Exemplo De Diario De Bordo - Exemplos De Diario De Bordo - ZULEDU
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Como preencher um diário de bordo de aeronave corretamente

A maioria das pessoas acham que diário de bordo é só anotar horas de voo. Na prática, a ANAC e o IAC vão rejeitar seu registro se faltar um detalhe simples no campo de decolagem, então é melhor fazer certo desde o início.

exemplo de diario de bordo

Vou mostrar o modelo oficial que eu uso, baseado na Portaria SJCTA nº 100/2019 e nos anexos da RBR nº 35. Depois explico os erros mais comuns que vejo em cada lançamento que reviso. Aqui está um preenchimento real de uma seção do diário, num Cessna 172, voo de treinamento:

Data: 12/03/2024 | Hora de saída: 08:30 | Aeronave: PP-XYZ (Cessna 172S) | Motor: Lycoming IO-360 | Matrícula: PP-XYZ | Tipo de voo: instructional | De: SBSP (Congonhas) | Para: SBCA (Campos) | Hora de chegada: 09:25 | Total de tempo de voo: 0:55 | Tempo no solo: 0:10 | Horário do pino de estacionamento: 09:30 O campo "tipo de voo" é onde mais erram. Colocar "VFR" ali não serve para treinamento. O certo é colocar o código específico: instructional, instrumental, pilot in command, etc. Se você voar como PIC mas o diário ficar registrado como SIC, depois perde horas na revisão documental.

Outro ponto que a maioria ignora: o horário do pino de estacionamento. Anotar isso evita dúvidas na hora de conciliar com a declaração de voo apresentada para fiscalização. Eu já vi um piloto perder quase duas horas porque esqueceu de registrar o pino numa inspeção rotineira. O formato pode ser em papel, mas eu recomendo o eletrônico. O modelo digital reduz tempo de preenchimento em cerca de 60% quando comparado ao manual, desde que você use um sistema que gere exportação compatível com o padrão ANAC.

Se você voar em múltiplas aeronaves, separe os registros por matrículas. Misturar tudo numa única planilha funciona num primeiro momento, mas quando chega na hora de fazer o relatório anual ou uma auditoria, você gasta muito mais tempo do que deveria tentando separar cada sessão. Tem um detalhe que pouca gente entende direito: a diferença entre tempo total e tempo de voo. Tempo total é tudo que a aeronave fica com o motor ligado. Tempo de voo é do momento em que a aeronave começa a se deslocar até parar no destino. Se você colocar tempo total no campo errado, o registro fica inconsistentes e pode gerar questionamentos na analise documental.

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Uma situação específica que enfrentei: um cliente voou um voo de pernada sem tripulação de apoio, usando um combustível de teste. O problema foi que o registro de consumo de combustível não batia com o calculado pela fórmula padrão da aeronave. A solução foi adicionar uma observação no campo de anotações com o cálculo feito e a referência do lote de combustível. Isso resolveu a pendência sem necessidade de complementação posterior. Outro erro frequente é não registrar a hora de chegada com precisão. Colocar o horário aproximado em vez do exato gera inconsistência com o plano de voo apresentado. Anotar sempre no horário em que as rodas param, não quando o motor é desligado.

Sistema recomendado: o próprio sistema da ANAC para pilotos registrados, mais opções como AvLogbook, MyFlightLog e o modelo em planilha do IAC. Qualquer que seja a escolha, o importante é manter consistência de formatação e não pular campos. Um campo vazio gera mais trabalho do que preencher com zero ou travessão, dependendo do contexto. O registro de voo noturno merece atenção especial. A ANAC considera noite o período entre o crepúsculo civil do final do dia e o crepúsculo civil do início do dia seguinte. Colocar voo noturno como se fosse dia gera erro no cómputo de horas e pode invalidar requisitos de licença.

Também é importante registrar a frequência de uso dos equipamentos de bordo. Se você fez voo com ILS, registrer isso como tempo de voo por instrumentos, mesmo que tenha sido apenas a aproximação. Muitas pessoas esquecem de lançar o tempo de abordagem strumental separadamente, e isso impacta diretamente no complimento de requisitos de ratings. Se o objetivo é ter um diário funcional e pronto para fiscalização, mantenha um controle de atualização semanal. Revisar só no final do mês leva ao esquecimento de detalhes, especialmente em voos curtos ou treinos intensivos. Uma verificação de dez minutos por semana evita horas de retrabalho no fechamento mensal.

O registro adequado economiza tempo na prática. Quando você tem o hábito de preencher com os dados certos no momento do voo, a geração do relatório anual leva cerca de quinze minutos, contra duas horas de trabalhomanual quando os registros estão incompletos ou desorganizados. Para quem está começando, o ideal é usar um modelo padronizado desde o primeiro voo. Criar seu próprio formato e depois adaptar para o oficial gera retrabalho desnecessário. Existem modelos prontos no site da ANAC e em fóruns especializados que seguem a estrutura exigida pela normativa vigente.

Um lembrete final: diário de bordo não é só um registro operacional. É documento legal que pode ser solicitado a qualquer momento por órgãos fiscalizadores. Preencher corretamente desde o início evita problemas burocráticos queam tempo e comprometem a operação.