna ainda era comandante italiano durante Caporetto, mas muitas fontes generalizadas confundem o início da ofensiva com o período de Diaz. Sempre verifique a linha do tempo das substituções. Em agosto de 2019, quando estava revisando dados para um trabalho acadêmico sobre logística militar, percebi que várias bases de dados online tinham datas de comando inconsistentes sobre o Alto Comando Russo. A solução foi cruzar fontes primárias com diários de campo e ordens do dia, que são muito mais confiáveis do que resumos secundários.
Outra nuance importante: o termo "liderados por" em 1917 muitas vezes esconde hierarquias complexas. Nos EUA, o General John J. Pershing chegou à França em junho de 1917, mas as tropas americanas não atuaram como um exército independente até 1918. Durante todo o resto de 1917, americanos foram distribuídos entre linhas francesas e britânicas para treinamento. Isso significa que qualquer referência a "tropas americanas em 1917" como força coesa é historicamente imprecisa. Se você está buscando informações mais detalhadas sobre comandantes específicos ou batalhas particulares, recomendo começar pelos arquivos nacionais dos respectivos países. Documentos militares soviéticos/russos, por exemplo, frequentemente ficam espalhados entre arquivos de Moscou e San Petersburgo, e cópias digitalizadas nem sempre estão sincronizadas entre fontes. A desconfiança em bases de dados agregadas é saudável; verificar a fonte primária sempre vale o tempo extra.