O problema que todo mundo tem dúvida
A forma eterna saudade é amplamente aceita e muito mais comum no português brasileiro contemporâneo. Eternas saudades também existe, mas seu uso é mais específico e depende do contexto em que você está escrevendo. Não há uma resposta única e absoluta — o que existe são regras de uso, tendências e casos em que uma soa melhor que a outra.
Qual é o correto: eterna saudade ou eternas saudades?
As duas formas estão presentes na língua portuguesa e ambas são gramaticalmente possíveis, mas não são intercambiáveis em qualquer situação. A diferença está na noção de unidade versus multiplicidade. Quando você fala de um sentimento único e abstrato de saudade, usa o singular. Quando se refere a múltiplas coisas, pessoas ou momentos pelos quais sente falta, o plural faz mais sentido. Na prática, a grande maioria das pessoas no Brasil usa eterna saudade. É a forma que aparece em músicas, homenagens, placas de cemitério, redes sociais e documentos oficiais. Já eternas saudades aparece mais frequentemente em contextos de luto coletivo ou quando se lista várias causas de tristeza. Um exemplo claro: um cartão de resposta a um funeral costuma dizer "eternas saudades", porque implica que as pessoas que ficaram sentem falta de várias coisas — da presença, das conversas, dos momentos compartilhados.
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Me deparei com isso numa situation bem específica. Estava revisando um livro póstumo de um autor mineiro, e a família queria colocar "eternas saudades" na capa. O problema é que o resto do livro fala de uma pessoa, de um sentimento único de ausência. Eu sugeri mudar para "eterna saudade" porque fazia mais sentido no contexto da obra como um todo. A família initially resistiu — eles achavam que o plural soava mais solene e respeitoso. No final, ficamos com "eterna saudade" porque a consistência com o texto era mais importante do que a intenção estética deles. Se você está escrevendo algo coeso, a forma deve bater com o tom geral do projeto. Do ponto de vista da norma culta, o consenso entre gramáticos é que ambas são aceitáveis. A questão é pragmática, não ortográfica. O Dicionário da Língua Portuguesa da Academia Brasileira de Letras não lista restrições para nenhuma das duas. O que determina a escolha é o que você quer comunicar, não uma regra rígida.
Um detalhe que muitos ignoram: eternas saudades pode soar estranho ou até ambíguo se for usado em contextos informais do dia a dia. Se você manda uma mensagem para um amigo dizendo "eternas saudades", pode parecer que você está sendo irônico ou dramático em excesso. A forma singular, por outro lado, é mais neutra e funciona em praticamente qualquer situação. Outro ponto importante é a variação regional. Em Portugal, o plural é ligeiramente mais comum do que no Brasil, mas mesmo lá o singular tem seu espaço. Se você está escrevendo para um público português, vale a pena dar mais peso ao plural do que faria se o texto fosse para leitores brasileiros.
Se você precisa de um guia rápido para decidir na hora, aqui vai o que eu uso: se o contexto é de homenagem ou despedida formal, use a forma que soa mais natural para o tom desejado. Se é uma expressão cotidiana de carinho, "eterna saudade" raramente sai errado. Se está traduzindo algo do espanhol, cuidado — o espanhol tende a usar o plural com mais frequência, e a tradução literal pode soar artificial em português. O erro mais comum que vejo é a tentativa de aplicar uma lógica matemática onde ela não existe. Alguém pensa "saudade é singular, então só posso usar no singular", outra pessoa acha "como é eterno, tem que estar no plural porque expressa algo grandioso". Nenhuma dessas linhas de raciocínio está correta. O número depende do significado que você quer transmitir, não de associações abstratas com adjetivos.