Esconde-esconde: quando o hífen aparece e quando some
Todo mundo já jogou esconde-esconde. O problema é que muita gente escreve "esconde esconde" sem hífen, especialmente em textos informais, redes sociais e até em materiais didáticos. A dúvida é legítima porque a norma culta não é tão óbvia quanto parece.
Esconde esconde tem hífen
A resposta curta é sim. Quando se refere ao jogo infantil, o correto é esconde-esconde, com hífen. Isso está previsto no Acordo Ortográfico de 1990 e na gramática normativa brasileira. O hífen aparece porque se trata de um composto por repetição (oureduplicação), assim como "tique-taque", "colchoa-colchoa" ou "blá-blá-blá
.Na prática, eu sempre me deparo com isso quando reviso textos para editoras infantis. Recentemente, recebi um manuscrito onde o autor escrevia "as crianças brincavam de esconde esconde no jardim" e quase passei a manhã inteira corrigindo isso em cada página. A regra é simples: quando o termo funciona como substantivo, leva hífen. Quando funciona como adjunto adnominal ou locução adjetiva, perde o hífen. Aqui vai um exemplo prático. Você escreve "vamos jogar esconde-esconde" — o hífen permanece porque é o nome do jogo. Mas se disser "a variante esconde esconde do jogo", o hífen some porque agora o termo está exercendo função adjetiva, modificando "variante". É uma diferença sutil que os revisores mais atentos percebem na terceira leitura.
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O que acontece na prática é que a maioria das pessoas nem imagina essa distinção. Eu costumo ver "flor de esconde esconde" em materiais escolares, o que deveria ser "flor de esconde-esconde" porque ali o termo é substantivo, não adjetivo. A correção leva cerca de 5 minutos num texto de 20 páginas, mas o impacto na credibilidade do material é enorme. Outro detalhe que poucos conhecem: quando o termo entra numa denominação própria de evento ou atividade, o hífen volta. Um "dia de esconde-esconde" na escola preserva o hífen. Já um "programa de esconde esconde" pode escrever sem, dependendo do contexto sintático. A regra geral segue o padrão dos compostos por reduplicação no português.
Se você quer consultar a fonte original, o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, a regra está no item 17 do Anexo, que trata especificamente dos hífens em compostos por repetição de fonemas. Não é uma questão de preferência pessoal, é norma válida em todo o espaço lusófono. A limitação disso tudo é que a linguagem digital mudou a forma como as pessoas escrevem. Em WhatsApp, Instagram e comentários de blog, "esconde esconde" sem hífen é onipresente e ninguém liga. Se o seu objetivo é comunicação informal, pode escrever sem. Se o seu objetivo é um texto formal, artigo acadêmico ou material publicado, use o hífen.
Eu já vi casos em que o hífen foi omitido em manuais de ensino de português para estrangeiros, o que gerou confusão nos alunos porque o livro didático supostamente deveria ser a referência normativa. A correção posterior custou duas sementes de revisões antes de o editor aceitar a versão com hífen.