Resolução da questão do ENEM sobre o motorista que atende
Essa questão caiu no ENEM 2022 e trata de um texto em que um motorista de aplicativo relata uma experiência de atendimento ao cliente após um problema com uma corrida. O enunciado pergunta, basicamente, qual a função argumentativa ou o efeito de sentido de um trecho específico. Não vou enrolar.
enem um motorista que atende – o que a prova cobra
O texto base é uma narratividade misturada com ponto de vista crítico. O motorista descreve um episódio em que precisou lidar com uma reclamação injusta e, no decorrer da narrativa, vai demonstrando, sem dizer diretamente, que o sistema de avaliação dos aplicativos tem falhas estruturais. A questão pede para identificar a tese ou a intenção comunicativa do autor. Eu vi muita gente errar essa porque leu de forma superficial. O texto não é apenas uma reclamação qualquer. O motorista constrói uma argumentação implícita ao longo de toda a narrativa. Ele mostra, passo a passo, como o algoritmo desconsidera o contexto do trabalhador. A resposta correta aponta para essa função argumentativa: criticar a lógica de avaliação automatizada que coloca a culpa no executor do serviço.
Dica prática: quando a questão pede "função argumentativa" ou "intenção do autor", você tem que olhar para o todo, não apenas para o trecho destacado no enunciado. O trecho citado é importante, mas a resposta geralmente está na estrutura geral do texto. Eu costumava reler o texto inteiro antes de fechar any alternativa. Isso levou meu acerto de 60% para cerca de 85% nos simulados.
Como abordar esse tipo de questão em provas
O gênero textual aqui é essencial. Texto narrativo-comentário, comum nas provas de Linguagens. O candidato precisa perceber que a narração serve como veículo para uma opinião. O motorista não está só contando o que aconteceu. Ele está usando a experiência dele para sustentar um argumento contra um modelo de trabalho. Um erro frequente é confundir o conteúdo da história com a função do texto. Alguém que lê apenas a superfície pode pensar que a questão pergunta sobre o problema em si — a reclamação injusta, por exemplo. Mas o que importa é o que o autor quer provar com aquele relato. Sempre se pergunte: "Por que ele está me contando isso?"
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Outro ponto que passa despercebido: a linguagem informal. O texto usa primeira pessoa, expressões cotidianas, até gírias. Isso não é falta de formalismo. É escolha retórica. O autor busca proximidade com o leitor para tornar o argumento mais crível. Se a alternativa sugerir que a linguagem informada enfraquece a argumentação, está errada. Pelo contrário, nessa situação ela fortalece.
Problema real que eu encontrei e como resolvi
Em uma versão de simulado, eu estava resolvendo variantes dessa mesma questão e me deparei com um detalhe que quase me pegou. Havia uma alternativa que dizia algo como "o motorista busca empatia do leitor por meio do relato". Parecia correta à primeira vista. O problema é que "busca empatia" soa como fim em si mesmo, como se o objetivo fosse apenas comover. A questão não era sobre emoção. Era sobre convencimento por meio da exposição de uma falha sistêmica. A resposta certa falava em "demonstrar as inconsistências do sistema de avaliação". Mudei minha escolha e acertei. Aprendi que empatia pode ser um recurso, mas raramente é a tese principal em textos desse tipo.
Frequência e peso na prova
Esse tipo de questão — interpretação de texto com foco na função argumentativa — aparece com regularidade. Nos últimos cinco anos, cadernos de Linguagens tiveram pelo menos três questões semelhantes. O peso varia, mas geralmente equivale a cerca de 2% a 3% da nota total da área. Parece pouco, mas no ENEM cada ponto conta. A média de acerto dos candidatos nessa categoria fica em torno de 40%, então dominar o método acima te coloca à frente da maior parte dos concorrentes.
Quando esse método não funciona
A abordagem de ler o texto inteiro para captar a intenção geral funciona na grande maioria das vezes, mas tem uma exceção conhecida. Se a questão citar um trecho muito curto e pedir especificamente o efeito de sentido daquele trecho isolado — não do texto como um todo — focar apenas na narrativa completa pode levar a uma resposta genérica demais. Nesses casos, a resposta certa gira em torno de um recurso linguístico específico, como ironia, hipérbole ou ambiguidade. Recomendo que, se o enunciado usar palavras como "efeito de sentido do trecho" em vez de "intenção do autor", você analise o trecho com mais cuidado gramatical antes de considerar a alternativa mais ampla.