Célsulas escamosas na amostra: o que são e por que aparecem
Epitélios representados na amostra escamoso refere-se à presença de células da camada mais externa do epitélio escamoso não queratinizado ou queratinizado, dependendo do local de coleta. No dia a dia do laboratório, isso é mais comum do que a maioria dos técnicos admite. Aparece quando o dispositivo de coleta raspa inadvertentlyemente a pele perineal, as dobras vulvares ou, no caso de material cervical, a vagina inferior.
O que significa ter epitélios representados na amostra escamoso
Não é um erro de coleta em si, mas indica que a amostra foi contaminada com células de uma região diferente da alvo. A interpretação muda radicalmente conforme o contexto. Em citologia cervical (Papanicolau), células escamosas maduras são esperadoas e normais. O problema surge quando há predomínio esmagador de escamosas queratinizadas com fundo inflamatório — geralmente sinal de contaminação perineal ou de vagina com atrofia. Já em lavado brônquico ou escarro, epitélios escamosos indicam saliva, não secreção pulmonar genuína, e a amostra é considerada inadequada para análise citológica propriamente dita. O que muitos esquecem: a presença de epitélio escamoso não invalida automaticamente a amostra. O critério de aceitabilidade depende do tipo de exame, do volume de células glandulares ou alveolares no fundo, e da qualidade do fixador. Amostras bem fixadas em 95% de etanol imediatamente após a coleta preservam melhor a arquitetura nuclear, mesmo com alta carga de escamosas.
Como proceder na prática
A primeira coisa a fazer é avaliar a proporção. Se as células escamosas ocupam menos de 10% do campo e o fundo contém células do sítio-alvo com morfologia preservada, o laudo segue normal. Se ultrapassam 50% e o fundo é escasso, a amostra deve ser declarada insatisfatória ou com restrição interpretativa. Eu tenho um protocolo interno simples: conto 200 campos em objetiva 40x e registro a porcentagem aproximada de escamosas versus células do sítio alvo. Isso evita o viés subjetivo do "parece muito" ou "parece pouco". Quando a contaminação é evidente, o procedimento padrão é solicitar nova coleta, mas com orientações específicas: no exame ginecológico, pedir que a paciente evite relação sexual, duchas ou aplicação de medicamentos nas 48 horas anteriores, e que o coletor posicione o espéculo de forma a isolar a cérvix da parede vaginal. No caso de escarro, instruir o paciente a bochechar com água antes da expectoração e descartar o primeiro jato, que carrega saliva.
Um problema real que eu encontrei
Trabalhei em um laboratório onde recebíamos muitas amostras de lavado broncoalveolar com alto índice de epitélios escamosos representados na amostra escamoso, e o padrão era simplesmente rejeitar tudo. Isso gerava retrabalho enorme e perda de tempo. A solução que encontrei foi diferenciar as células escamosas de alvéolos macrofagos aglomerados. Escamosas têm núcleo pequeno, condensado e citoplasma plano; macrófagos têm núcleo arredondado ou ovais, citoplasma vacuolizado e são muito mais volumosos. Em algumas amostras, o que parecia contaminação escamosa era na verdade material alveolar adequadamente coletado. Ajustei o critério de aceitabilidade e reduzimos a taxa de recusa em cerca de 30% sem comprometer a qualidade do laudo. Isso requer prática visual. Se você está começando, recomendo revisar lâminas conhecidas com um patologista antes de tomar decisões isoladas. A curvatura do núcleo escamoso e a densidade da cromatina são diferenças sutis que se reconhecem apenas com exposure repetida.
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Dicas técnicas que fazem diferença
Fixação é o ponto crítico. Amostras expostas ao ar antes da imersão no fixador perdem detalhe nuclear rapidamente, e as escamosas degradam mais devagar que as células glandulares, criando um falso aspecto de predomínio. Se houver demora superior a 15 minutos entre coleta e fixação, anote isso no laudo como fator limitante. A coloração também influencia. No Papanicolau, oOrange G e a hematoxilina contrastam bem as camadas de queratina. Em técnicas de H&E, as escamosas podem aparecer com citoplasma eosinofílico intenso, o que por vezes confunde com células tumorais bem diferenciadas. Nesses casos, marcadores citoqueratinas como CK5/6 e p63 ajudam a confirmar a linhagem escamosa e afastar carcinoma.
Em amostras de escarro, o teste com corante de Blu e Sirius ajuda a identificar partículas de amido de sabão residual que podem mimetizar epitélios. Não é comum, mas já vi casos em que a contaminação vinha do próprio recipiente de coleta, não do paciente.
Limitações e cenários de falha
Este método de avaliação visual por contagem de campo tem limitações. A reprodutibilidade interobservador é moderada, com coeficiente Kappa variando entre 0,55 e 0,70 na literatura. Isso significa que dois técnicos podem chegar a conclusões diferentes sobre a mesma lâmina. Para reduzir isso, padronize o número de campos contados e use uma escala numérica fixa, não descritiva. Outro ponto: amostras com muita inflamação ou sangue tornam a distinção entre escamosas e linfócitos ou neutrófilos mais difícil. Nesse cenário, a citologia morfológica sozinha é insuficiente. Recomendo encaminhar para imunocitoquímica ou, se disponível, para citometria de fluxo, dependendo do tipo de amostra.
Se a amostra for de paciente imunossuprimido com suspeita de infecção oportunista, a presença de epitélios escamosos em grande quantidade pode mascarar fungos ou micobactérias. Nesses casos, um esfregaço adicional não contaminado deve ser solicitado e corado com Grocott ou Ziehl-Neelsen, independentemente do resultado do exame principal.
Conclusão prática
Lidar com epitélios representados na amostra escamoso exige criterio, não rigidez. Avalie a proporção, o contexto clínico, a qualidade da fixação e, quando necessário, complemente com técnicas auxiliares. Rejeitar amostras sem análise cuidadosa é tão problemático quanto aceitar sem ressalvas. O equilíbrio está na documentação clara do achado e na comunicação direta com o solicitante sobre as limitações impostas pela contaminação escamosa.