Em Uma Turma De Uma Escola Há 90 Alunos - [CONJUNTOS] Em uma turma de uma escola, há 90 alunos. Eles escolheram ...
[CONJUNTOS] Em uma turma de uma escola, há 90 alunos. Eles escolheram ...

Probabilidade e combinações quando há muitas pessoas na mesma sala

Vou abordar isso pelo lado prático, porque é o jeito que funciona na vida real. em uma turma de uma escola há 90 alunos, qualquer exercício que envolva probabilidade, combinação ou permutação precisa ser tratado com cuidado — senão o resultado sai completamente errado e você perde tempo.

Cálculo de arranjos e distribuições em turmas grandes

O primeiro erro que eu vejo acontecer todo ano é o aluno aplicar a fórmula de combinação simples sem pensar se a ordem importa ou não. Quando eu trabalhava como professor particular, me deparei com um aluno que estava resolvendo um exercício onde 90 alunos precisavam ser divididos em grupos de 5 para uma gincana. Ele escreveu C(90, 5) e considerou o problema resolvido. O problema era que ele não estava lidando apenas com a formação de um grupo — eram 18 grupos distintos, e a resposta correta envolvia fatorial dividido por produto de fatoriais, não uma única combinação. A fórmula geral para dividir N elementos em grupos de tamanho k é:

N! / [(k!)^m · m!] onde m é o número de grupos (N dividido por k). No caso dos 90 alunos formando grupos de 5, temos m = 18. O resultado numérico é um número extremamente grande — na casa dos 10 elevado a 47 — o que por si só já indica que estamos lidando com algo que não cabe numa calculadora comum. Eu costumo recomendar usar logaritmos ou o Stirling's approximation quando os números ultrapassam 20!, porque a precisão flutuante do padrão IEEE 754 começa a falhar.

O problema da coincidência de aniversários aplicado a 90 pessoas

Este é um dos exemplos mais úteis para demonstrar como intuição falha com grandes conjuntos. A pergunta clássica é: qual a probabilidade de pelo menos duas pessoas numa turma de 90 alunos fazer aniversário no mesmo dia? A resposta, contra-intuitivamente, é praticamente 100%. O cálculo se faz usando o complemento — a probabilidade de TODOS os aniversários serem diferentes — e multiplicando (364/365) × (363/365) × ... até 276 termos. Eu já vi alunos acharem que a chance seria baixa porque "são apenas 90 pessoas e 365 dias". A matemática mostra que com 23 pessoas a probabilidade já ultrapassa 50%. Com 90, sobra pouco espaço para colisões. O valor exato da probabilidade deCollision é 1 menos o produto mencionado acima, que resulta em algo como 0,9999997. Ou seja, é quase certo.

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O que ninguém ensina nas apostilas é que esse modelo assume anos sem leap day e distribuição uniforme de nascimentos, o que não é real. Em dados reais de escolas, há concentração sazonal — nascimentos concentrados entre março e setembro, com queda em dezembro e janeiro. Se você quiser precisão real, use a distribuição empírica de nascimentos do seu país, não o modelo teórico.

Análise estatística descritiva com 90 registros

Do ponto de vista de estatística aplicada, 90 observações já entram na zona onde o Teorema Central do Limite faz efeito com boa aproximação. Isso significa que a média amostral tende a distribuição normal mesmo que os dados originais não sejam normais. Eu uso isso o tempo todo em planilhas de notas escolares. Os parâmetros que valem a pena calcular são: média aritmética, mediana, desvio padrão amostral (dividindo por n-1, não por n), coeficiente de assimetria de Pearson e coeficiente de variação. O último é especialmente útil porque normaliza a dispersão — permite comparar turmas com médias diferentes. Uma turma com média 6,5 e desvio 2,0 tem variabilidade relativa de 30,8%. Outra com média 8,0 e desvio 1,5 tem CV de 18,75%. A segunda é mais homogênea, apesar de ter desvio absoluto maior.

Limitação importante: com 90 alunos, outliers podem distorcer significativamente a média. Eu sempre reporto a mediana junto com a média. Se a diferença entre as duas for maior que 15% da amplitude interquartil, há indício forte de distorção por valores extremos. Nesse caso, a média perde utilidade como indicador central.

Problemas de contagem com restrições práticas

Vou mencionar um caso específico que apareceu numa prova que eu corrigi. O enunciado pedia: "de 90 alunos, quantas comissões de 6 podem ser formadas se dois deles se odeiam e não podem estar juntos?" A solução correta envolve subtrair os casos proibidos do total. Total de comissões sem restrição: C(90,6). Comissões com ambos os inimigos presentes: C(88,4). Resultado: C(90,6) - C(88,4). Alunos que simplesmente ignoraram a restrição e deram C(90,6) como respostaaram metade da pontuação. Outro padrão recorrente envolve posições restritas — tipo "o aluno A deve ficar obrigatoriamente na primeira posição da fila". Aí a resposta é simplesmente fixar uma posição e permutar os restantes: P(89). Parece óbvio, mas em combinações mais complexas, como "A e B devem estar juntos, mas C não pode estar ao lado de A", o raciocínio precisa ser dividido em casos, não aplicado de forma mecânica.

Ferramentas e quando elas falham

Para cálculos com 90 alunos, eu recomendo Python com a biblioteca decimal para evitar overflow, ou WolframAlpha para verificações rápidas. Planilhas como Excel começam a dar erro a partir de C(67, k) porque o fatorial de 67 excede 2^53. Se você precisar de combinações maiores que isso, use log-combinação: lgamma(n+1) - lgamma(k+1) - lgamma(n-k+1), depois exponencie. O resultado em log espaço énumericamente estável e pode ser convertido depois. Também é válido mencionar que muitos problemas escolares usam 90 alunos justamente porque 90 = 9 × 10, facilitando divisões exatas em grupos de 5, 6, 9, 10, 15, 18, 30 ou 45. Mas na prática real, turmas raramente têm exatamente 90 alunos — o número é arredondado para facilitar a correção de provas. Se o seu contexto é uma escola real, verifique o número exato antes de aplicar fórmulas que assumem divisibilidade perfeita.